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caminhada em SP homenageia vítimas dos militares

Voz do Sertão
Redação: Voz do Sertão 30/03/2024 às 12:28 · Atualizado há 1 dia

Por Daniel Mello – Filial Brasil 

Os 60 anos do golpe que instaurou a ditadura militar no Brasil serão lembrados pela Marcha do Silêncio pelas Vítimas da Violência de Estado, que ocorrerá no domingo (31), na zona sul paulistana.

Esta será a quarta edição do evento em São Paulo que se relaciona com as caminhadas que ocorrem em outros países que passaram por regimes autoritários no mesmo período, uma vez que a Argentina e o Uruguai.

“Muito inspirado por essas outras caminhadas que a gente passou a fazer cá no Brasil também, e esse ano a gente não tem só em São Paulo, mas também no Rio de Janeiro”, disse o coordenador do Instituto Vladmir Herzog, Lucas Barbosa.

Além do instituto, participam da organização do ato o Movimento Vozes do Silêncio, o Núcleo de Preservação da Memória Política e a Secretaria Municipal de Direitos Humanos e Cidadania de São Paulo.

Trajeto do ato

A passeio sairá do lugar onde funcionou o Núcleo de Operações de Resguardo Interna (DOI-Codi), na Rua Tutóia, um dos principais locais responsáveis pela tortura e assassínio dos opositores à ditadura.

A concentração será às 16h e deve reunir pelo menos 10 organizações, uma vez que a União Vernáculo dos Estudantes, a Ordem dos Advogados do Brasil – São Paulo, a Percentagem Arns e a Anistia Internacional. Por volta das 18h, o grupo segue em direção ao Monumento em Homenagem aos Mortos e Desaparecidos Políticos, no Parque Ibirapuera.

Na avaliação de Barbosa, a discussão do pretérito é necessária, para evitar que os crimes contra a humanidade, contra a democracia voltem a se repetir. “Por que aconteceu o 8 de janeiro?”, questiona. “Pela certeza da impunidade. Quando certas figuras das forças armadas, não vou expor que a totalidade das forças armadas, mas quando certas figuras se permitem, digamos assim, sentar à mesa para discutir um projecto golpista de ataque à democracia, é senão a certeza da impunidade, de que zero vai ser feito, de que zero vai intercorrer”, compara.

Por entender essa relação é que, segundo Barbosa, a passeio também faz homenagem às populações periféricas, que seguem sofrendo com a violência policial.

“Não é somente olhar para o pretérito, mas é entender que o pretérito reflete diretamente, quando não articulado, quando não encarado da maneira adequada, ele reflete diretamente no presente. Portanto, acho que vítimas de violência do Estado hoje, por exemplo, uma vez que as chacinas, é senão um revérbero de uma polícia truculenta do pretérito, e que nunca foi responsabilizada até hoje.”

Cordão da Moca desfila contra ditadura e matanças do Estado brasiliano

Cordão da Mentira em desfile de 2023 contra ditadura: concentração às 17h e caminhada até o antigo DOPS

Cordão da Moca em desfile de 2023 contra ditadura: concentração às 17h e passeio até o macróbio DOPS

“De Golpe em Golpe: tá lá um corpo estendido no pavimento” é o tema do cortejo do Cordão da Moca de 2024. O ato carnavalesco reúne artistas, militantes e movimentos sociais no dia 1 de abril, Dia da Moca e dia do Golpe de 1964, para denunciar as mentiras do Brasil contemporâneo e os massacres contra o povo brasiliano no pretérito e no presente.

O cortejo partirá do Núcleo Universitário Maria Antônia (Rua Maria Antônia 294 – próximo ao metrô Mackenzie), espaço histórico de resistência à ditadura, e seguirá até o macróbio DOPS, hoje Memorial da Resistência, no meio de São Paulo. A concentração será às 17h com músicas e homenagens, seguida do cortejo até o macróbio DOPS, com canções compostas para o Cordão por Douglas Germano, Renato Martins, Selito SD e Everaldo F. Silva.

Levante ano, o Cordão sairá às ruas com três desafios: lembrar o natalício de 60 anos do golpe de 1964, a tentativa de golpe de 2023 e a perpetuidade das matanças do Estado brasiliano nas periferias, favelas e no campo, ao longo de todo o processo de redemocratização do país. O enredo destaca também o horror do genocídio palestino e sua relação com as matanças em nossas periferias, discutindo a violência e o racismo e enaltecendo militantes das lutas sociais brasileiras, que estarão presentes no ato.

Uma vez que todos os anos, a percentagem de frente será formada por mães de vítima de violência de todo o Brasil, sobretudo de Salvador, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, Baixada Fluminense, Baixada Santista e São Paulo. As madrinhas do Cordão, as Mães de Maio, mais uma vez puxarão o cortejo. Levante ano, Débora Maria, fundadora do movimento, será a homenageada ao lado de Milton Barbosa (MNU), Padre Julio Lancelotti e Rose Nogueira, sobrevivente da ditadura.

 

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