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Ogun e as tecnologias - ICL Notícias

Voz do Sertão
Redação: Voz do Sertão 21/12/2023 às 21:38 · Atualizado há 20 horas
Ogun e as tecnologias - ICL Notícias
Foto: Reprodução / Arquivo

Quando as pessoas pensam neste orixá, Ogun, imediatamente elas remetem a características da belicosidade, ou seja, só o identificam uma vez que o guerreiro, senhor de lutas e conquistas a partir da guerra.

Ogun é o senhor da tecnologia, da metalurgia, senhor dos minerais, o que abre picadas onde se pensa ser impossível transpor.

Ele é aquele senhor dos caminhos prósperos (Olonan Ola), ferreiro do universo (Alabedé Orun) que cria as ferramentas para ajudar a humanidade nas suas tarefas diárias, lhes ofertando aparatos e objetos que irão facilitar o cultivo da terreno, muito uma vez que possibilitar que os seres humanos usem de suas tecnologias nos territórios inóspitos, desbravando e facilitando suas vidas.

Ogun também é um caçador da família dos Odé (caçador), aquele que traz a caça não predatória junto com seu irmão Oxoce para prover o seu povo.

Orixá que é justo e protetor dos seus territórios, muito uma vez que de seus cultuadores. Ogun é desprovido de vaidades, orixá do mato e das estradas, aquele que não tem roupa, sua roupa é a nervura da palma do dendê (mariwo).

Tem um salmo que expressa exatamente esta forma de ser de Ogun.

“Ogun co laxó, mariwo ola axó ogun o, mariwo”

Ogun não tem roupa, o mariwo é a prosperidade e a roupa de Ogun

Quando filhos de Ogun vêem um trem apitando e correndo sobre os trilhos, eles saudam Ogun, pois os trens são a representação do transir de movimentos e tecnologias, levando dinâmica e desenvolvimento tecnológico para outras paragens, além de seus trilhos serem de um metal que Ogun é o senhor, o ferro.

O seu caráter muitas das vezes irascível, é em função deste Orixá não suportar mentiras, injustiças e traições. Ogun não poupa quem tem meandro de caráter, ele se mostra uma potestade sem dó, nem piedade castigando os violadores destes códigos fundamentais a ele.

Contam que Ogun é um Orixá extremamente protetor dos seus, e todo o mundo sabia deste seu paisagem, portanto, ninguém se ousava a duvidar do seu jeito de proteger o seu povo e os seus territórios.

Mas havia um outro povo que não tinha consciência da força de Ogun, e muito menos da relação de proteção para com sua comunidade.

Ogun teve que fazer uma viagem, e teria que passar alguns dias fora, e assim ele o fez. O povo que estava ao volta de suas cidade ao vê-lo transpor, se aproveitou e conquistou o seu povo.

Quando Ogun voltou, se deparou com a situação em que se encontrava o seu povo, vivendo submetidos aos conquistadores.

Ogun não mediu esforços, bradou cocuruto uma vez que um leopardo e avançou com seu facão (Adá) em riste, derrubando os seus inimigos e os conquistando.

Um unico varão que conquistou e venceu mais de centena.

Os conquistados por Ogun, tentaram lhe expor que não sabiam que ali era suas terras, pois não tinha nenhum sinal que identificasse uma vez que sendo seu território. Ogun não aceitou muito muito a justificativa, mas tirou o mariwo de seu corpo e pôs nas portas de todas as casas, sinalizando que alí era território dele e não deveria ser incomodado.

Por isso, em várias comunidade de matriz africana (candomblé), as nervuras de mariwo, estão sobre portas e janelas, informando que é um território de Ogun, e portanto não devem ser violadas.

Os artesãos, ferreiros, cirurgiões, agricultores, açougueiros e outros profissionais que utilizam de ferramentas que ajudam no desenvolvimento tecnológicos da humanidade, muito uma vez que materiais cortantes, a principio são adeptos e cultuadores de Ogun, pois Ogun é para o mundo.

As estradas e vias, que levam o varão para as trocas e inter-relações sociais entre territórios, levando e trazendo tecnologias, são estradas do desenvolvimento possibilitado em Ogun.

Ogun é aquele que sempre vem a frente (Asiwaju), com seu facão desbravador trazendo sempre boas novas. Pois esta função de senhor que sempre está frente, foi uma mandamento de Olorun (Deus), que ele viria a frente abrindo o trajeto para que outros orixás pudessem chegar a terreno e orientar e cuidar da humanidade.

Ogun Ie, Mo Ie

Ogun vive, eu vivo!

 

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