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Paul McCartney transforma Clube do Choro, em Brasília, no Cavern Club

Voz do Sertão
Redação: Voz do Sertão 29/11/2023 às 06:13 · Atualizado há 1 dia
Paul McCartney transforma Clube do Choro, em Brasília, no Cavern Club
Foto: Reprodução / Arquivo

Por Pedro Peduzzi – Escritório Brasil 

Murado de 500 pessoas tiveram o privilégio de viver uma situação inusitada em Brasília: observar a um show intimista de Paul McCartney em um envolvente que muito lembrava a Cavern Club – onde foram feitas as primeiras apresentações dos Beatles, ainda nos anos 60, em Liverpool. Paul e alguns poucos integrantes que o acompanham na turnê Got Back pelo Brasil tocaram, nesta terça-feira (28), no também lendário Clube do Pranto, em Brasília.

O show foi um presente surpresa oferecido à população do Província Federalista. Um primeiro lote foi vendido a R$ 200 pela empresa promotora. Outras poucas dezenas foram distribuídas gratuitamente a alguns sortudos que foram ao lugar unicamente movidos pela esperança de ver aquele que, para muitos, foi o mais histórico de todos os shows já realizados na capital federalista.

“Histórico e inesperado”, complementa Ellen Pozzebom. As sandálias havaianas que a servidora pública tinha nos pés serviam de prova do quão imprevisível foi o presente recebido. “Eu estava no salão quando soube dessa apresentação. Resolvi vir, em um rolê completamente aleatório, e acabei sendo presenteada com um show intimista do Paul. E de perdão! Foi a maior sorte de toda a minha vida”, comemorava ela ao deixar o Clube do Pranto.

Segundo a servidora pública, a apresentação foi um “megashow em formato suave”, com muita interação entre o músico e a plateia e com uma acústica bastante diferenciada das grandes apresentações.

CONEXÃO
O músico Diogo Vanelli deixou o lugar com a certeza de que era um privilegiado por ter visto o ídolo em um envolvente tão brasiliense. “Vi uma conexão clara entre o Clube do Pranto e o Cavern Club, onde ele e os Beatles iniciaram a curso. Parecia que eu o estava recebendo em minha mansão”.

Sensação parecida teve o profissional de eventos e compositor Adalberto Rabello. “Estava clara uma mistura de universos entre Cavern Club e Clube do Pranto. E foi muito interessante ver ele sem a estrutura dos grandes shows”, disse à Escritório Brasil.

Paul Mc Cartney toca no Clube do Pranto, em Brasília – Foto: MPL Communications

E a escolha pelo lugar não foi ao eventualidade. Com um show já marcado para a próxima quinta-feira (30) na Redondel BRB, um estádio digno de estrelas do rock – onde ele próprio já tocou, em 2014 – McCartney ficou sabendo da tradição do Clube do Pranto. Consciente da preço do lugar na cena músico da cidade, decidiu premiar o espaço, transformando-o em um pub inglês por uma noite.

Para a profissional de iluminação de palco Mariana Brandão, a sensação foi a de estar em um show dos anos 70, em um envolvente “espaçoso e aprazível”. “Nem em sonho eu imaginava isso. Cheguei em cima da hora e consegui me posicionar extremamente perto de um beatle. Aliás, todos ficaram perto e conectados a ele, que estava muito comunicativo. Fiquei muito emocionada por me sentir representando um grande número de pessoas amadas que amam os Beatles”, acrescentou.

A DOIS METROS DE DISTÂNCIA
Uma das pessoas que ficaram mais próximas do músico foi a advogada Lorena Paiva, 32. “Estava a dois metros dele. Uma vez que meço unicamente 1,47m, nunca vi um show tão de perto. E isso aconteceu logo no show de um mega-astro uma vez que o Paul. Uma vez que sou uma pessoa muito atenta ao visual, pude observar detalhes mínimos, uma vez que a barba muito feita dele; a cor clara dos olhos dos músicos e a linguagem corporal de uma pessoa amigável e amorosa, de muito carisma e simpatia”.

A sensação de proximidade e intimidade estava presente em todos que falaram à Escritório Brasil na saída da apresentação. Até mesmo aqueles que chegaram quando o beatle já cantava a terceira música, uma vez que foi o caso de Lucas Superior. “Não havia quem não estivesse muito posicionado para observar a esse show”.

“SHOW DE BOLA”
A proximidade entre público e artista era mais do que física, segundo ele. “Houve muita interação com a plateia. Diria até intimidade, com ele dizendo em bom português ‘show de globo’ posteriormente a cantoria universal durante a música Ob-La-Di, Ob-La-Da”.

Mesmo com uma vértebra fraturada e aos 79 anos, Elza Coelho fez questão de ir ao show. Professora aposentada da Escola Americana de Brasília, ela foi a primeira pessoa a deixar o Clube do Pranto. “Melhor evitar muito contato com a poviléu na hora da saída”, justificou.

A experiência representou, para ela, reviver a juventude, quando conheceu os Beatles por meio dos programas de rádio. “Eles foram um choque de novidades para a minha geração. E ouvir ele tão de perto fazendo tantas declarações de paixão em português foi um pouco muito próprio. Foi delicioso ouvir, nesse contexto, a minha predileta: Lady Madonna”.

ÁREA EXTERNA
Do lado de fora da mansão de shows, murado de uma centena de pessoas puderam escutar, ainda que de forma abafada, o som que ecoava do interno do Clube do Pranto.

“A sensação de frustração por não estar lá dentro acabou sendo aliviada pelo indumentária de poder ouvir as músicas daqui do gramado, nesse lugar tão pleno de significados para Brasília e, particularmente, para mim, porque sempre venho no Clube do Pranto”, disse o servidor público Luciano Maduro, 50.

Apesar de também não ter conseguido um dos ingressos extras distribuídos gratuitamente pela produção, o músico Jorge Brasil, do Duo Mandrágora, reconheceu tal iniciativa uma vez que uma das muitas que demonstram a simpatia de Paul McCartney.

“O formato desse show é mais uma prova de que Paul é, de indumentária, uma pessoa espetacular. Deve ser a melhor coisa do mundo tê-lo uma vez que companheiro”, concluiu.

 

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