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O Holocausto justifica um novo Holocausto?

Voz do Sertão
Redação: Voz do Sertão 22/02/2024 às 16:50 · Atualizado há 3 dias

O país foi sacudido nos últimos dias por uma série de declarações em resposta à conferência feita por Lula acerca do Sacrifício palestino, comparando-o com o Sacrifício judeu na Segunda Grande Guerra. Lula foi corajoso e oportuno, assumindo a postura de líder dos países oprimidos, defendendo uma ordem mundial mais justa. Mas levante tema é sensível por várias razões. Primeiro, que se diga logo de início, o que aconteceu com os judeus na Europa durante a guerra foi realmente odioso e indesculpável. No entanto, a construção do Sacrifício porquê evento único na história é duvidosa.

A construção de guetos para cidadãos de segunda categoria, roubo de propriedade e massacres indiscriminados, porquê aconteceu com os judeus, acontecem, obviamente, do mesmo modo e pelas mesmas razões com os palestinos hoje. A conferência é, portanto, perfeita.  O que é dissemelhante? A quantidade de gente oprimida? Ora, os russos perderam 22 milhões de vidas na Segunda Guerra Mundial, sendo massacrados pelos nazistas precisamente porquê “raça subalterno eslava”, do mesmo modo que os judeus. A ordem era “limpar a terreno” para futuros assentamentos nazistas. Aliás, não por possibilidade o mesmo interesse de Israel no genocídio atual dos palestinos. Levante talvez tenha sido “quantitativamente” o maior genocídio da história, a imensa maioria de civis inocentes.

Mas o mundo esqueceu o que aconteceu com os russos. Uma pesquisa feita na França no calor dos acontecimentos, logo depois da guerra, mostrava que, para 80% da população, a União soviética era percebida porquê a principal responsável pela vitória na guerra. Cinquenta anos depois, a mesma pesquisa mostrava a mesma proporção, agora em obséquio dos americanos. O efeito do bombardeio de propaganda e filmes de Hollywood, durante 50 anos, recontando do ponto de vista americano a guerra, explica a mudança.

Talvez seja o caso dos judeus. Uma máquina de propaganda montada com muito numerário e entrada aos mesmos meios de filtração e convencimento dos americanos foi construída depois da guerra para que se elegesse o Sacrifício judeu porquê vestimenta único de modo a marcá-lo eternamente porquê “povo perseguido”.

Pior, a propaganda seletiva serve para que as ações do Estado de Israel, mesmo que indefensáveis, sejam vistas para toda a perpetuidade porquê “ressarcimento” para o sofrimento na Segunda Guerra. Uma vez que o grande pensador palestino Edward Said defendia, a culpa em relação aos judeus e seu massacre é, precisamente, o elemento que justifica o Sacrifício palestino. A comunidade internacional concedeu licença de matar sem temer consequências aos israelenses. Assim porquê o agente 007 do cinema, o Estado judeu tem permissão para matar indiscriminadamente, porque os judeus foram vítimas de massacres indiscriminados. Apesar de contra-senso, levante é o nó górdio da questão.

Qualquer sátira, mesmo de judeus conscientes, porquê Noam Chomsky e tantos outros, é vista porquê antissemitismo, associando implicitamente qualquer crítico aos nazistas. Hannah Arendt foi das primeiras a sentir o que se espera de quem critique não só Israel, mas as elites judaicas que controlam boa segmento da riqueza e dos meios de notícia de massas no mundo todo. Chomsky sempre chamou a atenção para os muitos massacres de Israel ignorados na prensa americana.

Por vínculos de amizade e de interesse generalidade se produz uma pronunciação de todas as elites mundiais, seja metropolitana, seja periférica, quando o tema é Israel. Isso explica também a reação da prensa brasileira. Uma vez que a prensa é a boca da escol, a seletividade de tratamento a judeus e palestinos se explica pela comunidade entre os interesses elitistas em todo lugar articulados entre si porquê que se fosse por música. A denunciação pronta de antissemitismo é a arma para que se pratique um genocídio covarde e indesculpável. É para isso, antes de tudo, que ele serve.

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