O governo Tarcísio de Freitas (Republicanos), de São Paulo, deverá reintegrar um candidato que foi barrado da prestação racial por não ser considerado pardo em um concurso público. A medida foi determinada pela Justiça paulista.
O candidato é professor de Biologia e disputou no ano pretérito um processo seletivo com o objetivo de ser contratado para atuar no ensino público paulista. O docente optou por concorrer pelo sistema de cotas raciais.
A percentagem de heteroidentificação, no entanto, eliminou o candidato do concurso por considerar falsa a autodeclaração. A informação é da Folha de São Paulo.
Justiça

Governo de São Paulo recorreu da decisão (Rafa Neddermeyer/Filial Brasil)
O professor, no processo sincero na Justiça, alegou que a decisão é totalmente contrária à veras dos fatos. Segundo ele, a avaliação foi feita de modo telepresencial.
“O responsável do processo não seria considerado socialmente porquê uma pessoa branca… Ele não é uma pessoa branca, e agiu com boa-fé em todas as etapas do concurso”, afirmou à Justiça o jurista Luiz Carlos Paranhos, que o representa.
A juíza Nandra da Silva Machado informou na sentença que as fotografias anexadas ao processo comprovam que o professor possui características de fenótipo pardo. “É equivocado o ato administrativo que o excluiu do torneio”, afirmou.
O governo de São Paulo recorreu da decisão alegando que não há nenhuma prova cabal que indique ter havido erro na decisão da percentagem. Segundo o governo, a percentagem fez uma avaliação minuciosa, e que a decisão deve ser respeitada.
O estado de São Paulo defendeu ainda no processo que a independência da decisão administrativa seja respeitada, “não podendo a Justiça adentrar no valor, sob pena de violação da separação dos poderes”. O recurso ainda não foi julgado.