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Prefeito de Canoas atrasou retirada de pacientes; 2 morreram

Voz do Sertão
Redação: Voz do Sertão 08/05/2024 às 12:19 · Atualizado há 4 dias

Com Igor Mello

A catástrofe climática do Rio Grande do Sul que atingiu em referto a cidade de Canoas, na região metropolitana de Porto Feliz, foi ampliada pela falta de ação imediata da prefeitura sítio na evacuação do Hospital de Pronto Socorro de Canoas (HPSC), no bairro de Mathias Velho.

Mensagens e documentos obtidos pela pilastra, com exclusividade, mostram que a evacuação da unidade, planejada inicialmente para a manhã da sexta-feira (3), foi cancelada por ordem do prefeito de Canoas, Jairo Jorge (PSD-RS), e retomada só na manhã de sábado (4).

Quando a remoção finalmente ocorreu, a chuva já batia quase no pescoço dos profissionais de saúde. Dois pacientes que estavam na UTI morreram.

Em entrevista à pilastra, o prefeito da cidade admitiu o prorrogação na transferência, mas disse que, na sexta-feira de manhã, determinou a evacuação de todo o bairro e não soube informar porque a remoção se deu de forma tão lenta.

“Se houve qualquer problema na ordem de comando, ou, se a avaliação foi retirar mais lento, ou, se essa era a orientação desde o início, é isso que nós vamos apurar”, afirmou Jorge. O prefeito disse que três pessoas foram a óbito no meio dessa remoção.

A transferência dos pacientes foi inicialmente prevista para as 7h de sexta-feira (3), momento em que a chuva ainda não havia tomado a região do hospital.

Com o cancelamento, os pacientes da UTI só tiveram autorização para o início da remoção na madrugada de sábado, quando a superfície já era atingida com sisudez pela inundação e o aproximação de ambulâncias era impossível.

Uma vez que não foi feita a evacuação planejada para a manhã da última sexta-feira, pacientes e profissionais de saúde ficaram presos quando a enchente tomou conta do primeiro marchar do hospital.

Tiveram repercussão pátrio vídeos de profissionais de saúde carregando pacientes para o segundo marchar da unidade, tentando salvá-los, quando a chuva já tinha atingido mais de 1,5 metro no térreo. Em um dos resgates, bombeiros tiveram que retirar uma mulher por uma fresta de poucos centímetros entre o nível da chuva e a porta do hospital. Foi nessa remoção que ocorreram as mortes.

Cronologia da tragédia no hospital de Canoas

No início da noite de quinta-feira (2), em um grupo de mensagens de profissionais do hospital, foi informado para a equipe de plantão, por volta das 18h30, que um projecto de contingência tinha sido feito devido ao risco de inundação da região onde fica o hospital. O projecto previa a transferência a partir das 7 horas da manhã do dia 3.

Mensagem informa hospital de Canoas sobre evacuação na sexta-feira (3)

Também foi enviado um ofício do secretário de Saúde de Canoas, Mauro Sparta, ao SAMU, determinando que nenhum paciente fosse levado para a unidade por conta do risco de enchentes na superfície.

No entanto, ainda na noite de quinta-feira (2), o planejamento mudou rapidamente. Duas horas depois do proclamação da transferência, às 20h32, no grupo da direção técnica do hospital, uma novidade mensagem informou que a remoção da UTI estava cancelada por ordem do prefeito.

“Por ordem do prefeito e com informações adicionais sobre o clima, vamos suspender a operação de transferência da UTI do HPSC, segue o trabalho com a rotina usual”, diz o expedido.

Evacuação no Hospital de Canoas é cancelada

Mesmo com o agravamento da situação no bairro de Mathias Velho, a situação não mudou. Às 3h39 de sexta a decisão foi reiterada: “Não foram autorizadas as transferências de pacientes”, diz outro expedido enviado no grupo dos profissionais.

