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Acusado de rachadinha, Janones diz que não recebeu dinheiro de assessores

Voz do Sertão
Redação: Voz do Sertão 27/11/2023 às 20:09 · Atualizado há 21 horas

Em entrevista exclusiva ao ICL Notícias – 2ª Edição, o deputado André Janones (AVANTE-MG) respondeu sobre a denúncia feita por um ex-assessor de que cobrou de assessores secção do salário deles para pagamento de despesas, a chamada prática de “rachadinha”. A denúncia, publicada na poste do jornalista Paulo Cappelli, no site Metrópoles, foi reforçada por um áudio, em que Janones trata do tema.

De conformidade com a gravação, o verba seria usado para remunerar “Morada, sege, poupança e previdência”. No áudio, ele diz: “Algumas pessoas cá, que eu ainda vou conversar em pessoal depois, vão receber um pouco de salário a mais. E elas vão me ajudar a remunerar as contas do que ficou da minha campanha de prefeito. Porque eu perdi R$ 675 milénio na campanha. ‘Ah isso é entregar salário e você tá chamando de outro nome’. Não é. Porque eu entregar salário, você manda na minha conta e eu faço o que eu quiser”.

A seguir, os trechos iniciais da entrevista de Janones ao ICL Notícias – 2ª Edição sobre a denúncia contra ele.

 

VERACIDADE DA GRAVAÇÃO

“O áudio é verdadeiro, porém é um áudio furtivo, montado, gravado de uma maneira criminosa e que me impede inclusive de contextualizar. Eu não sei expor quando ele foi gravado. Não tem porquê se lembrar de todas as conversas que você teve nos últimos cinco anos. Eu deduzo que ele seja secção de uma conversa muito maior, inclusive teve uma material, uma assessora me informou que a emissora disse que o áudio tem 49 minutos. Logo, é um áudio tirado de contexto. Eu digo montagem nesse sentido: a voz é minha, as palavras saíram de mim, mas o áudio foi gravado de uma maneira clandestina, criminosa e tirada de contexto.

(…) Pelas palavras que são utilizadas ali, eu deduzo que eu não era deputado e que nem essas pessoas eram assessores. Porque eu digo: “vou receber”, “vocês irão ser nomeados”. Logo tudo indica, não estou afirmando porque não tenho dados relativos à data do áudio, mas tudo indica que quando esse áudio foi gravado eu ainda não era deputado e as pessoas que participavam dessa conversa também não eram assessores.

DINHEIRO PARA PAGAR DÍVIDAS

Eu vou falar exatamente as palavras que estão no áudio: Vocês vão receber um pouco a mais e para que vocês me ajudem… espero que vocês me ajudem a remunerar a dívida da candidatura a prefeito. Logo, vocês vão receber um pouco a mais. Essas pessoas, sejam lá quem forem elas, que ali não está identificado, mas eu sei porque as pessoas que começaram a trabalhar quando assessores do meu procuração eram amigos, ou pelo menos eu pensava que alguns eram… a maioria é, inclusive. São meus amigos até hoje.

Logo, ali não eram pessoas, por exemplo, que eu vim pra Brasília selecionei um banco de currículos. Não. Eram amigos que conviviam comigo de longa data, de dentro da minha vivenda e muita dessas pessoas passaram comigo um dos momentos mais difíceis da minha vida, que foi quando eu perdi as eleições no ano de 2016 para a prefeitura da minha cidade. Eu fiquei numa situação extremamente difícil, um erro que eu acredito que muitos políticos já cometeram, principalmente quando são jovens, de colocar o que tem e não tem, todo o patrimônio na campanha. Tive o meu patrimônio dilapidado e saí numa situação muito difícil. Essas pessoas estiveram comigo nesse momento de dificuldade.

