Apesar de tratar de um tema sítio em outros momentos, a resguardo da atuação do padre Julio Lancellotti ganhou peso vernáculo no dia 03/01. Entre as menções à verosímil exórdio de uma CPI contra o religioso, 97,5% faziam duras críticas contra Rubinho Nunes – o responsável pelo pedido da percentagem. Em resguardo do ex-MBL, exclusivamente publicações de suas próprias redes oficiais se destacavam. Não há qualquer sinal nas redes sociais de que o “buzz” gerado pelo tema tenha produzido qualquer tipo de impacto positivo para o vereador.
Entre atores não-polarizados, evidente “incômodo” com a inércia de outros atores importantes da igreja católica no Brasil: “ei @pefabiodemelo uma vez que vc não usa sua glória para proteger o Padre Julio?” (973 milénio views). O religioso viria a se manifestar exclusivamente no dia 04/01 (768 milénio views).
O tema demorou a lucrar o mesmo destaque na prelo, apesar do engajamento de atores centrais no debate público e político nas redes sociais. Porém, ao despertar o interesse da prelo, o tema recebeu ampla cobertura de portais uma vez que UOL, Orbe, Folha, CNN, entre outros – diferentemente da taxa bolsonarista na semana, que tentava pautar o debate sobre Choquei | Mynd8. Esse movimento gerou incômodo entre atores centrais da oposição: “Não existe 1 único veículo de mídia do consórcio falando do escândalo Choquei/Mynd8.” (236 milénio views), reclamou Kim Paim em seu X (idoso Twitter).
Em generalidade, o engajamento da prelo com o tema destaca a mobilização em resguardo do padre e expõe vereadores que assinaram requerimento para a instalação de CPI na Câmara de SP. Entre usuários que abordaram o tema, os termos mais registrados entre as bios analisadas foram LULA, ESQUERDA, PETISTA, JORNALISTA, POLÍTICA, VIDA, DEUS, DEMOCRACIA, PROFESSORA e JORNALISTA. A presença deste último é necessário para entender o incômodo bolsonarista com a repercussão do tema na prelo, reforçando assim o buzz gerado pelo debate.
Esse cenário nos permite levantar uma hipótese para os próximos dias, onde o bolsonarismo muito provavelmente irá voltar suas armas contra o padre e o tema que, na disputa da semana, saiu vitorioso ao engajar um maior volume de agrupamentos para além da polarização. Roupa é que, mais uma vez, o bolsonarismo não consegue pautar o debate público a partir de um tema que tenha escolhido.