Na madrugada de sábado, a autorização de remoção não tinha saído

Em entrevista à pilastra, o prefeito Jairo Jorge admitiu ter determinado a suspensão do projecto de contingência na quinta-feira. Todavia, argumenta que determinou a evacuação de todo o bairro de Mathias Velho na manhã de sexta-feira, por volta das 10h, posteriormente realizar uma vistoria no dique do bairro com engenheiros. A partir desse momento, o início do resgate levou quase 24 horas.

Um profissional de saúde do hospital, que conversou com a pilastra sob anonimato, contou que já no caminho para iniciar seu plantão, na tarde de sexta, passou por diversos pontos de inundação no bairro Mathias Velho. Se espantou ao chegar no hospital perto das 19h e desenredar que os pacientes ainda não tinham sido transferidos.

A chuva foi subindo na região do hospital ao longo da noite. Por volta de 1h de sábado, médicos que repousavam no meio do plantão foram pegos de surpresa ao serem avisados que a chuva já havia chegado ao estacionamento utilizado pelos funcionários, que fica em um ponto mais ordinário do terreno do hospital.

O temor de que a inundação do prédio fosse iminente aumentou. O prefeito Jairo Jorge, no entanto, afirmou reiteradas vezes à pilastra que nesse momento não havia enchente na superfície do hospital. “Não tinha chuva nenhuma [nas imediações do hospital] até às 4:30 da manhã, nenhuma pinga”, disse ele.

Todavia, um vídeo feito por médicos às 2h12, mostra o entorno do hospital já sendo tomado pela chuva.

Em uma mensagem às 03:38 da manhã de sábado, foi expedido que o secretário de Saúde do município, Mauro Sparta, tinha sido avisado da situação do hospital. As equipes cirúrgicas foram enviadas para seguir o plantão no Hospital Nossa Senhora das Graças.

No entanto, ainda assim, apesar da chuva já estar tomando a frente do hospital não havia autorização para remoção. “Não autorizadas as transferências de pacientes”, dizia a mensagem, ao final.

Pouco depois das 4h, o dique de contenção do bairro estourou e a inundação aumentou de patamar, com a chuva tomando o primeiro marchar do HPSC.

A transferência dos pacientes só começou nas primeiras horas da manhã de sábado e se estendeu ao longo do dia. A pilastra também viu um vídeo que foi feito às 10 horas da manhã quando o CTI passou a ser inundado. O momento mais grave começou a ocorrer pouco depois.

A pilastra apurou que, com a urgência da remoção, os pacientes foram da UTI, que fica no segundo marchar, foram levados para a sala vermelha, da emergência, no primeiro marchar. A expectativa era pelo resgate. No entanto, o resgate não veio e a chuva começou a inundar o prédio.

Enchente levou chuva até a cintura dos profissionais no hospital

Foi necessário levar os pacientes e todas as pessoas que tinham procurado o hospital porquê um sítio de abrigo, novamente, para o segundo marchar. Primeiro, a luz começou a faltar, depois, o gerador falhou. O oxigênio começou a permanecer em nível crítico.

Em meio a tudo isso, não foi verosímil transportar as pessoas pelos elevadores e os pacientes precisaram ser carregados pelas escadas. Todos que conseguiram ser resgatados deixaram o sítio em barcos ao longo do dia e do início da noite.

No meio disso, segundo os profissionais de saúde presentes, duas pessoas morreram. O prefeito informa que foram três.

Jairo Jorge diz que irá perfurar uma sindicância para apurar eventuais responsáveis pelo tardada na evacuação do Hospital de Pronto Socorro.

“O prefeito é sempre a responsabilidade máxima”, disse. “A informação que eu recebi é que começou o processo e que eles estavam fazendo de forma mais lenta e que já haviam retirado os pacientes. Essa é a informação que eu tenho. Eu vou instituir investigação. eu sou poder porquê prefeito. Não me eximo das minhas responsabilidades. Quero deixar evidente, mas a ordem de evacuação foi dada por mim, às 9h30 da manhã (de sexta)”, completou. “Agora, se houve qualquer problema na ordem de comando, ou, se a avaliação foi retirar mais lento, ou, se essa era a orientação desde o início, é isso que nós vamos apurar”.

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