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Prefeito de Porto Alegre não tomou medidas que evitariam segunda enchente

Voz do Sertão
Redação: Voz do Sertão 24/05/2024 às 06:46 · Atualizado há 5 dias

Por Heloisa Villela

Entre os primeiros dias da enchente em Porto Contente e a chuva possante que voltou nesta quinta-feira (23), a Prefeitura poderia, e deveria, ter adotado medidas para impedir que a chuva novamente tomasse conta de bairros da cidade. Essa é a peroração de engenheiros do Rio Grande do Sul que elaboraram uma lista das medidas a serem adotadas e apresentaram na sexta-feira (17) o documento ao prefeito Sebastião Melo e ao Ministério Público. Mas nenhuma das medidas recomendadas foi adotada antes da segunda chuva possante que causou novas inundações.

Nanci Giugno-Senge, membro do parecer técnico consultivo do Sindicato dos Engenheiros do Rio Grande do Sul, disse ao ICL Notícias que seria provável reduzir bastante o tamanho do problema que voltou a afetar Porto Contente. Mergulhadores especializados deveriam ter sido despachados para consertar os problemas dos diques de contenção do Muro da Mauá e também da comporta da moradia de bombas que não funcionou e permitiu que o sítio fosse inundado. Ela explicou que é generalidade fazer esse tipo de trabalho, com mergulhadores, em sistemas de saneamento. Mas no caso de Porto Contente, isso não aconteceu.

Os diques do Muro da Mauá, na orla do Rio Guaíba, apresentavam pontos de ferrugem, borrachas estragadas e buracos que se fossem vedados impediriam a chuva de entrar novamente na cidade. Ou, ao menos, reduziriam muito o volume da invasão. Esse trabalho, diz ela, poderia ter sido feito mesmo durante a enchente. E não foi.

Na moradia de bombas, uma comporta que funciona uma vez que um basculante, não funcionou. Ela não vedou a ingressão da chuva. E também deveria ter sido consertada. Depois dos reparos necessários, a chuva lá dentro seria jogada para fora e as bombas que não estão danificadas poderiam voltar a funcionar retirando a chuva de dentro da cidade. Esse trabalho poderia ser feito por mergulhadores que, no pretérito, faziam segmento da equipe da prefeitura.

Nanci também criticou a escassez de um sistema de alerta, o que deixou os moradores, novamente, sem informações. “O sistema todo falhou”, disse John Wurding, engenheiro ambiental com mestrado em planejamento urbano e ambiental pela Universidade Federalista do Rio Grande do Sul (UFRGS). “Está difícil para a Prefeitura assumir que existe um colapso universal, ela blinda a real situação”, disse John.

Volta a chover possante em Porto Contente. Foto: Rafa Neddermeyer/Sucursal Brasil

Porto Contente teve alerta procrastinado

A Resguardo Social da capital gaúcha divulgou um alerta procrastinado, aconselhando a população a monitorar o risco de alagamentos nos bairros que já tinham sido afetados pela enchente no primórdio do mês. Quando o alerta foi divulgado, a chuva já estava dentro das casas de bairros uma vez que Cidade Baixa e Menino Deus.

John Wurding disse que acompanha os dados divulgados pelo INMET, o Instituto Vernáculo de Meteorologia, e viu que no primórdio da tarde a região de Catadupa do Sul já havia registrado 250 mm de chuva. Se choveu tanto assim por lá, é visível que o nível do Guaíba, na região de Porto Contente, subiria.

Wurding, também criticou a escassez de um sistema de alerta. Pessoas que já estavam voltando para suas casas foram obrigadas a fugir novamente, sem aviso prévio. A previsão de chuva possante já estava disponível, mas não chegou aos moradores. E pior: segundo o engenheiro, Porto Contente nem sabe exatamente o que está acontecendo porque instalou uma régua de mensuração que apresenta resultados diferentes da régua antiga, com uma defasagem de 30 a 40 centímetros.

Moradora do bairro Menino Deus, Paula Moletta e o namorado já tinham limpado toda a moradia dele quando a chuva recomeçou. “Saímos de lá agora com a chuva pela cintura”, contou. A moradia foi alagada novamente. “Muitos vizinhos já tinham mobiliado as casas, reformado portões. Agora, vão ter que fazer tudo outra vez. Já chorei, já tentei rir e fazer piada, já pirei”, disse Paula, mas ela está jogando toda a robustez no trabalho de recuperação da cidade, em bases mais humanas.

Paula é engenheira sanitária ambiental. “Estou botando em prática muito do que aprendi”, contou. Focada no trabalho de limpeza, ela está ajudando a montar uma grande rede de faxina, com voluntários treinados para ouvir quem perdeu tudo e ajudar os moradores a separar o que é provável aproveitar, evitando a produção de toneladas e toneladas de lixo. “Sustentabilidade não é mais a resposta. Precisamos reduzir a 10% o que geramos de coleta coletiva hoje”, afirmou.

 

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