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Chefe da Marinha sobre João Cândido: Não é racismo

Voz do Sertão
Redação: Voz do Sertão 30/04/2024 às 05:03 · Atualizado há 2 dias

Por Leonardo Vieceli

(Folhapress) – O comandante da Marinha, Marcos Sampaio Olsen, disse nesta segunda-feira (29) que se baseou em fatos para criticar o projeto de lei que inscreve João Cândido Felisberto, líder da Revolta da Verdasca, de 1910, no Livro dos Heróis e Heroínas da Pátria.

Olsen também declarou que a revelação não se trata de racismo ou discriminação contra João Cândido.
“O que se colocou na discussão é que a posição da Marinha era de racismo, discriminadora. Absolutamente, não é isso. A Marinha é uma instituição que se posiciona pelo préstimo”, disse Olsen a jornalistas no Rio de Janeiro.

Na semana passada, em missiva, Olsen chamou os envolvidos na Revolta da Verdasca de “abjetos marinheiros”. O comandante tratou o incidente de 1910 porquê “lastimável página da história” e disse que enaltecer os insurgentes significa exaltar atributos que não contribuem para o “projecto estabelecimento e manutenção do verdadeiro Estado democrático de Recta”.

O projeto de lei em questão tramita atualmente na Percentagem de Cultura da Câmara dos Deputados, presidida pelo deputado Aliel Machado (PV-PR) com relatoria da deputada Benedita da Silva (PT-RJ).

“Me posicionei fundamentado em fatos. Não tenho nenhuma conotação ideológico-partidária. Aquela missiva que enderecei ao presidente da Percentagem de Cultura procura fazer uma síntese, um apanhado, dos fatos que ocorreram em 1910 por ocasião da revolta dos marinheiros”, afirmou Olsen nesta segunda.

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João Cândido

Ele afirmou ainda: “Temos um herói preto, marujo, e casualmente [também] nascido no Rio Grande do Sul. É o marujo Marcílio Dias. Participou da guerra, teve seu braço amputado na resguardo da bandeira brasileira. Foi morto em combate. Esse, sim. Não creio que se deva emprestar outros atributos, a não ser aqueles requisitos absolutamente necessários, para um herói”.

Marcílio Dias atuou na Guerra do Paraguai e morreu em seguida guerra em 1865.

Olsen falou com jornalistas em seguida um evento na sede do BNDES, no Rio de Janeiro. Ao ser questionado sobre a repercussão de sua revelação, o comandante da Marinha disse que o “contraditório deve ser recebido porquê enriquecedor no contexto do debate”.

“Herói do povo, não da Marinha”

Na última semana, o único fruto vivo de João Candido, Adalberto Cândido, rebateu as críticas do superintendente da Marinha.
Candinho, porquê é espargido, disse que Olsen “teria que agradecer aos marinheiros de 1910 pela Marinha de hoje”. Em entrevista ao ICL Notícias, ele também disse que seu pai “é herói do povo, não da Marinha)

“Naquela era não tinha disciplina, jerarquia, não tinha zero. Os marinheiros eram os filhos rebeldes que os pais colocavam na Marinha. Os oficiais eram filhos de fazendeiros. Não tinha disciplina na Marinha, ela só foi modernizada depois disso. Mas a Marinha se acha demais, se acha mais do que o Tropa e a Aviação. A última escravidão do Brasil foi na Marinha.”

A enunciação de Olsen gerou críticas também no meio político.

O deputado federalista Lindbergh Farias (PT-RJ) disse que a fala “trouxe constrangimentos ao governo” e “foi incabível”.

“Parece um distanciamento com a lógica da democracia, dessa mesma Marinha que, há pouco tempo, um outro comandante tinha aceitado participar de uma tentativa de golpe.”

Ele e Benedita da Silva visitaram Candinho, em solidariedade, na última semana.

 

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