Foto recriada de Lima Barreto sorrindo / Adriano Moreira
“Um sorriso preto/ Um amplexo preto… traz felicidade”
(Dona Ivone Lara)
Findamos hoje, neste 30 de novembro, o famoso “Mês da Consciência Negra” e quero ver a risada com paladar de todo mundo que não vi sorrir… em fotos, em filmes, na imaginação de uma país que acreditou piamente na máxima do Tim Maia de que “na vida a gente tem que entender que uns nascem pra suportar, enquanto o outro ri”.
Antecipando, sei a história da letra desta música e ela não vem ao caso agora, não está relacionada com o nosso estado de coisas histórico, mas esta frase pode facilmente ser usada uma vez que metáfora de uma certa gente que não só criou riquezas subindo nas costas e bebendo o sangue de outros, uma vez que convencendo estes “outros” de que esta é a ordem procedente das coisas. Não é.
Se determinar permanecer neste texto, saiba que neste ponto ele azeda, depois piora e por termo melhora, pois foram mais 30 dias das nossas vidas em que vimos o costumeiro desfile de clichês (pró e contra), muito oba-oba para conseguir engajamento e blá, blá, blá… O pouco excitação desta colunista não é por conta da data em si – muito necessária, pois é luta do movimento preto de mais de duas décadas para pensar, por fim, um país em outras bases para a maioria que na idade nem se via assim – mas porque em meio a tantos lugares comuns, em meio a tantas pautas, me falta ver uma procura visceral pelo inegociável recta à felicidade.
Para ser extremamente justa, há anos os movimentos de mulheres negras têm uma vez que lema “Mulheres negras unidas contra o racismo, todas as opressões, violências, e pelo muito viver”. Esta última secção seria exatamente o quê? Estão aí os conceitos de justiça social, muito estar social, etc. Coisas que nem temos espaço suficiente para aprofundar cá, mas que são essenciais para começarmos a pensar sobre uma vida em que não seja procedente “lata d’chuva na cabeça (…) sobe o morro e não se cansa, pela mão leva a moçoilo…”.
Alguém tem incerteza da cor da mulher que leva o peso descomunal no cumeeira do crânio, subindo uma ladeira e ainda conduzindo uma moçoilo pequena pela mão? E notem: mulher negra é tão vista uma vez que alguém que não tem um corpo humano, que a música diz que ela NÃO SE CANSA. Uma vez que?!
O indumentária inegável e chocante é que em pleno mês de novembro de 2023, ainda não nos vemos na maioria dos espaços poderosos que de indumentária decidem os rumos do lugar em que vivemos, das vidas que cá habitam e das quais somos maioria. Não somos sequer cogitadas e cogitados. Ainda acham que subimos a ladeira e não nos cansamos.
Para além da letra da lei, tem a letra das nossas cabeças. O Brasil precisaria desejar com a espírito todos os seus cidadãos e todas as suas cidadãs mais vezes sorrindo. É leste vasca por vida plena democratizada que força a emprego e efetividade da legislação, das políticas, enfim…
O sofrimento está aí, faz secção das caminhadas, não deve e não pode ser ignorado, mas principalmente não pode ser a limite das existências. O que vemos nas redes sociais e no noticiário é um vício, um paladar mórbido pela dor de qualquer pessoa, mas quando esta pessoa não é branca, tudo é saliente exponencialmente. Estão aí os realities shows e a hard news que não deixam mentir.
A foto que ilustra leste texto foi criada pelo fotógrafo, editor de áudio, cinema e música, Adriano Moreira. Ele usou I.A (Lucidez Sintético) e Photoshop na famosa imagem do redactor Lima Barreto, quando estava internado uma vez que doente mental. Os estudiosos revelam que o Lima detestava aquela foto. Um rosto e uma frase que, para quem tem olhos de ver, estampam toda a dor, todo o sofrimento da vida de alguém simplesmente resplandecente, genial, letrado, perspicaz…, mas que se foi olhado com pouca honra pelos do seu tempo. Sobrepuseram suas dores à sua alegria.
Não precisa ir muito longe no que Lima Barreto escreveu para ver que sim, ele era crítico, duro e ácido com o que (e com quem) entendia uma vez que erro, mas é fácil notar o cumeeira proporção de humor, ironia, deboche, lucidez, coragem e LUCIDEZ daquele varão. Cá, no elástico do tempo, enfim alguma justiça na venustidade de um sorriso preto que traz felicidade.
Ninguém nasceu para suportar enquanto o outro ri. Esta não é a ordem procedente das coisas. Não é e não será.