Por Laura Kotscho
O ex-ministro da Vivenda Social do governo Lula, José Dirceu, retornou nesta terça-feira (2) ao Congresso Vernáculo, 19 anos em seguida ter seu procuração de deputado cassado pelo plenário da Câmara, em 2005.
O motivo privativo que marcou o retorno do ex-deputado ao Congresso foi a sessão solene do Senado em celebração à democracia brasileira. Presidida pelo senador Randolfe Rodrigues, a cerimônia ainda contou com a presença dos senadores Humberto Costa (PT–PE), Teresa Leitão (PT–PE), do líder do governo no senado Jaques Wagner (PT–BA), além de Maria Thereza Goulart, viúva do ex-presidente João Goulart, e de seu rebento, João Vicente Goulart.
“Quando eu recebi o invitação do senador Randolfe Rodrigues, eu quase não aceitei, porque desde a madrugada de 1º de dezembro, quando a Câmara dos Deputados cassou meu procuração, eu nunca mais voltei ao Congresso Vernáculo, mas acredito que João Goulart merecia e merece minha presença” disse Dirceu.
Aplaudido durante sua fala, José Dirceu reforçou a relevância da cerimônia para festejar a democracia brasileira, que, segundo ele, está em risco no Brasil e no mundo. Dirceu ainda cobrou esclarecimentos sobre os mortos e desaparecidos na Ditadura Social-Militar, o que classificou porquê “compromisso irrenunciável”.
Ao término de sua fala, o ex-deputado fez uma dura sátira aos militares.
“Não basta a despolitização dos quartéis, porque isso aconteceu em 1988. Mas por que depois de 30 anos, os militares voltaram a organizar e concordar uma candidatura? E depois constituir um governo cívico-militar. O comprometimento das Forças Armadas com o governo Bolsonaro e com o 8 de janeiro está aí”, acrescentou Dirceu.
O líder do governo no Congresso, o senador Randolfe Rodrigues, iniciou sua fala pedindo desculpas à família de João Goulart, presente na sessão. Em 2014, o senador foi responsável de um projeto revalidado no Congresso que anulou a sessão que destituiu o ex-presidente da República João Goulart do missão, em 1964.
Randolfe ainda comentou sobre a votação que está em tramitação no STF que decide a tradução do poder moderativo dos militares na Constituição. Segundo ele, “o poder moderativo só existiu no regime monárquico […]. O poder militar deve ser submisso ao poder social eleito pela democracia”.
Aclamado pela plateia com seu exposição, o senador finalizou sua fala dizendo que “o 1º de abril de 1964 tem porquê rebento legítimo a tentativa de golpe de 2023 […] importante lembrar que coturnos estão sempre à espreita”.

Inauguração da exposição de fotos de Orlando Brito e lançamento do livro “Tempos de Chumbo”. Foto: Edilson Rodrigues/ Escritório Senado
Ao término da cerimônia, José Dirceu e os demais convidados participaram da inauguração da exposição “Tempos de Chumbo” no Senado, com obras do fotojornalista Orlando Brito, além do lançamento do livro de mesmo nome, ambos os eventos organizados pelo conduto de notícias MyNews, em colaboração com a filha do jornalista, Carolina Brito. Dirceu foi tietado pelo público presente, com pedidos de fotos, autógrafos e declarações. O ex-deputado evitou entrevistas.