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Copom reduz juros básicos da economia para 10,5% ao ano

Voz do Sertão
Redação: Voz do Sertão 08/05/2024 às 20:51 · Atualizado há 16 horas

Por Wellton Sumo — Dependência Brasil 

A subida recente do dólar e o aumento das incertezas fizeram o Banco Mediano (BC) diminuir o ritmo do incisão de juros. Por 5 votos a 4, o Comitê de Política Monetária (Copom) reduziu a taxa Selic, juros básicos da economia, em 0,25 ponto percentual, para 10,5% ao ano. A decisão era esperada pelos analistas financeiros .

Essa foi a sétima vez consecutiva que o Copom reduziu a Selic. No entanto, a velocidade dos cortes diminuiu. De agosto do ano pretérito até março deste ano, o Copom tinha reduzido os juros básicos em 0,5 ponto percentual a cada reunião.

O presidente do BC, Roberto Campos Neto, desempatou a decisão ao votar por um incisão de 0,25 ponto. Além de Campos Neto, votaram por essa redução os seguintes diretores Carolina de Assis Barros, Diogo Abry Guillen, Otávio Ribeiro Damaso e Renato Dias de Brito Gomes, indicados pelo governo anterior.

Votaram por uma redução de 0,50 ponto percentual os seguintes membros: Ailton de Aquino Santos, Gabriel Muricca Galípolo, Paulo Picchetti e Rodrigo Alves Teixeira, indicados pelo atual governo.

Em expedido, o Copom informou que o cenário internacional se agravou e que a inflação subjacente, que elimina preços mais voláteis, está supra da meta de inflação. Ou por outra, o expedido defendeu que o busto fiscal autenticado no ano pretérito tenha credibilidade. Ao contrário das últimas reduções, o Banco Mediano não deu nenhuma indicação sobre o que fará nos próximos encontros.

“O comitê acompanhou com atenção os desenvolvimentos recentes da política fiscal e seus impactos sobre a política monetária. O comitê reafirma que uma política fiscal crível e comprometida com a sustentabilidade da dívida contribui para a ancoragem das expectativas de inflação e para a redução dos prêmios de risco dos ativos financeiros, consequentemente impactando a política monetária”, destacou o texto do Copom.

A taxa está no menor nível desde fevereiro de 2022, quando estava em 9,75% ao ano. De março de 2021 a agosto de 2022, o Copom elevou a Selic por 12 vezes consecutivas, num ciclo de aperto monetário que começou em meio à subida dos preços de víveres, de virilidade e de combustíveis. Por um ano, de agosto de 2022 a agosto de 2023, a taxa foi mantida em 13,75% ao ano por sete vezes seguidas, quando começou a ser reduzida.

Antes do início do ciclo de subida, a Selic estava em 2% ao ano, no nível mais plebeu da série histórica iniciada em 1986. Por desculpa da contração econômica gerada pela pandemia de covid-19, o Banco Mediano tinha derrubado a taxa para estimular a produção e o consumo. A taxa ficou no menor patamar da história de agosto de 2020 a março de 2021.

Inflação

A Selic é o principal instrumento do Banco Mediano para manter sob controle a inflação solene, medida pelo Índice Vernáculo de Preços ao Consumidor Extenso (IPCA). Em março, o indicador ficou em 0,16% e acumula 3,93% em 12 meses. Em seguida um repique em fevereiro, a inflação desacelerou em março, por desculpa de víveres, bebidas e transporte.

O índice em 12 meses está exatamente no teto da meta de inflação. Para 2024, o Juízo Monetário Vernáculo (CMN) fixou meta de inflação de 3%, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual. O IPCA, portanto, não podia superar 4,5% nem permanecer inferior de 1,5% neste ano.

No Relatório de Inflação divulgado no termo de março pelo Banco Mediano, a domínio monetária manteve a estimativa de que o IPCA fecharia 2024 em 3,5% no cenário base. A projeção, no entanto, pode ser revista na novidade versão do relatório, que será divulgada no termo de junho.

As previsões do mercado estão mais otimistas que as oficiais. De conformidade com o boletim Focus, pesquisa semanal com instituições financeiras divulgada pelo BC, a inflação solene deverá fechar o ano em 3,73%, inferior portanto do teto da meta. Há um mês, as estimativas do mercado estavam em 3,76%.

Copom: crédito mais barato

A redução da taxa Selic ajuda a estimular a economia. Isso porque juros mais baixos barateiam o crédito e incentivam a produção e o consumo. Por outro lado, taxas mais baixas dificultam o controle da inflação. No último Relatório de Inflação, o Banco Mediano aumentou para 1,9% a projeção de propagação para a economia em 2024.

O mercado projeta propagação um pouco melhor. Segundo a última edição do boletim Focus, os analistas econômicos preveem expansão de 2,05% do PIB em 2024.

A taxa básica de juros é usada nas negociações de títulos públicos no Sistema Peculiar de Liquidação e Custódia (Selic) e serve de referência para as demais taxas de juros da economia. Ao reajustá-la para cima, o Banco Mediano segura o excesso de demanda que pressiona os preços, porque juros mais altos encarecem o crédito e estimulam a poupança.

Ao reduzir os juros básicos, o Copom barateia o crédito e incentiva a produção e o consumo, mas enfraquece o controle da inflação. Para trinchar a Selic, a domínio monetária precisa estar segura de que os preços estão sob controle e não correm risco de subir.

 

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