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Moradores de bairros ameaçados em Maceió acusam Braskem de racismo ambiental

Voz do Sertão
Redação: Voz do Sertão 01/12/2023 às 15:43 · Atualizado há 1 dia

Moradores que vivem nos bairros próximos às minas de sal-gema da Braskem denunciam que têm sofrido racismo ambiental. Segundo eles, a mineradora e as autoridades públicas de Maceió e do governo de Alagoas estão preocupadas exclusivamente em excretar a região, mas sem prometer a solução do problema para a população.

“A comunidade dos Flexais não aceita o racismo ambiental que tem sofrido. Desligaram a chuva, a população vive numa mortificação gigante com um transgressão que a Braskem cometeu cá. Hoje, decidiram fechar todas as vias de Bebedouro. Não passa mais zero”, reclama o morador Maurício Sarmento.

Segundo ele, os moradores dos Flexais, das partes de cima e de reles, ficaram isolados depois da evacuação obrigatória dos bairros vizinhos. Flexais, que até portanto não era considerada extensão de risco, fica ao lado de Bebedouro, região histórica e, atualmente, considerada uma região fantasma.

“O que aconteceu cá não foi acidente, foi transgressão. E o transgressão da Braskem tem que ser punido porquê tal. Não aceitamos ir para abrigos públicos. Queremos trespassar daqui com pundonor e com indenização justa”, avisa Sarmento. “Prefeitura de Maceió, Resguardo Social, Ministério Público: não aceitamos a quesito de racismo ambiental imposta a nós”, acrescenta.

 

Hoje, a Companhia de Provisão D’Chuva e Saneamento de Alagoas (Parelha) emitiu transmitido informando que 15 bairros tiveram o fornecimento de chuva interrompido por conta do risco de desabamento de uma mina da Braskem.

Por conta da situação em Maceió, foi decretado estado de emergência na cidade por 180 dias. A extensão mais afetada foi desocupada por ordem da Justiça e a circulação de embarcações da população está restrita na região da Lagoa Mundaú, no bairro do Mutange, na capital.

EXPLORAÇÃO

Por justificação da exploração mineral subterrânea realizada na extensão, vários bairros tiveram que ser esvaziados em 2018. Rachaduras surgiram nos imóveis da região, seguido de um tremor de terreno, criando elevado risco de soçobro. Mais de 55 milénio pessoas tiveram que deixar as casas e, muitas, ainda esperavam ser indenizadas pela saída à força.

A situação dramática em Maceió rendeu ao caso o sobrenome de “Chernobyl Alagoana”, em referência ao acidente nuclear na cidade de Chernobyl, no setentrião da Ucrânia, em abril de 1986, quando a região ainda fazia secção da União Soviética.

Recentemente, a Braskem foi condenada pela Justiça a indenizar o estado de Alagoas por danos causados pela exploração de sal-gema. O sal-gema é uma matéria-prima usada na indústria para obtenção de produtos porquê cloro, ácido clorídrico, soda cáustica e bicarbonato de sódio.

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