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Conheça o roteiro do filme de terror sobre Michel Temer

Voz do Sertão
Redação: Voz do Sertão 13/11/2023 às 21:43 · Atualizado há 16 horas

Cena 1. Interno/Noite, palácio do Jaburu, Brasília.
Numa meia-noite macabra, ano de 2015, ouvimos o som de alguém que bate nos umbrais do moderno (porém mal-assombrado) casarão que serve de residência ao vice-presidente da República. A cena reproduz o início de “O Corvo”, de Edgar A. Poe, óbvio. Um vento insensível e aterrorizante agita as águas do Lago Paranoá.
A voz cavernosa, em latim solene e impostado, diz:
— Verba volant, scripta manent (as palavras voam, os escritos permanecem).
Começa aí o filme. E essa crônica não contém spoiler, enfim de contas todo mundo sabe que a classe trabalhadora se lasca no final. O vice que virou presidente — à custa de uma traição política tenebrosa e um golpe na presidente Dilma Roussef — foi o mentor da Reforma Trabalhista. Deu a termo: o Brasil criaria pelo menos 2 milhões de empregos ainda durante o seu governo.
O que se viu foi aumento do desemprego e a precarização dos postos de trabalho. Nos quatro anos seguintes, a conta era pesada até para o índice de crueldade da política econômica de Paulo Guedes, ministro de Bolsonaro — o país saíra de 12,3 milhões de desempregados em 2017 (no comecinho do funcionamento da reforma) para 14,1 milhões.
Ao rasgar as leis trabalhistas, Temer e aliados determinaram até mesmo a atuação de grávidas em atividades insalubres. Diante do terror contra as mulheres, o STF foi obrigado a barrar a medida. Corta.
Comecei a especular sobre um verosímil roteiro na semana passada, durante um bate-papo com Vivian Mesquita, William De Lucca e Juca Kfouri, no programa ICL Notícias 1ª edição. A tarifa, evidentemente, era o pregão de que o cineasta Bruno Barreto faria o filme “963 dias”, narrando as aventuras e desventuras da gestão do golpista-mor da República.
Risos nervosos à secção, tratamos das possíveis influências ou modelos estéticos para a produção cinematográfica. Seria na traço oriundo dos filmes de vampiro, um Drácula neoliberal selvagem ou estaria para as criações brasileiríssimas do diretor José Mojica Marins, o Zé do Caixão? “À meia-noite levarei sua espírito” ou “Esta noite encarnarei no seu sucumbido”?
Pensando muito, a melhor inspiração seria o “terrir” — mistura de terror com as risadas da comédia, um subgênero do cinema vernáculo criado pelo diretor Ivan Cardoso. “Nosferatu do Brasil” é uma das suas obras-primas, para reportar somente um título adequado ao país de Michel Temer.
Sim, poderia ser influenciado também pelo Bento Carneiro, o vampiro brasiliano, personagem gótico e folclórico da galeria do gênio cearense Chico Anysio.
Muito, tentei meu esboço verosímil do que seria um filme sobre o presidente que escancarou as portas do inferno para a chegada de Jair Bolsonaro ao poder. Agora é a sua vez, leitor ou leitora, de ajudar a redigir esse roteiro. Espero sugestões nos comentários. Até a próxima.

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