Por José Marques
(Folhapress) — O procurador-geral da República, Paulo Gonet, pediu a inclusão de foragidos acusados de participarem dos atos golpistas de 8 de janeiro do ano pretérito na lista de divulgação vermelha da Interpol.
A solicitação foi feita depois reportagem do UOL mostrar que ao menos dez militantes bolsonaristas condenados ou investigados por participarem dos ataques às sedes dos três Poderes quebraram suas tornozeleiras eletrônicas e fugiram do Brasil.
A Interpol é a Organização Internacional de Polícia Criminal, e a divulgação vermelha é a lista que reúne foragidos da Justiça em várias nações.
Em oito manifestações, Gonet apontou a urgência de “testificar a emprego da lei penal” ao solicitar a inclusão na lista. Os pedidos foram feitos em processos relatados pelo ministro Alexandre de Moraes.
Sete foragidos já estão condenados

Atos golpistas em 8 de janeiro de 2023: seis dos dez foragidos, incluídos na lista da Interpol, são mulheres, com idade média de 50 anos. Foto: Reprodução
A reportagem identificou que sete dos fugitivos já foram condenados pelo STF (Supremo Tribunal Federalista) a mais de dez anos de prisão por participarem de tentativa de golpe de Estado no 8 de janeiro.
Seis dos dez fugitivos são mulheres, e a maioria é de estados do Sul (PR e SC) e do Sudeste (SP e MG). A idade média deles é de 50 anos.
Ao menos um dos fugitivos afirma ter pedido asilo político à Argentina. As assessorias dos ministérios do Interno e das Relações Exteriores argentinos disseram ao UOL que não revelariam quem entrou no país ou quem pediu asilo por se tratarem de dados pessoais.
Pelas leis brasileiras, a devastação da tornozeleira e a fuga não aumentam a punição, mas o fugitivo perde o recta ao regime simples e volta ao semiaberto ou fechado. Por outro lado, facilitar a fuga é transgressão punível com seis meses a dois anos de detenção.
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