Por Gabriel Gomes*
Para ajudar na participação de indígenas no Concurso Vernáculo Unificado, sobretudo para as vagas na Instauração Vernáculo dos Povos Indígenas (FUNAI), a Indigenistas Associados (INA) e a Associação Vernáculo dos Servidores da Funai (ANSEF) abriram uma vaquinha para recolher fundos e custear o deslocamento para a realização das provas. A campanha, que se encerra na próxima sexta-feira (19), foi intitulada porquê “Indigenizar a Funai”.
No entanto, até o momento só foi arrecadado R$ 11.349,60, tapume de um quinto dos R$ 50.000,00 necessários, o que não é suficiente para os custos. A iniciativa apoia tapume de 1500 indígenas que realizarão o concurso no próximo dia 5 de maio.
Neste ano, pela primeira vez, os indígenas têm uma suplente de 30% de vagas no concurso da Funai, de um totalidade de 502 vagas disponíveis para ingresso no órgão via CNU. O Ministério da Gestão e Inovação no Serviço Público (MGI) divulgou que foram recebidas 9.339 inscrições de candidatos autodeclarados indígenas.
“Nós estamos buscando recursos para ajudar os que mais têm dificuldades financeiras a se transmitir para poder chegar ao sítio de prova. A gente fez a vaquinha, conseguimos uma arrecadação inicialmente com o pessoal que estava no nosso entorno, os servidores e as pessoas que acompanham a tarifa indigenista”, explica João Kafã, da Indigenistas Associados.

Os indígenas têm uma suplente de 30% de vagas no concurso da Funai. Foto: Divulgação
Deslocamento
O deslocamento dos indígenas das aldeias até as cidades onde as provas serão realizadas é uma das principais dificuldades para a participação no concurso. Alguns, que residem em regiões mais isoladas, precisam se transmitir de avião, com dispêndio de aproximadamente R$ 1.400 pelos trajetos de ida e volta. Outros precisam se transmitir de ônibus, com dispêndio médio de R$ 200, e há também os que irão aos locais de prova de paquete.
“A prova é em período integral, o portão fecha às 8h30, o vistoria começa às 9h e tem um pausa no meio do dia que vai até 18h. Isso implica gastos para muitos deles chegarem pelo menos um dia antes da prova, com dispêndio de hospedagem e alimento”, acrescentou João Kafã.
Ações
Além da ajuda no deslocamento, a campanha, em sua primeira lanço, também ajudou os indígenas a realizar a letreiro no Concurso Público Vernáculo Unificado. Também foram oferecidos cursos de pedestal e material para estudo para as provas. O ICL apoiou o projeto.
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Indígenas na Funai
A Indigenistas Associados é uma entidade formada principalmente por servidores da curso indigenista, sobretudo da Funai. O órgão historicamente possui indígenas em seus quadros de funcionários, sobretudo porquê monitores bilíngues, que falam português e línguas nativas. A ingresso dos indígenas na Funai, no entanto, tem sido mais difícil nos últimos anos.
“A maioria desse grupo entrou sem concurso. A partir de 1988, começou a ter concurso público, o que dificultou muito para os indígenas entrarem porque é uma outra cultura, um outro jeito de aprendizagem e de estudos. É fundamental que se tenha essas pessoas na Funai, que consigam fazer a tradução não só da língua, mas também a tradução cultural”, explica João Kafã.
“Teve um concurso em 2010 que muitos indígenas participaram, porém não existiam cotas. Para chegar ao sítio de prova, a Funai teve condições financeiras de bancar vários indígenas. Mas, passamos por um governo [Bolsonaro] que onerou muito a Funai em orçamento. O primeiro ano de orçamento do governo Lula é agora levante ano. Ou seja, não deu tempo de levantar os recursos para ajudar os indígenas a realizarem a prova”, completou.
Porquê contribuir com a campanha?
As contribuições para a campanha “Indigenizar a Funai” podem ser feitas através do site da vaquinha. Até o momento, na manhã desta quarta-feira (17), a campanha havia arrecadado R$ 11.349,60, com a taxa de 137 apoiadores.
*Gabriel Gomes é estagiário, sob supervisão de Chico Alves