O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e outras 33 pessoas foram denunciados pela Procuradoria-Geral da República (PGR) pela tentativa de golpe de Estado em 2022, nesta terça-feira (18).
Entre os denunciados pela PGR estão o ex-ministro e ex-vice na chapa de Bolsonaro, o general Walter Souza Braga Netto; o ex-ajudante de ordens Mauro Cid; e o ex-diretor da Abin e deputado federal Alexandre Ramagem.
Bolsonaro foi denunciado pelos crimes de golpe de Estado, abolição violenta do Estado Democrático de Direito e organização criminosa.
O inquérito expõe que, em novembro de 2022, oficiais do Exército, auxiliares de comandantes e de setores estratégicos, reuniram-se para tentar fazer com que a alta cúpula do Exército aderisse ao golpe em curso.
Pressão para o golpe
O relatório cita que um grupo de kids pretos atuou para pressionar o comandante do Exército e o alto comando, formulando cartas e agitando colegas em prol de ações de força no cenário político. O principal objetivo era impedir que Lula assumisse a presidência.
“O grupo atuava junto a influenciadores para atacar, em ambientes virtuais de impacto nos meios castrenses, os oficiais generais que se opunham à quebra da legalidade. A denúncia reporta num dos seus capítulos que certo general de excepcional prestígio na arma, que comandava batalhão de kids pretos, chegou a assumir, perante o Presidente da República, que, se este assinasse ato formal de rebeldia contra a ordem constitucional, ele o apoiaria, a significar que estaria disposto posicionar o Exército em modo apto para consumar o golpe”, diz um trecho do documento.
Kids pretos são militares das Forças Especiais do Exército que concluem treinamento de táticas de operações em missões de inteligência. Eles também se dedicam à exploração e ao reconhecimento de comunicações clandestinas, operações em conflitos armados não convencionais, prevenção e combate a terrorismo, infiltração em território inimigo, resgate de pessoal e manejo de crises em ambientes hostis.
Engrenagem do golpe
Minutas de atos de “formalização de quebra da ordem constitucional” chegaram a ser concebidas. O Presidente da República à época (Jair Bolsonaro) chegou a apresentar uma delas, em que se cogitava da prisão de dois Ministros do Supremo Tribunal Federal e do Presidente do Senado Federal. Mais adiante, numa revisão, apenas o Ministro Presidente do Tribunal Superior Eleitoral foi o alvo.
“O Ministro da Defesa também reuniu os Comandantes militares para lhes propor ato consumativo de golpe, obtendo a adesão do Comandante da Marinha e a recusa dos Comandantes das outras duas Armas”, diz outro trecho do relatório.
“A resistência dos Comandantes custou-lhes o recrudescimento das campanhas de ódio por parte da organização criminosa, por meios virtuais, sempre no intuito de demover os legalistas da posição contrária ao golpe e estimular outros oficiais à iniciativa funesta”, diz o relatório.