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Deborah Magagna explica o que há de suspeito no investimento do governo de MT

Voz do Sertão
Redação: Voz do Sertão 09/12/2025 às 12:21 · Atualizado há 3 dias
Deborah Magagna explica o que há de suspeito no investimento do governo de MT
Foto: Reprodução / Arquivo

Por Deborah Magagna*

O governo de Mato Grosso resolveu “impor” recursos do próprio estado, porquê quem investe suas economias em um fundo financeiro. A grande questão é que esse fundo também recebeu numerário de outras fontes suspeitas, ligadas ao PCC, segundo a Polícia Federalista.

O fundo MT Par FIDC foi inicialmente criado para comprar a dívida da concessionária Rota do Oeste, antiga empresa da Odebrecht. Um FIDC-NP (Fundo de Investimento em Direitos Creditórios Não Padronizados) é, basicamente, um tipo de investimento que compra dívidas que empresas ou pessoas têm a receber porquê boletos, financiamentos ou contratos de pagamento. No caso dos “não padronizados”, o fundo lida com dívidas mais específicas ou arriscadas, que não seguem regras comuns do mercado. O fundo compra “promessas de pagamento” e ganha quando essas dívidas são pagas. Por isso, esse tipo de fundo costuma ser mais multíplice e exige muita transparência, já que é fácil esconder negócios ruins ou pouco claros dentro dele.

A operação, por si só, poderia despertar dúvidas sobre quem realmente saiu ganhando com o negócio, o Estado ou os antigos donos da concessionária. A grande questão é que esse mesmo fundo do governo, o MT Par FIDC, investiu R$ 1,1 milhão no fundo chamado Money Market.O problema é que o Money Market também recebeu numerário (R$ 845 milénio) de outro fundo chamado Murren 41, que por sua vez está ligado ao Hans 95,  um fundo citado pela Polícia Federalista na operação Carbono Oculto por suspeita de movimentar numerário do PCC. O numerário público do governo e o numerário suspeito acabaram entrando no mesmo caminho financeiro, porquê se o governo tivesse disposto o numerário num cofre onde já havia notas de origem duvidosa, ninguém sabe exatamente de onde vieram, e isso, por si só, já acende o alerta. Mesmo que o governo não tenha feito zero ilícito, o simples trajo de misturar recursos públicos com numerário investigado por relação com o delito organizado pode colocar a credibilidade em xeque e requer explicações.

Outro ponto que levanta suspeitas é que auditorias encontraram falhas nas contas do fundo e apontaram falta de transparência. Há registros de investimentos feitos em outros fundos que nem sequer apresentaram suas demonstrações financeiras, o que impede saber com certeza onde o numerário foi parar. Quando isso acontece, o risco de mistura entre recursos públicos e numerário de origem suspeita aumenta, abrindo espaço para irregularidades e dificultando o rastreamento.

O caso levanta dúvidas sobre o porquê do governo ter aplicado numerário público em um envolvente financeiro de pouca visibilidade, ligado a fundos investigados por lavagem de numerário, posteriormente assumir uma dívida privada bilionária. Mesmo sem prova direta de delito, a combinação da falta de transparência, dúvidas em relação a auditoria e contradições nas explicações oficiais aponta para indícios de problemas de fiscalização. É porquê se estivéssemos diante de um labirinto financeiro referto de portas trancadas, e o governo precisasse explicar quem tem as chaves e o planta do labirinto e por qual caminho o numerário percorreu em meio a suas curvas.

 

*Formada em Economia pela PUC-SP, pós-graduada em Finanças Avançadas pelo Insper e historiadora pela Unifesp, pesquisa o papel do Estado na economia e a história da música, além dos diálogos entre cultura e sociedade. Professora e apresentadora do ICL, combina política, economia e história com foco no pensamento crítico.

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