Publicidade
Capa / #VoceViu

Como uma briga interna na Itália deixou São Paulo sem luz

Voz do Sertão
Redação: Voz do Sertão 07/11/2023 às 05:24 · Atualizado há 1 semana
Como uma briga interna na Itália deixou São Paulo sem luz
Foto: Reprodução / Arquivo

Por Leandro Demori – A Grande Guerra

Muito se fala dos problemas das privatizações. Todos deveriam saber: uma empresa pública não precisa perseguir lucros e movimentos de mercado a todo dispêndio – e por “a todo dispêndio” entenda-se “prejudicando a população” para faturar mais.

Quer exemplo melhor e mais recente do que a “eficiência” da Petrobras? A empresa se tornou a maior distribuidora de lucros pros acionistas de todas as petrolíferas do mundo às custas do brasílico pagando gasolina a 8 reais.

Uma vez que se vê, a termo “eficiência” tem muitos usos

ENTÃO TEMOS O CASO ENEL

Vastas regiões de São Paulo estão sem robustez elétrica – estima-se 500 milénio imóveis às escuras entre residências, negócio e serviços essenciais porquê UPAs, clínicas, hospitais e escolas. Comida jogada no lixo, respiradores parando de funcionar. Um caos. O temporal foi sexta-feira. A responsabilidade pela operação de serviços de robustez elétrica na cidade de São Paulo e secção da Região Metropolitana de São Paulo chama-se Enel Distribuição São Paulo.

A Enel é uma empresa de economia mista controlada pelo Estado italiano (detém 23,6% dela). Ou seja: a Itália, por meio de seu ministério da Economia, é a maior acionista da empresa, mas ela conta com sócios privados, que são maioria. No Brasil, ela comprou as operações da estatal Eletropaulo em 2018.

Os donos da Enel na Itália. Manancial: site solene da Enel.

BRIGA INTERNA EM ROMA, SÃO PAULO NO ESCURO

Nascente ano, uma disputa inesperada explodiu nos corredores da Enel. Um sócio até portanto pouco publicado e que possui uma fatia de tapume de 1% do capital da empresa começou a cutucar o governo, tanto em reuniões porquê em terreiro pública, dando entrevistas para os maiores jornais do país. A guerra iniciada pelo fundo Covalis Capital visava dominar a Presidência ou ao menos secção do Parecer da empresa. Entendendo esses bastidores, entendemos porquê milhões de pessoas estão sem luz em São Paulo.

O QUE ESTÁ EM JOGO

DE UM LADO O GOVERNO DE GIORGIA MELONI

Labareda-se Giancarlo Giorgetti seu ministro da Economia. É de Giorgetti o ministério que possui os tais 23,6% da Enel. Giorgetti é um dos mais proeminentes políticos da Lega Nord, o partido ultradireitista e liberal da Itália. Não exclusivamente isso: o ministro é da manante mais liberal dentro da própria Lega. Alguma coisa porquê: se a terreno fosse plana, Giorgetti já estaria se segurando na borda.

Seu projecto para o estado italiano – e para a Enel porquê consequência –, porquê não poderia deixar de ser, é exclusivamente um: trinchar, trinchar, trinchar.

O projecto de cortes é tudo o que o governo quer. A teoria de trinchar todos os custos possíveis da Enel e das outras 33 empresas estatais controladas pela pasta de Giorgetti é simples: levar todo o quantia que conseguir para a Itália. Esse movimento de repatriação de euros é fundamental para ajudar a reduzir o déficit fiscal italiano, esperado em 5,3% levante ano. E não melhora muito no ano que vem. A dívida pública italiana fechou no ano pretérito em 144,4% do PIB.

Meloni & Giorgetti.

DO OUTRO LADO ESTÁ O FUNDO COVALIS CAPITAL

O Covalis Capital sequer é um dos grandes fundos do mundo. Seu portfólio está estimado em tapume de 500 milhões de dólares, muito longe dos verdadeiros e trilionários tubarões do mercado. O Covalis tem sede em Londres mas seu quantia, na prática, fica flutuando pelas ilhas Cayman. Durante a pandemia, esse fundo fez grana comprando ativos desvalorizados por justificação do lockdown. E investiu pesado em empresas de robustez, sobretudo em uma delas, chamada Li-cycle Holdings Corp. Essa empresa fica sediada no Canadá e recicla baterias de íons de lítio, dominantes no mercado. O Covalis é, hoje, o maior acionista da Li-cycle Holdings Corp.

Manancial: Yahoo Finance.

O QUE O COVALIS QUER

Que a Enel faça desinvestimentos em algumas áreas para poder gastar nas energias ditas renováveis. Que tire recursos de países porquê Chile e Brasil, por exemplo, e jogue tudo em seu setor de interesse inopino.

A Enel é muito possante nisso e vem fazendo investimentos. Há um braço do grupo chamado Enel X, por exemplo, que vende toda a sorte de soluções renováveis, muitas delas focadas no uso de baterias. Há investimentos específicos em inovações em baterias pra eletrificar casas, trens, carros, indústrias. O problema é que, para o fundo Covalis, o ritmo precisa ser muito mais rápido. Se por um lado eles se beneficiam quando a Enel corta custos, por outro eles precisam que ela seja uma das líderes na divulgação do uso de baterias – que depois serão recicladas por empresas porquê a Li-cycle Holdings Corp.

Qualquer movimento de um colosso porquê a Enel – segundo o ranking da revista Fortune, o 59º maior faturamento do mundo – faria o setor dar um salto.

A Li-cycle Holdings Corp está no topo de investimentos do fundo Covalis. Manancial: clique cá

 MAS AFETA SÃO PAULO COMO MESMO?

A Enel demitiu no Brasil 36% dos funcionários desde 2019, ou seja: desde o primeiro dia em que pegou as chaves da mão da Eletropaulo. Esses milhares de empregos a menos ajudaram a verdejar os balanços da Enel na Itália. Aliás, a Enel é famosa por deixar a rede sucatear, evitando fazer investimentos sequer para a manutenção do sistema. Mais quantia poupado, mais quantia no caixa.

Para o governo italiano, que é seu maior acionista, um ótimo negócio. Para o fundo Covalis, idem, com a diferença que seus interesses são outros. De todo modo, ambos – governo e Covalis – só pensam em uma coisa quando se trata de empregos e investimentos no Brasil: cortes, cortes, cortes.

De um lado e de outro, o cidadão de São Paulo ficou na mão.

 

Comentários (0)

Faça login ou cadastre-se para participar da discussão.

Seja o primeiro a comentar!

Publicidade