Por Chico Alves
O pregão da homologação da delação de Ronnie Lessa, sobre o assassínio de Marielle Franco e Anderson Gomes, foi feito pelo ministro Ricardo Lewandowski, mas esse resultado se deve à equipe anterior do Ministério da Justiça e Segurança Pública. Hoje no Supremo Tribunal Federalista, o predecessor de Lewandowski, Flávio Dino, tem limitações para comentar o ponto porque pode vir a julgar o caso. O ex-secretário executivo da pasta e braço recta de Dino, Ricardo Cappelli, falou ao ICL Notícias.
ICL Notícias – Uma vez que o sr. recebe a notícia da homologação do convénio de delação do celerado de Marielle Franco e Anderson Gomes, depois de ter participado da estrutura do Ministério da Justiça que levou a esse resultado?
Ricardo Cappelli – Veja, nós temos muita crédito no trabalho da Polícia Federalista, liderada pelo dr. Andrei Passos e pelo superintendente no Rio, Leandro Almada. Eles sempre nos disseram que o caso seria resolvido
Para fazer o seu trabalho, Leandro Almada teve que vencer a resistência de políticos fluminenses que não o queriam no função. Chegaram muitas reclamações ao Ministério da Justiça?
Nós bancamos ele e toda a equipe. Houve muita resistência, muita mesmo, foi travada uma luta intensa para a nomeação deles.
Uma vez que carioca, o que o sr. acha que a solução desse delito pode simbolizar para o Rio?
Revelará uma vez que o delito penetrou nas estruturas e uma vez que conseguiu edificar uma rede poderosa. A situação do Rio é gravíssima. A solução deste caso terá repercussão internacional.
Quando o sr. diz “estruturas” se refere a estruturas políticas?
Estruturas do estado.
O delito a que o sr. se refere especificamente é o praticado pelas milícias? Essa modalidade de criminalidade é que está entranhada nas estruturas de estado?
O delito no Brasil virou um negócio bilionário. Com esse poder, ele exerce pressão e tenta cooptar agentes dos três poderes. Isso é gravíssimo. E se manifesta mais gravemente no Rio em função da fragilidade institucional. Vários governadores presos e afastados. A crise no Rio é muito séria.
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