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Governador de Santa Catarina desinforma sobre RS

Voz do Sertão
Redação: Voz do Sertão 09/05/2024 às 18:55 · Atualizado há 7 horas

Amanda Miranda – Newsletter Passando a Limpo

A Dependência Pátrio de Transportes Terrestres (ANTT) já havia desmentido o efeito viral de notícias falsas que diziam que o governo federalista estava retendo caminhões com ajuda humanitária ao Rio Grande do Sul quando o governador de Santa Catarina, Jorginho Mello (PL), postou um vídeo reacendendo o factóide. Com mais de 80 milénio likes no Instagram e mais de 33 milénio curtidas no X, o vídeo começava com o texto “Não é Fake News” e obrigou o diretor da ANTT, Rafael Vitale, a fazer novo desmentido explicando que exclusivamente 6 caminhões foram notificados por excesso de peso em um posto de Araranguá, no Sul do Estado, e que nenhuma multa seria aplicada por isso.

O governador bolsonarista gravou o vídeo ao lado de um servidor comissionado da Resguardo Social, que reiterou o oração e, em suas redes, fez postagem no qual anexou um documento que mostrava o registro do excesso de peso. Também nas suas redes ele mostrava que a fardo humanitária havia chegado ao seu direcção: ou seja, não houve retenção de mantimentos doados nas rodovias, tal qual divulgava a ANTT.

O dispêndio da postagem desinformativa de Jorginho Mello é imponderável, pois o vídeo consumiu mão de obra da equipe de notícia: roteiro, captação e edição; de redes sociais, com legendagem e distribuição do teor, além de dispender tempo de agenda do próprio governador, que poderia estar se ocupando de compromissos e pautas de interesse público em um momento de crise.

Mas se não é verosímil precisar quanto custou o vídeo que alimentou a rede de desinformação, é verosímil confrontar os gastos do seu governo em Notícia, pasta estratégica para a militância bolsonarista, e Meio Envolvente, cerne da emergência climática que desencadeou a tragédia no Rio Grande do Sul.

Segundo o Portal da Transparência, a Secretaria de Notícia tem R$ 161.560.000 de orçamento para 2024, enquanto a de Meio-Envolvente e Economia Verdejante R$ 20.356.967,09. Se somar a verba disponibilizada ao Instituto de Meio-Envolvente (IMA), que é o órgão ambiental de fiscalização e licenciamento, o valor aumenta: são mais R$ 173.703.100,1 em recursos. Ainda assim, há desproporções: enquanto a notícia tem mais de R$ 138 milhões só para a “notícia do poder executivo”, onde estão as agências, produtoras e empresas de mídia, o IMA opera com muro de R$ 68 milhões para fiscalização, escora, ensino ambiental e promoção de eventos.

Doações estão chegando ao RS

Vídeo do governador viralizou

Para se ter uma teoria, a Notícia investe muro de R$ 120 milhões em publicidade e nos veículos locais de prensa, com alguns contratos ultrapassando meio milhão de reais – uma vez que no caso da JL Produções de Vídeo e Filmagens, com R$590 milénio liquidados. Empresas de mídia, uma vez que a NSC, grupo afiliado da Rede Mundo, com TV, rádio e portal, também são contratadas. Segundo a transparência, R$ 2.326.818,18 foram pagos a esse CNPJ em 2024.

Por outro lado, a pasta responsável por programas e projetos relacionados à questão ambiental, que é a Secretaria de Meio Envolvente, tem entre seus principais investimentos o escora financeiro aos consórcios dos municípios para controle populacional de cães e gatos, orçado em R$ 5 milhões e o escora a projetos de ensino, estudos e pesquisas na extensão ambiental, com R$ 600 milénio.

O secretário de Meio-Envolvente e Economia Verdejante, deputado federalista licenciado Ricardo Guidi, não parece disputar orçamento para medidas que freiem a emergência climática. Na segunda-feira (6) foi marcado em postagens no Instagram cumprindo agenda político-partidária. Recém filiado ao PL, ele é pré-candidato a prefeito na cidade de Criciúma, polo econômico da região Sul e cidade conhecida por sua vocação carbonífera.

Ainda na quarta-feira, quando o vídeo do governador catarinense começou a viralizar, a newsletter procurou duas pessoas da sua equipe de notícia solicitando documentos que comprovassem autuação, multa ou qualquer retenção de fardo denunciada na postagem. A mensagem não foi respondida e foi feita solicitação via Lei de Chegada a Informação.

 

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