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Com 10,3 mil obras extraviadas, bibliotecas da Unicamp têm livro atrasado há 23 anos e lei

As bibliotecas da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) contabilizam 10,3 mil obras extraviadas e registram situações inusitadas no sistema de emprésti...

Voz do Sertão
Redação: Voz do Sertão 10/01/2026 às 07:51 · Atualizado há 2 horas
Com 10,3 mil obras extraviadas, bibliotecas da Unicamp têm livro atrasado há 23 anos e lei
Foto: Reprodução / Arquivo

As bibliotecas da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) contabilizam 10,3 mil obras extraviadas e registram situações inusitadas no sistema de empréstimos.

De acordo com dados enviados a pedido do g1, o acervo tem um livro com devolução atrasada há 23 anos, além de um leitor suspenso até 2059.

Embora os extravios representem menos de 2% do acervo, que soma 601.665 livros em 30 bibliotecas, o cenário expõe um desafio.

Além do custo financeiro, perda de livros afeta o acesso a informação e a continuidade de pesquisas, segundo o SBU.

Bibliotecas da Unicamp têm livro atrasado há 23 anos e leitor suspenso até 2059

As bibliotecas da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) contabilizam 10,3 mil obras extraviadas e registram situações inusitadas no sistema de empréstimos. De acordo com dados enviados a pedido do g1, o acervo tem um livro com devolução atrasada há 23 anos, além de um leitor suspenso até 2059.

Embora os extravios representem menos de 2% do acervo, que soma 601.665 livros em 30 bibliotecas, o cenário evidencia um desafio: muitos desses exemplares estão esgotados no mercado editorial e não podem ser repostos, o que compromete o acesso à informação, segundo o Sistema de Bibliotecas da Unicamp (SBU).

São considerados extraviados os livros não devolvidos há mais de três anos ou que foram declarados perdidos. Nesses casos, eles recebem baixa patrimonial. Além deles, há outros 2.756 atrasados que as bibliotecas continuam cobrando na tentativa de recuperá-los.

O empréstimo mais longo sem devolução é datado de 17 de dezembro de 2002, quando uma mesma leitora retirou três livros. Dois títulos eram exemplares únicos em toda a universidade e, até hoje, nunca voltaram para as prateleiras da instituição:

Concreto: ensino, pesquisas, realizações

— A suspensão até 2059 se refere a um empréstimo de 13 de novembro de 2011 da obra , de Geraldo Cechella Isaia e Alexandra Passuelo. A biblioteca deu baixa por extravio e bloqueou o leitor atrasado.

No total, 1.621 usuários permanecem suspensos. Ainda segundo a instituição, são aplicadas duas penalidades diferentes e elas estão relacionadas ao impacto que o atraso provoca sobre outros usuários.

Não há aplicação de multa, uma vez que o objetivo não é punir, mas, sim, proteger o acervo e educar quem depende dele. A Unicamp destaca que mantém um sistema contínuo de cobrança e acompanhamento de empréstimos em atraso, com o envio de notificações aos e-mails cadastrados, além de contatos telefônicos, como forma de orientar os usuários e regularizar as pendências.

É importante destacar que o SBU adota uma abordagem que alia gestão administrativa, educação do usuário e responsabilidade social. Nesse sentido, são realizadas campanhas solidárias anuais, nas quais os usuários podem substituir a penalidade de suspensão por uma penalidade alternativa, por meio da doação de alimentos não perecíveis, produtos de higiene, entre outros itens

De livro com 800 anos a autógrafos de Oswald de Andrade, conheça Biblioteca de Obras Raras da Unicamp (Bora) — Foto: Marcelo Gaudio/g1

A instituição ressalta que o prejuízo decorrente de atrasos prolongados e extravios não pode ser mensurado apenas em termos financeiros. Embora seja possível estimar valores com base no preço médio de mercado de obras similares, pontua que o principal dano está nos âmbitos acadêmico, científico e patrimonial.

Ainda de acordo com a Unicamp, essa realidade impacta de forma mais acentuada as áreas de humanidades, nas quais grande parte da bibliografia é composta por títulos fora de catálogo, de circulação extremamente limitada ou provenientes de edições antigas, muitas vezes insubstituíveis.

Obras de Luiz de Camões: precedidas de um ensaio biographico, no qual se relatam alguns factos não conhecidos da sua vida; argumentadas com algumas composições inéditas do poeta, pelo visconde de Juromenha

— Como exemplo, destaca o título .

Recentemente, a atual Coordenadoria Geral da Universidade (CGU) atendeu a uma demanda histórica das bibliotecas e viabilizou a destinação de recursos específicos para a aquisição de obras esgotadas, por meio de sebos e outras fontes especializadas.

Dos mais de 600 mil livros impressos que compõem o acervo, 433.559 exemplares estão disponíveis para empréstimo domiciliar para a comunidade interna da Unicamp, como professores e alunos. Outros 168.106 títulos não podem ser emprestados, mas estão liberados para consulta nas próprias bibliotecas.

Esse conjunto abrange livros de referência, materiais vinculados a coleções especiais e obras raras, que, em razão de suas características e de seu valor informacional ou patrimonial, não podem deixar o acervo. Nesse número, há, também, materiais em processo de encadernação ou restauração, além dos indisponíveis por extravio.

A comunidade externa da Unicamp também pode consultar todos os livros disponíveis. No entanto, os empréstimos para quem não é da universidade estão restritos ao acervo da Biblioteca Comunitária, que conta, atualmente, com 5.830 obras à disposição.

Além disso, o SBU conta com outros materiais informacionais, como dissertações, teses, CDs, DVDs e mapas, por exemplo, que totalizam 509.491 itens. O público também pode consultar 469 mil e-books, 949 periódicos e 73 bases de dados.

Veja mais notícias sobre a região na página do g1 Campinas.

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