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Vale já distribuiu ao menos US$ 208 bilhões a acionistas desde privatização em 1997

Voz do Sertão
Redação: Voz do Sertão 13/05/2024 às 12:00 · Atualizado há 1 semana

Por Vinicius Konchinski – Brasil de Veste

A mineradora Vale já distribuiu pelo menos 208 bilhões de dólares a seus acionistas desde que foi privatizada pelo governo federalista. A venda da participação governamental na empresa ocorreu em maio de 1997 e completou 27 anos nesta semana.

O valor distribuído pela ex-estatal a seus acionistas foi calculado pelo Brasil de Veste com base em informações divulgadas pela própria companhia em seu site. Procurada pela reportagem, a empresa não quis comentar os valores.

O totalidade é uma soma do que foi pago a acionistas em dividendos, que são participações em lucros divididos entre investidores, e juros sobre capital próprio, que é uma forma de a empresa remunerar os acionistas pelo valor aplicado em papéis da empresa.

O site da Vale informa esses pagamentos ora em dólares ora em reais. O Brasil de Veste converteu os valores pagos em reais para dólares baseados na cotação da moeda estadunidense no dia dos pagamentos feitos pela Vale.

A conta 208 bilhões de dólares não leva em conta a correção monetária baseada na inflação dos EUA. Corrigidos, seriam 279 bilhões de dólares.

O valor também não foi convertido para real porque, de 1997 para cá, o valor da cotação da moeda dos EUA variou mais de 400%. Ela valia perto de R$ 1 na estação da privatização da empresa. Mais recentemente, superou os R$ 5.

Os 279 bilhões de dólares hoje valem mais de R$ 1,4 trilhão.

Privatização da Vale

A Vale foi privatizada por muro de R$ 3,3 bilhões. Foto: Reuters

A Vale foi privatizada por muro de R$ 3,3 bilhões, o que hoje seriam mais de R$ 16 bilhões considerando a correção monetária. Na ocasião, o governo transferiu 41,7% das ações com recta a voto que detinha a um grupo de empresas privadas e fundos de pensão.

O valor da venda, àquela estação, já era motivo de protestos. Oposicionistas da privatização denunciaram uma avaliação subestimada dos ativos da empresa e, principalmente, do seu potencial de geração de lucro no horizonte.

Só em 2021, a Vale lucrou R$ 121 bilhões. Na estação, esse foi o maior lucro já registrado por uma empresa brasileira na história – a marca foi superada pela Petrobras em 2022.

Hoje, o maior acionista da Vale é o fundo de previdência dos funcionários do Banco do Brasil, o Previ, e fundos de investimento estrangeiros.

O governo ainda mantém a chamada “golden share”, ou seja: pode vetar mudança da sede e venda de bens, por exemplo. Não tem, entretanto, participação acionária importante.

Lucro privado

Para Luiz Paulo Siqueira, biólogo e coordenador vernáculo do Movimento pela Soberania Popular na Mineração (MAM), a venda da Vale foi um transgressão contra a pátria.

“A privatização da Vale é um dos maiores escândalos do processo de “privataria” realizado durante o governo FHC [Fernando Henrique Cardoso]. Entregar uma empresa que detém ativos bilionários de capilaridade territorial e com tamanha relevância para um projeto de industrialização vernáculo foi um transgressão lesa pátria.”

“Passados quase 30 anos desde sua privatização, a Vale distribuiu centenas de bilhões de lucros aos seus acionistas, formado majoritariamente por capital internacional e financeiro. Esses foram os principais beneficiados”, acrescentou Siqueira.

Weslley Cantelmo, economista e presidente do Instituto Economias e Planejamento, hoje privada, a Vale hoje pouco contribui com o desenvolvimento do país. Devido ao sistema tributário vernáculo em vigor, a empresa pouco paga impostos que a exportação – principal atividade da empresa – é isenta no país. Explora um recurso finito do país, causando impactos ambientais, para benefícios de seus poucos acionistas.

“Essas empresas extrativas, de um modo universal, devem continuar porquê estruturas estatais para atender a objetivos estratégicos, até mesmo de utilização da renda dessa extração para benefícios mais gerais para a população. O minério é um patrimônio do planeta, da humanidade que a gente está transformado em mercadoria”, afirmou.

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