Quando eu sou eleito deputado federalista, zero mais justo do que essas pessoas, que têm conhecimento pra estar no incumbência, (…) zero mais justo que essas pessoas virem trabalhar comigo. Logo, eu estava me dirigindo pra essas, né? Ao que tudo indica, ali é uma conversa com mais pessoas, dá pra ver que eu não estou ali falando sozinha no espelho. E o que eu digo é o seguinte: olha, vocês que passaram nessa marcha junto comigo, vocês vão receber um valor a mais. Logo, zero mais justo do que vocês arcarem assim porquê eu arcarei com as dívidas que vocês contraíram, que eu contraí das eleições de 2016. Minha eleição foi uma eleição feita na raça. Feita no paixão. (…) Foi uma campanha formosa de se ver. Fiquei em segundo lugar e essas pessoas contraíram dívidas, assim porquê eu contraí. Logo, um quebrava o galho ali, arrumava o sege de som, o outro pegava um verba emprestado. Todos nós contraímos dívidas. E eu não acharia justo, eu arcar com essas dívidas, eu arcar com todas as dívidas.

DEPUTADO DIZ QUE NÃO RECEBEU

Essas pessoas (…) ninguém nunca pagou absolutamente zero. (…) Logo [eu disse] “vão receber um pouco a mais (…) pra ajudar a remunerar a dívida da campanha de prefeito. Logo não foi o Janones que contraiu a dívida. Todos contraíram dívidas, avalizaram e, assim porquê eu estava ganhando um pouco a mais, porque o salário de deputado é um salário muito bom, eles também ganhariam um pouco a mais e eu esperaria que eles contribuíssem para remunerar as dívidas, contribuíssem para que a gente não ficasse devendo na rossio. Responsabilidade na rossio em São Paulo, em qualquer lugar é ruim. Mas em uma cidade interiorana é o término do mundo. Quem mora no interno sabe do que eu estou falando.

Mais no final do áudio, tem um trecho em que eu digo assim: eu tenho certeza que eu não vou precisar pedir isso pra ninguém, porque vocês vão se dispor. Tem essa secção no áudio também. Eu falo: eu tenho certeza que vocês vão se dispor, porque são meus amigos.

(…) É um áudio tirado de contexto, mas a voz é a minha, eu vou transfixar uma exceção e vou responder, apesar de ser eu não estou vendo muito sentido. Um colega falou assim: é que estava repercutindo demais. Eu falei: logo talvez eu esteja com o pé fora da veras porque eu estou tão tranquilo, eu sei tanto o que aconteceu, isso não me incomoda em absolutamente zero. Nunca houve taxa, nunca. O que mais eu posso é permanecer tranquilo: nunca recebi nem um real de assessor meu, nem na minha conta, nem eles nunca me entregaram nem um real que entrou no meu patrimônio que eu usei pra absolutamente zero, isso nunca foi feito.

Eu não tenho patrimônio, não tenho vergonha de expor isso. Pode olhar o meu CPF, pode olhar de todos os meus familiares, todo o entorno. Eu já coloquei à disposição os meus sigilos, fiscal, bancário, telefônico, os sigilos da minha família, zero. Nunca recebi um único centavo de assessor. Nem na minha conta, nem nas minhas mãos e nunca utilizei verba pra minha vida pessoal, pra edificar patrimônio, pra comprar lancha, pra comprar vivenda no Vivendas da Barra, pra comprar loja de chocolate

PARA JANONES, NÃO HOUVE ILÍCITO

Eu quero expor o seguinte: eu não entendo que o relato da intenção nesse áudio constitua um ilícito. Eu não vejo porquê ilícito eu expor isso. Eu não sou deputado. Manifestar pra amigos meus: “Olha gente, nós agora estamos com um baita salário, eu, vocês, eu estou devendo, vocês também estão, vamos todo mundo dar as mãos e todo mundo cada um arcar com a sua secção nessa dívida e remunerar.”

Eu não vejo que seja ilícito. Mas respeitando aqueles que entendem que isso é um ilícito, vamos imaginar que você diga: “eu considero que isso é um ilícito dissimulado”

Logo, acho que por isso eu estou com esse pé fora da veras e talvez não esteja vendo sisudez nisso tudo. Foi aventado alguma coisa que, repito, na minha visão, na minha ótica, cá eu falo porquê jurista, não se configura um ilícito. Mas ainda que qualquer jurista considere isso um ilícito, ele não foi praticado. Logo, não houve a prática de nenhum transgressão, ninguém pode ser punido pela intenção.

 

 

 

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