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Almoço de família dá lugar a tristeza e no dia das mães

Voz do Sertão
Redação: Voz do Sertão 12/05/2024 às 10:29 · Atualizado há 2 dias

Por Matheus Teixeira e Pedro Ladeira

(Folhapress) — O almoço de família de Dia das Mães dos desabrigados do Rio Grande do Sul deste ano dará lugar a tristeza e a atividades comandadas por voluntários para animar as mulheres que tiveram as casas alagadas e destruídas.

As enchentes que atingiram o estado já causaram mais de centena mortes e obrigaram mais de 600 milénio pessoas a saírem de suas casas. Ginásios, instituições de ensino e associações abriram suas portas para receber os muro de 80 milénio desabrigados no estado. Voluntários e funcionários das prefeituras tentam organizar a rotina dos espaços.

Para oriente domingo (12), Dia das Mães, eles preparam atividades com mães e filhos a término de animar as famílias, que, na maioria dos casos, perderam a vivenda, os bens e as memórias que estavam dentro dela.

No meio esportivo municipal de São Leopoldo, cidade que tem muro de 235 milénio habitantes e 180 milénio desalojados, os responsáveis pelo espaço organizaram neste sábado um grande salão de venustidade improvisado para as mulheres. O lugar chegou a homiziar 2.000 pessoas, e atualmente ainda tem 800.

A dona de vivenda Muriele Bronzane, 20, tem três filhos e conta que antes da chuva tinha combinado com o resto da família, que morava no mesmo bairro, um almoço para oriente domingo. Agora, foi para o abrigo porque, além dela, todos os parentes também perderam suas casas.

Ela gostou da iniciativa dos organizadores. “Fiz cabelo, unha e maquiagem. Foi muito bom para renovar a autoestima, se sentir mais mulher, mais mãe”, diz.

O marido dela fazia gesso e perdeu todas as ferramentas de trabalho. Muriele diz que ainda não contou para os filhos que sua residência esta tomada de chuva até o teto.

“Na hora que a gente voltar lá não quero levar eles para não verem a situação que ficou a vivenda. Todas as coisinhas deles estavam lá, o material escolar, os brinquedos, as roupas, a TV que eles gostavam”, lamenta.

Almoço Dia das Mães

A Unisinos, uma das maiores universidades privadas do país, também fez um abrigo em seu ginásio esportivo. Situada em São Leopoldo, recebe muro de 2.000 pessoas atingidas pela enchente, com cinco refeições diárias.

Os organizadores dizem que ali se formou uma espécie de mini-prefeitura, com separação de tarefas e responsabilidades. Professores, funcionários e alunos ajudam na gestão do abrigo.

A instituição fará uma missa com o reitor, que é padre, na manhã de domingo (12). As atividades no lugar não serão voltadas exclusivamente às mães. Oficinas com brincadeiras interativas e musicais também estão planejadas.

“Vamos falar que é o dia da família, porque se a gente direcionar só para as mães, uma vez que ficam as mulheres que não estão com as mães ou filhos cá? E os homens que estão longe da mãe? Porquê isso vai permanecer na cabeça das pessoas?”, diz a psicóloga Joana Pereira, voluntária no lugar.

A atendente Roseane Freitas, 23, tem um parelha de filhos, um com seis meses e outra com três anos, e está na Unisinos há uma semana. Ela diz que a adaptação da filha mais velha no abrigo foi complicada.

“No início foi muito difícil, porque ela não está acostumada a conviver com tantas crianças. Ela sempre foi uma moçoilo que brincava sozinha em vivenda. Agora é tudo novo. Ela não gosta de dividir os brinquedos, mas já está se adaptando melhor, aprendendo com a premência”, afirma ela, que planeja ir à missa. “Vou se eu conseguir, porque minha moça não para, fica brincando 24 horas por dia e eu tenho que cuidar dela.”

Vasa toma conta de Cruzeiro do Sul (Diogo Zanatta/ICL Notícias)

A vendedora Janaína Lucas de Oliveira, 29, tem quatro filhos e está há uma semana no meio esportivo de São Leopoldo. “Nunca imaginei passar um Dia das Mães nessas condições e muito menos meu natalício, que é no próximo dia 19. Já estava tudo pronto para a sarau de 30 anos. Mas foi adiada. O que a gente pode fazer, não é?”, lamenta.

Ela ficou feliz com o salão de venustidade improvisado no lugar pelos voluntários. “Muito formosa e deleitável a ação. Muito bacana”, elogia.

Janaína conta que ficou amiga das pessoas que dormem nos colchões próximos ao dela e que ela labareda de vizinhas. No entanto, afirma que a rotina está difícil. “Uns dormem 3h da manhã, outros às 2h, às vezes brigam”, conta.

A dona de vivenda Franciele Brito, 26, tem uma filha de 5 anos . “A pequena ficou doente e eu também fiquei. Dormir nesse solo é um horror. Peguei infecção no ouvido de dormir nesse solo gelado”, afirma.

Ela diz que a única pessoa da família que não foi atingida pela enchente é uma mana que mora em Santa Catarina. O deslocamento para o outro estado vizinho está difícil. “A chuva nunca tinha chegado nem perto lá da minha vivenda. É muito triste ver o que aconteceu. E a chuva continua. Não sei quando vamos conseguir ir ver uma vez que ficou a vivenda”, afirma.

A dona de vivenda Marileia da Rosa, 40, comemora que seu fruto está na vivenda de um companheiro em lugar seguro, porque tem invento difícil viver no abrigo. Ela diz que morava com seu marido de aluguel e que a vivenda provavelmente foi destruída, porque as madeiras já estavam frágeis. Agora os dois e seus dois cachorros estão no abrigo.

Marileia pede que o governo dê um auxílio aluguel porque prevê dificuldade na recuperação. Ela é dona de vivenda e o marido não consegue trabalhar devido a um enfisema pulmonar.

Ela diz que trata um quadro de depressão e que a situação a fez piorar. “Eu tomo remédio e tinha completo. Agora consegui um. O que me atingiu mais foi a depressão, piorou muito”, afirma.

“Perdi todas minhas roupas. Está difícil até para conseguir uma calcinha e eu preciso de uma, já pedi”, afirma.

A doméstica Saionara de Oliveira, 56, está há uma semana no abrigo da Unisinos com o marido e a filha de 15 anos. Mesmo se estivesse em vivenda, porém, não iria fazer nenhuma celebração de Dia das Mães. “Eu não queria mesmo, faz dois meses que perdi meu fruto. Mataram ele. Eu não ia comemorar”.

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