O próximo verão, que se inicia às 00h27 da próxima sexta-feira (22), pode ser um dos três mais quentes da história. O ano de 2024, que se avizinha, também pode escadeirar recordes de temperatura. A previsão é de Gilvan Sampaio, coordenador-geral de Ciências da Terreno do Instituto Pátrio de Pesquisas Espaciais (Inpe).
“Não dá para expor que vai ser o mais quente, mas estará, certamente, entre os três mais quentes da história. Temos, neste momento, um El Niño de intensidade poderoso. Uma resposta do El Niño de intensidade poderoso, na região Sudeste, são temperaturas supra da média”, afirmou Gilva, em entrevista ao site Uol.
“O que esperamos para o verão: temperaturas muito supra da média ao longo dos próximos meses durante todo o verão”, completou.
O profissional compara a estação com verões anteriores, principalmente os de 1997-1998, 2013-2014 e 2015-2016, marcados por fortes El Niños. Apesar de uma provável subtracção no volume totalidade de chuva durante a estação, espera-se que as precipitações ocorram de forma intensa, podendo concentrar-se em poucos dias.
O profissional do Inpe aletou, ainda, para o Nordeste, com seus três regimes climáticos distintos, enfrentará situações diversas, prevendo chuvas intensas no Sul da Bahia, algumas precipitações no litoral e condições de seca no Semiárido. Para Gilvan Sampaio, as cidades devem se preparar para fenômenos extremos.
“É provável [se preparar para a onda de calor]. Infelizmente, isso para nós não é nenhuma novidade, nós não vemos ações efetivas associadas à preparação das cidades. No mínimo, cada Projecto Diretor das cidades deveria ter um mapeamento das áreas suscetíveis a enchentes, alagamentos e escorregamento de encostas. Isso não é contemplado nos planos diretores”.
“Vamos pegar, por exemplo, o estado de São Paulo. Na região da Serra do Mar, tem diversas moradias ocupadas de maneira desordenada, sem nenhum tipo de planejamento e que estão em áreas de encostas. Porquê a tendência é que os eventos extremos fiquem cada vez mais frequentes, aquelas populações que estão ali deveriam ser retiradas imediatamente, porque a cada ano elas se tornam mais vulneráveis a chuvas intensas que vão provocar escorregamento de encostas. Pessoas vão morrer”, ressaltou.