Nos despedimos do ano que se vai, buscando boas novas neste que se apresenta.
A eterna procura de boas novas por segmento dos seres humanos, de uma vida com qualidade e simetria seria o ideal, se não fosse utópica em decorrência de eternas práticas tacanhas que não conseguimos nos desvencilhar.
Refletir, repensar, se reler, se auto indagar, já seria um tirocínio de titãs, pois somos movidos por interesses, acordos e um siso de individualidade que não é fácil tirar de nosso cotidiano.
O mundo moderno numulário vai nos enredando em tramas que dificultam que saiamos deste turbilhão do conforto e conformismo da mesmice de uma vida em principio civilizada e desenvolvida.
As relações sejam sociais, culturais, familiares, religiosas e profissionais tendem a se desaproximar desta procura por uma boa novidade, que tanto alardeamos por aí (teoria e prática são conceitos distanciados de um fazer).
Passamos por momentos difíceis nestes últimos anos, regime politico fundamentalista e genocida, pandemia, feminicidio, racismos e tantas outras mazelas, em que acreditávamos que iriamos ajustar do pesadelo, (principalmente em virtude da pandemia) e teríamos outras formas de viver e conviver em sociedade, coletividade.
É inconcebível que em seguida o chegada da pandemia, tantas mortes pelo mundo, não nos sensibilizamos no sentido de fazermos um inventário de nossas práticas humanas em relação com o outro e o mundo.
Ano novo, práticas velhas!
Mas continuo nesta procura, continuo acreditando em nós, o ser humano não é somente auto devastação, muito ao contrário, existem contra correntes que lutam e enfrentam leste fazer violência.
Os transgressores da ordem vigente de um mundo desigual e desumano, onde o que conta é o que se tem, são os fazedores de um muito viver, exemplificando com suas práticas, para que as pessoas e a sociedade possam investir em suas diferenças, com suas subjetividades e culturas plurais.
É importante que acordemos para saudar leste novo ano que se apresenta, que não tenhamos pânico de abraça-lo com suas novidades, que nos são ofertadas uma vez que um presente embalado que ainda não foi desobstruído, e nos surpreendamos e nos alegremos com o novo.
Para isso a mente e corpo tem que estar descontaminada e desintoxicada das antigas práticas cômodas e confortadas, que nos engessa e paralisa.
É necessário que nos indignemos com a depredação do meio envolvente, a miséria, a situação de crianças abandonadas, o genocídio da população negra, o feminicidio, o Racismo Estrutural em nosso país e no mundo.
Sem estarmos com nossas lentes abertas e nossas mentes impactadas e afetadas por estas questões, não há por que saldarmos o Ano Novo, pois ele não virá, será o mesmo ano velho, de práticas envernizadas de nossas ações antigas, que vai nos adoecendo na conformidade da individualidade deste mundo desviado de paixão, solidariedade e empatia verdadeira.
Não quero fazer um muito viver preocupado em ser um “varão de muito”, preciso fazer um muito viver por ser correto e de recta, por mim, por nós, sem estar buscando individualmente a minha salvação eterna no paraíso.
Estou desobstruído ao Novo Ano, sempre estive, me alegrando e refazendo o meu inventário quotidiano de minhas práticas, sem ser hipócrita e medíocre, me possibilitando sorrir pelo novo que me oferta viver novas experiências.
O Projeto de desenvolvimento civilizacional, deve ser o projeto da existência do nós.
Muito vindo Novo Ano, estou desobstruído!
Hope.