Por Ana Cristina Campos- Dependência Brasil
Estudo de estudo de riscos e vulnerabilidades climáticas do Conjunto de Favelas da Maré, na zona setentrião do Rio de Janeiro, apontou que o multíplice com mais de 140 milénio moradores sofre com três riscos climáticos: ondas de calor, inundações fluviais e aumento do nível do mar.
O diagnóstico foi desenvolvido pela WayCarbon, empresa global que atua em soluções voltadas para a transição justa e resiliente rumo a uma economia de grave carbono, e pela Redes da Maré, instituição da sociedade social que procura qualidade de vida e garantia de direitos para os moradores.
O levantamento tem por objetivo identificar os riscos físicos climáticos aos quais a população do conjunto de favelas está exposta, recomendar ações gerais de adaptação para a comunidade e potencializar a capacidade de mobilização e de obtenção de recursos para intervenções efetivas no território.
Para o trabalho, foi utilizada a plataforma MOVE ®️ – Model of Vulnerability Evaluation, baseada em dados do Pintura Intergovernamental sobre Mudança do Clima (IPCC), iniciativa da Organização das Nações Unidas (ONU).
No caso das ondas de calor, o estudo mostra que o risco é “sobranceiro” ou “muito sobranceiro” em todo território com ocupação residencial da região. Esses riscos estão entre os principais problemas ambientais do século XXI diretamente relacionados ao desenvolvimento populacional e às mudanças climáticas. As ondas de calor, uma vez que exemplo, podem ocasionar não unicamente desconforto, mas danos maiores à saúde, aumentando as taxas de mortalidade, além de acentuarem a demanda energética.
Segundo Melina Amoni, gerente de Risco Climatológico e Adaptação da WayCarbon, o território da Maré tem subida vulnerabilidade climática porque tem uma grande densidade populacional. “Entre as medidas para reduzir o impacto que já existe hoje estão o reflorestamento urbano, um teto verdejante nas casas das comunidades ou um teto pintado de branco. Algumas das ações são simples. A população precisa ser incentivada a tomar essas medidas”.
Maurício Dutra, pesquisador e mobilizador do eixo de direitos humanos da Redes de Maré, lembra que o multíplice de favelas tem pelo menos cinco rios e canais que podem transbordar na quadra de chuva. “A Maré está inserida entre a Risca Vermelha, Risca Amarela e a Avenida Brasil. A qualidade do ar na Maré tem um nível de poluentes muito maior que outros territórios”, acrescentou. “A teoria é conscientizar os moradores dos efeitos das ameaças climáticas”.
Moradores do Multíplice da Maré se refrescam com chuveiros e piscinas improvisadas nas ruas da comunidade. Sensação térmica no Rio de Janeiro voltou a superar os 50 graus Celsius (°C) – Tânia Rêgo/Dependência Brasil
Maré
Nascida entre águas e constituída por 16 favelas, o processo de ocupação da Maré se consolidou a partir da construção da atual Avenida Brasil, em 1946, onde se criou um cinturão industrial. As encostas e as áreas alagadiças existentes, naquele trecho da Baía de Guanabara, e a proximidade do núcleo, tornaram-se condições favoráveis para o surgimento do conjunto de favelas.
A população residente em favelas no Rio de Janeiro vem crescendo de modo contínuo: em 1980 era 14% da população totalidade, em 2010 chegou a 22% (IBGE, 2010) e, seguindo as projeções da ONU, oriente número seguirá aumentando.
O estudo será lançado oficialmente nesta sexta-feira (24) em um evento sincero ao público com o tema Estudo de Riscos, Vulnerabilidades Climáticas, Qualidade do Ar e Identificação de Ilhas de Calor no Conjunto de Favelas da Maré.