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Cheia recua no centro de Porto Alegre

Voz do Sertão
Redação: Voz do Sertão 20/05/2024 às 06:03 · Atualizado há 1 semana

Por Paula Soprana a Bruno Santos

(Folhapress) – A chuva nas calçadas de várias ruas da região médio de Porto Contente começou a secar diante da queda do nível do lago Guaíba nos últimos dias, levando comerciantes a abrirem as portas de seus estabelecimentos pela primeira vez em duas semanas posteriormente a enxurrada na capital.

Na Travessa dos Venezianos, na Cidade Baixa, tradicional dimensão boêmia da cidade, dezenas de voluntários se dividiram entre goles de vinho e limpeza pesada com lavadoras de subida pressão na noite de sábado (18).

Tombada uma vez que patrimônio cultural desde 1980, a rua de casas coloridas foi invadida pela chuva por aproximadamente dez dias. A marca de 1,5 metro de enchente ainda é aparente nas paredes dos bares.

Os comerciantes ainda contabilizam os prejuízos, mas mostram otimismo com a reabertura, que ainda deve demorar alguns dias em razão da faxina e das reformas necessárias. Eles relatam perda totalidade dos estoques e de equipamentos uma vez que freezers e geladeiras, além de danos em móveis e paredes.

“Vai dar para reabrir, com certeza, certamente não funcionando a pleno [vapor], mas do jeito provável”, diz Pepe Martini, 34, proprietário do bar Milonga. O baque financeiro ainda não foi precificado, mas trata-se de quase um mês perdido, prevê.

“É curioso que esta travessa [dos Venezianos] já enfrentou e sobreviveu à grande enchente de 1941. Naquela estação, o rio era mais próximo daqui, e a prefeitura não tinha esse sistema de proteção [com diques e comportas], ou seja, a travessa sofreu agora as mesmas consequências de 83 anos. O grande problema dessa situação é que era completamente evitável”, afirma.

Com a enxurrada, CEEE desligou casas de bombas

O clima entre donos dos bares é de revolta contra a falta de manutenção no sistema de contenção de cheias na cidade. Eles afirmam que a vivenda de bombas (sistema que retira chuva de enchentes) que mais influencia a região funcionava mesmo com o nível do Guaíba supra de cinco metros, e que a rua continuava seca, até a estrutura ser desligada.

Diante das inundações da cidade, a CEEE (Companhia Estadual de Vigor Elétrica), administrada pela Equatorial Vigor, desligou a vigor de casas de bombas para evitar choques elétricos, o que alagou a região da Cidade Baixa. O funcionamento de secção do sistema só foi retomado nos últimos dias.

No bar ao lado, o Guernica, a sócia Bruna Marcello, 35, já organiza um sistema de compras antecipadas, seguindo táticas que empresas adotaram para antecipar o caixa durante o período a pandemia.

“Nessa requisito muito precária, a gente criou um esquema de comandas em que as pessoas compram agora e podem consumir em julho”, diz. “A gente determinou esse espaço justamente pensando que precisamos da ajuda de gente que também perdeu tudo.”

Ela mostra que o pavimento de madeira da vivenda de 105 anos empenou, que ficou sem a geladeira da cozinha, o freezer e todo o estoque, já que as bebidas entraram em contato com a chuva da enchente. Na hora de perfurar a porta, encontrou até bicho morto dentro do lugar. “É uma vivenda muito antiga, a cozinha não tem ralo, a gente juntou tudo no braço, sabe?”

Na rua dos Andradas, uma das mais simbólicas do Núcleo Histórico e cenário da enxurrada de 1941, empresários checaram seus estabelecimentos pela primeira vez neste domingo (19). Três comportas ficaram abertas neste domingo com o objetivo de escoar a chuva para o Guaíba, incluindo uma no muro da avenida Mauá, próxima ao lugar.

A chuva do Guaíba começou a prosseguir pela rua da Praia, uma vez que é mais conhecida a via entre os moradores da capital, há três semanas.

“Nosso prejuízo com freezer, chopeira e bens materiais é, por grave, de R$ 20 milénio a R$ 30 milénio, sem narrar os dias fechados, daí gente não consegue nem calcular. Estamos tentando manter o quadro inteiro de funcionários, mas está complicado. Cada dia fechado fica mais difícil”, diz Guilherme Souza, do Poeta Bar.

O lugar está ainda sem luz e sem chuva, portanto, a limpeza profunda ainda nem começou.

O espaço de coworking SZ Working ficou 15 dias debaixo d’chuva em outro ponto da rua da Praia. “A chuva entrou no nosso estabelecimento aproximadamente uns 60 centímetros e a gente não sabe exatamente o prejuízo tivemos, mas foi uma perda muito grande de matéria-prima, suprimentos, além do prejuízo do mobiliário”, afirma Agostinho Zucchi, proprietário do lugar.

“Agora não é a hora de rivalizar, mas atribuo isso ao desleixo da municipalidade, infelizmente.”

Prefeitura se defende

Em nota, a prefeitura nega que a motivo dos alagamentos na região seja falta de manutenção do sistema de drenagem.

“A Prefeitura de Porto Contente e o Departamento Municipal de Chuva e Esgotos (DMAE) refutam a certeza de que houve falta de manutenção. O sistema de proteção contra cheias apresentou pontos de fragilidade diante da maior enxurrada da história já registrada no Guaíba desde os anos 1900 –que atingiu 80% dos municípios gaúchos”, diz a gestão.

“Concebido no final da dez de 60, essa foi a primeira vez em que a estrutura foi submetida a um teste dessa magnitude. O dilema não é a falta de manutenção, mas a concepção dos projetos de construção das casas de petardo e das comportas que vieram à tona na maior tragédia climática do Rio Grande do Sul.”

A prefeitura afirma ainda ter feito investimentos nos últimos anos, para “melhorias significativas no sistema de proteção, uma vez que a obtenção de motores elétricos, chaves de partida eletrônica, comportas de vedação de aço inox e implantação de automação”. “Não fossem essas melhorias, a enchente seria ainda maior”, diz.

 

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