O sinistro climatológico no Rio Grande do Sul impactou de alguma forma mais de 2,5 milhões de pessoas e deixou 1,3 milhão de residências em zonas de risco. É o que aponta nota técnica elaborada por pesquisadores do Observatório de Clima e Saúde do Instituto de Informação e Informação Científica e Tecnológica em Saúde (Icict/Fiocruz).
No documento “As inundações no Rio Grande do Sul, seus impactos imediatos e suas possíveis consequências sobre a saúde da população”, os pesquisadores revelam também que as chuvas e enchentes atingiram mais de 3 milénio estabelecimentos de saúde — hospitais, postos de saúde, farmácias e clínicas particulares.
“Tentamos fazer um diagnóstico da situação de saúde e os primeiros impactos. Precisamos entender qual é o nível de desassistência da população e porquê ficou a estrutura de atendimentos de saúde. É preciso pensar que há portadores de doenças crônicas, por exemplo, que precisam de atendimento contínuo, e com problemas de saúde que podem se exacerbar”, explica o pesquisador Diego Xavier.
O mapeamento do sinistro climatológico foi feito com base no intercepção de diversos bancos de dados. Os pesquisadores analisaram as manchas de inundação obtidas por imagens de radar e de satélite e verificaram os estabelecimentos e territórios localizados nessas áreas, usando dados do Cadastro Vernáculo de Estabelecimentos de Saúde, do Instituto Brasílico de Gerografia e Estatítica (IBGE), da Instauração Palmares e Instauração Vernáculo dos Povos Indígenas (Funai), entre outros.

Sinistro impactou mais de 3 milénio estabelecimentos de saúde (Sucursal Brasil)
Sinistro traz doenças
De consonância com a pesquisadora Renata Gracie, o objetivo principal do trabalho é subsidiar ações do poder público e da sociedade social, tanto neste momento quanto em momentos futuros, na reconstrução e recuperação das áreas atingidas.
Renata Gracie alerta ainda que será necessário um zelo cada vez maior com a saúde das pessoas, que poderão apresentar doenças de pele, viroses e outras enfermidades relacionadas ao contato com a chuva suja e com microrganismos. Para que o estado possa atender as pessoas é importante saber os equipamentos de saúde que estão disponíveis e os que foram atingidos.
“A gente vai ter uma questão complexa por conta das doenças. Muitas unidades de saúde foram inundadas, e as pessoas não vão conseguir ter chegada a elas. Logo, esse sistema serve para os gestores municipais e estaduais olharem o tamanho do que foi impactado, fazer um diagnóstico de situação”, explica a pesquisadora.
Favelas e quilombos
A nota técnica também destaca a situação das populações mais vulneráveis: 240 favelas, 40 comunidades quilombolas e cinco aldeias indígenas estão em contato direto com as áreas de inundação. O sinistro deste ano já é o pior da história do estado: até 13 de maio de 2024 foram contabilizadas 161 mortes, contra 104 mortes em 2023.
“Essa situação evidencia a urgência de uma estratégia de saúde pública robusta, que deverá abordar tanto as demandas imediatas durante um sinistro quanto o fortalecimento da resiliência das infraestruturas de saúde para futuros eventos. Investimentos em melhorias físicas, treinamento de pessoal para respostas rápidas e sistemas de informação eficientes serão vitais para confirmar a integridade da saúde pública”, diz a nota.
Com informações das agências Fiocruz e Brasil
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