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De onde vêm as fake news da tragédia gaúcha?

Voz do Sertão
Redação: Voz do Sertão 15/05/2024 às 07:05 · Atualizado há 4 horas

Por Jessé Souza

Um dos fatos mais perturbadores, relativo ao sinistro climatológico no Rio Grande do Sul, é a proliferação de fake news, dificultando os resgates e perturbando o salvamento de vidas e de propriedades. Muito se perguntam: quem pode ser tão mau e perverso para aumentar o sofrimento de uma população desesperada?

Uma secção dessa culpa tem a ver com a disputa política entre o lulismo e o bolsonarismo, tentando evitar a inevitável verificação entre a atitude proativa de Lula no sinistro e a atitude de totalidade desinteresse de Bolsonaro em situações semelhantes. Mas nascente ainda não é ponto principal. O problema é estrutural e não conjuntural.

A estratégia das fake news visa atingir o principal objetivo da extrema direita mundial e vernáculo, o qual está dirigido a sabotar todos os acordos civilizatórios dos últimos milênios de cultura ocidental. Passamos, enquanto espécie, por vários milênios de estágio que nos afastaram da barbárie em obséquio de um processo civilizatório e de estágio moral que muitos imaginavam ser uma conquista irreversível. Estamos vendo que não é.

A extrema direita americana, de onde nasce a extrema direita global, em um contexto de imperialismo e dominação material e simbólica americana, está dirigida, antes de tudo, a quebrar todos os acordos que a filosofia, a ciência, as artes, as revoluções, a política e a moralidade lograram erigir sob o dispêndio de muito sangue e sofrimento de muitos.

Esses acordos são tão básicos e fundamentais uma vez que a elevação entre verdade e pataratice, entre justo e injusto, o Recta e o não Recta, o belo e o mal-parecido, o bom e o mau, de modo a destruir toda a memória de moralidade e urbanidade entre as pessoas. O “instinto de morte”, do qual Freud falava, preside toda a atividade da extrema direita.

Porquê ela sabe que seu projeto predatório – do qual Elon Musk é o melhor retrato – não pode ser aplicado por meio do convencimento e das boas razões — já que dirigido à ruína completa da natureza e a exploração ilimitada dos oprimidos –, portanto a estratégia é confundir o público com mentiras repetidas, que se tornam verdade para muitos.

Porquê essas perguntas fundamentais, tais uma vez que, quem é que desculpa o meu sofrimento e empobrecimento, ficam sem resposta, em um contexto de mídia privatizada e mancomunada com os interesses dos ricos e poderosos, a urgência existencial por uma explicação, que todos nós humanos possuímos, cria o contexto perfeito para a proliferação de fake news produzidas com precisão de alfaiate, para encanar a insatisfação da população sofredora. Isso só é provável por eles não saberem por que sofrem. Daí a privatização da mídia em graduação industrial nos anos 1990 e a proliferação nefasta de redes sociais, propriedade destas mesmas pessoas.

O que estamos vendo no RS é precisamente isso: impossibilitar que a vaga de solidariedade construída pela inundação do RS, tenha efeitos que levem a uma maior consciência democrática e solidária no nosso país. Para a escol de extrema direita, quanto pior, melhor. Por fim, quando ninguém pode se tutorar, os lucros e o poder relativo das elites vernáculo e mundial aumentam exponencialmente.

Obviamente, o impulso exclusivamente destrutivo é típico de sistemas que estão apodrecendo, precisamente pela sabotagem da verdade. No entanto, não sabemos quando nascente contexto irá completar. Essa período final pode perseverar décadas, ou séculos. Enquanto isso temos que viver neste mundo.

 

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