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Pesquisadoras batizam de Tietasaura fóssil da Bahia

Voz do Sertão
Redação: Voz do Sertão 22/04/2024 às 07:55 · Atualizado há 1 semana

Por Jéssica Maes

(Folhapress) — Depois de passar mais de um século perdido em meio às estantes do Museu de História Oriundo de Londres, um dinossauro inventiva na Bahia foi batizado de Tietasaura derbyiana por paleontólogas brasileiras. O nome é uma homenagem à protagonista de “Tieta do Áspero”, livro do baiano Jorge Estremecido que foi adequado para TV e cinema.

Os ossos do dinossauro, que são os primeiros a serem descobertos na América do Sul, foram localizados na região do Recôncavo Baiano entre 1859 e 1906, mas só agora foram analisados e descritos porquê uma novidade espécie. O inventiva foi publicado na revista científica Historical Biology, no último dia 11.

A Tietasaura representa o primeiro vestígio ósseo de um bicho do grupo ornitísquio já encontrado no Brasil —até logo, os únicos registros no país desse tipo de dinossauro eram pegadas. O grupo é formado por herbívoros que têm o tromba em formato de ponta, porquê o triceratops e o estegossauro.

Ou por outra, os fósseis são de um dinossauro relativamente pequeno, medindo murado de dois metros de comprimento —porquê foram analisados unicamente pedaços do fêmur, ainda não é verosímil saber se o réplica era um adulto ou não. Por habitar uma espaço em que havia predadores muito maiores, provavelmente vivia em bandos.

A Tietasaura viveu há murado de 130 milhões de anos, no início do período Cretáceo. Na era, a América do Sul e a África estavam começando a se separar e estima-se que a região do Recôncavo Baiano era formada por praias de rios que, eventualmente, poderiam ser invadidos pela chuva do mar que avançava pouco a pouco sobre o continente.

Tietasaura: pesquisadoras da UERJ coordenaram trabalho

O trabalho foi coordenado por Valéria Gallo e Kamila Bandeira, pesquisadoras do Instituto de Biologia Roberto Alcântara Gomes (Ibrag) da UERJ (Universidade Estadual do Rio de Janeiro), em parceria com profissionais de outras instituições nacionais, porquê o Museu de Zoologia da USP e o Museu Vernáculo.

“Tieta é uma abreviatura de Antonieta, que significa ‘inestimável’. Logo, [o nome] faz essa referência ao valor inestimável dessa espécie novidade”, conta Bandeira, que é fã de Jorge Estremecido. Ela diz que a referência à personagem também faz uma farra com a história do material estudado.

“A Tieta cresce numa cidade tradicional, sai de vivenda e volta trazendo grandes novidades ali para a região. E esse material não deixa de ser isso: ele saiu [de sua terra natal], foi considerado perdido e quando retornou trouxe todo esse reboliço e essas boas novas para a paleontologia”, explica a pesquisadora.

Pedaço do fêmur do dinossauro Tietasaura derbyiana encontrado no século 19 e descrito por pesquisadoras brasileiras - Kamila Bandeira/Divulgação

Pedaço do fêmur do dinossauro Tietasaura derbyiana encontrado no século 19 e descrito por pesquisadoras brasileiras (Kamila Bandeira/Divulgação)

O nome escolhido homenageia, ainda, um dos naturalistas responsáveis pelas expedições que encontraram os fósseis da Tietasaura derbyiana: Orville Derby, fundador do Serviço Geológico do Brasil e pioneiro da paleontologia no país.

Bandeira ficou sabendo da existência dos fósseis em uma visitante de pesquisa ao Museu de História Oriundo de Londres. A observador diz crer que os materiais ficaram esquecidos por tanto tempo por um misto de desinteresse internacional e falta de informação.

“Para os estrangeiros não importava tanto esse material tão fragmentário e que nem era deles. E cá no Brasil a gente não tinha, talvez, uma comunidade tão muito estabelecida, com recursos para ir para fora do país estimar onde estavam esses materiais”, afirma ela.

Reconstrução do paleoambiente hipotético da Bacia do Recôncavo durante o período Cretáceo Inferior, com a espécie Tietasaura derbyiana (à esquerda, em meio a arbustos e um tronco caido) retratada em meio a outros dinossauros - Matheus Gadelha/Divulgação

Reconstrução do paleoambiente hipotético da Bacia do Recôncavo durante o período Cretáceo Subordinado, com a espécie Tietasaura derbyiana (à esquerda, em meio a arbustos e um tronco caido) retratada em meio a outros dinossauros (Matheus Gadelha/Divulgação)

Além da Tietasaura, a equipe analisou mais fósseis encontrados durante essas expedições e foi verosímil identificar a presença de outros cinco grupos de dinossauros na região.

“[Essa descoberta] enriquece a nossa paleofauna, porque é o registro de um grupo que até logo a gente não tinha cá”, afirma. “A fauna dessa era da Bahia é pouco conhecida. Também estamos falando de uma fita de tempo, da transição do Jurássico para o Cretáceo, que globalmente é muito pouco conhecida.”

Bandeira ressalta que o inventiva tem, ainda, uma valia histórica. “São materiais que foram coletados no surgimento das ciências naturais cá na América do Sul. Enquanto em várias coleções do mundo esses primeiros exemplares são perdidos —porquê esses também estiveram, por muito tempo—, cá eles foram recuperados e estão salvaguardados em um museu”, diz.

“As pessoas acham que só se perde material [científico] cá [no Brasil]. Pelo contrário, tem muito material velho que foi coletado na América do Sul porquê um todo, foi levado pela Europa e não se tem teoria de onde está. Esse dinossauro era um deles, mas felizmente foi reencontrado”, comemora.

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