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Baixa do Guaíba revela destruição e prejuízo em Porto Alegre

Voz do Sertão
Redação: Voz do Sertão 18/05/2024 às 18:42 · Atualizado há 3 dias

Por Vladimir Platonov – Dependência Brasil 

Levante sábado (18) começou sem chuva e com sol em Porto Satisfeito. A chuva das ruas já baixou em boa secção da zona sul da cidade. Foi a senha para quem foi atingido debutar a limpeza das casas. No bairro Menino Deus, as calçadas ficaram cheias de móveis, colchões, eletrodomésticos, livros e todo o tipo de objeto que qualquer dia já teve valor, mas que agora vai para o lixo.

“Eu tinha vários livros em vivenda e eu esqueci de levantá-los quando saí daqui. Quando eu fui lembrar, já não tinha porquê entrar”, disse o geólogo Evandro Oliveira. O motorista Joel Vargas não escondeu sua frustração diante dos prejuízos. “Tudo é lixo. Tudo quebrado, tudo demolido. Não se aproveita zero”.

A aposentada Marlene de Souza também lamentou a perda de seus pertences. “Está tudo com paladar, cheiro de esgoto, tudo podre”.

Com a redução no nível da chuva, um novo tropa entra em operação. São centenas de homens e mulheres com uma única missão: retirar das ruas toneladas de lixo e de vasa.

Segundo o Departamento Municipal de Limpeza Urbana (DMLU), 3.500 pessoas estão envolvidas no trabalho de limpeza e recuperação da cidade. Do dia 6 de maio para cá, somente onde não estava inundado, já foram recolhidas 910 toneladas. Esse número vai aumentar muito conforme as ruas forem secando. Nesta primeira lanço, estão sendo utilizados 300 veículos pesados, incluindo retroescavadeiras, pás carregadeiras e caminhões basculantes. Mas o trabalho principal, porquê varrição e raspagem das ruas, retirando manualmente a vasa que se acumulou, é feito pelos garis.

“Temos 3.500 garis trabalhando em três turnos e um maquinário muito pesado sendo usado na remoção dos resíduos”, explicou o diretor-geral da DMLU.

Foto: Rafa Neddemeyer/Dependência Brasil

Guaíba: estudos antes das obras

A reconstrução do Rio Grande do Sul, que sofre sérios danos em consequência das fortes chuvas que atingem o estado desde o termo de abril, terá que ser feita com base nas projeções para o porvir climatológico. Construções antigas que desabaram ou foram arrastadas pela quantidade e intensidade das águas, porquê diversas pontes e estradas, não atendiam ao nível de resiliência necessários, na atualidade, diante das mudanças climáticas que provocam os eventos extremos. Especialistas argumentam que, agora, as obras de reconstrução precisam levar em consideração a tendência de eventos extremos, cada vez mais frequentes. Aí se inclui os estudos de engenharia para definir o planejamento urbano das cidades.

Para o professor de Recursos Hídricos da Coppe/UFRJ Paulo Canedo, as soluções que serão dadas para tornar as cidades mais resistentes vão depender de sítio para sítio. “Por exemplo, tem pontes que foram levadas e devem ser reconstruídas. Determinadas pontes já estavam mal alocadas, já estavam baixas ou com alicerces em zona de risco. Não se trata de refazê-las tais quais estavam há pouco dias. Elas têm que ser refeitas pensando que eu população, eu governo, fiz inverídico há 20 anos detrás, e agora não vou refazer com o mesmo erro. Vou emendar. Outra coisa, é que muitas vezes a pressa em fazer desenvolvimento econômico e social leva a medidas que não tornam resiliente a região para o problema de inundação. Com muita facilidade o ser humano invade terras que pertencem às águas para o seu uso”, explicou à Dependência Brasil.

“Se sabemos que erramos, está na hora de doravante debutar a emendar e tomar novas atitudes, portanto, respeitar as áreas não apropriadas para intensificar moradias ou estrada. As construções devem ser evitadas para não repetirmos o mesmo erro”, reforça Canedo.

Na visão do técnico, a tragédia de agora mostrou as diferenças entre as chuvas que caem desde abril com as de 1941, quando o estado sofreu outra inundação intensa.

“A chuva [agora] foi sobremaneira grande. Se confrontar com a dezena de 40, o progresso no Rio Grande do Sul era muito menor, a quantidade de habitantes era muito menor, portanto, a impermeabilização do solo era muito menor. O que significa manifestar que uma mesma chuva caindo hoje já daria danos de inundação muito maiores”, disse, acrescentando que “na lanço de reconstrução se deve ter em mente a ocupação do solo e a capacidade de sua impermeabilização para impedir danos causados pelas enxurradas”.

O engenheiro social técnico em desastres e professor da Escola Politécnica da Universidade Federalista do Rio de Janeiro (UFRJ) Leandro Torres di Gregório defende a relevância de se fazer estudos antes da formulação de projetos de construção. Para ele, é preciso ter uma avaliação prévio de risco de devastação, justamente para verificar a capacidade de suportar eventos extremos.

Segundo o professor Gregório, porquê nesse caso a inundação é a principal ameaço, se faz um estudo que mostra porquê ficam em diferentes cenários de chuva, os reflexos em termos de inundações.

“Esse é um primeiro ponto. O estudo do risco visa entender porquê a ameaço se distribui no território e qual a magnitude. No caso de inundação, qual a fundura da lâmina d’chuva ou coisas assim. Na medida que se tem o estudo, se começa a montar diferentes cenários de obras que possam amenizar as inundações. Depois do estudo do risco, se começa a montar obras de engenharia ainda em período de planejamento e se simula porquê seria com o novo cenário de inundações para ver quais as áreas que deixaram se ser inundadas, ou as que tiveram inundação reduzida. Assim vai se compondo uma série de medidas com a finalidade de mitigar o efeito das inundações”, explicou.

O técnico destacou que nenhuma solução de engenharia atende todo e qualquer caso, e sempre existe o que se labareda de risco residual. “Sempre existem cenários para os quais aquela obra não é suficiente, e nesse caso, tem que completar com medidas de desocupação emergencial, monitoramento e alerta”, disse.

Conforme o professor da Escola Politécnica da UFRJ, esse é o exemplo da obra dos diques no Guaíba que não resistiram às enchentes, além das bombas que estavam instaladas em locais que foram alagados e por isso não funcionaram para a redução do nível das águas. De conformidade com o professor, no caso dos diques um fator que contribuiu para o não funcionamento previsto foi a falta de manutenção. “No termo das contas não é só um problema de ter a obra de engenharia, tem que ter também a manutenção adequada, porque em uma obra porquê esta daí se a manutenção falhar, aquele componente não desempenha o papel que deveria ter”, avaliou.

Outra medida apontada pelo professor é a remoção de moradores de áreas onde as inundações são recorrentes. “Há situações em que a realocação permanente pode ser necessária. Isso acontece, normalmente, em situações de frequência muito subida de inundações, onde a pessoa mora em um lugar que a qualquer momento pode ter um problema”.

*Com Cristina Indio do Brasil 

 

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