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1964: crônico e anacrônico

Voz do Sertão
Redação: Voz do Sertão 28/03/2024 às 13:30 · Atualizado há 7 horas
O Presidente João Goulart (Jango) em cerimônia militar em Brasília em 1963. Golpe 1964

1964 é 1822 e a opção da escol luso-brasílica pelo tráfico de africanos e pela escravidão porquê risca mestra e porvir do nosso Estado-Região em formação.

1964 é 1831 e um pacto de senhores escravocratas e sequestradores que, à revelia da lei, escravizaram ilegalmente mais de 750 milénio africanos livres.

1964 é 1888 e uma lei áurea que não foi oferta de uma princesa ou de um imperador que governou por meio século para uma escol escravocrata, mas sim resultado da luta dos abolicionistas porquê revolução.

1964 é 1889 e a proclamação de uma república liberal excludente que reiteradamente massacrou seu povo, seja em Canudos, na Verdasca, Revolta da Vacina, Caldeirão ou Respondido.

1964 é 1937 e o Estado Novo Varguista, que prendeu, torturou, matou e exilou Prestes, Olgas, Gracilianos e Nises.

1964 é 1954 e o entreguismo golpista da escol brasileira.

1964 é 1961 e a tentativa de impedir o Governo João Goulart e suas reformas.

1964 é 1964 e o golpe contra a vida dos trabalhadores, sanha da tortura, das políticas de repressão sexual e do desaparecimento dos corpos.

1964 é 1979 e uma lei que anistiou torturadores e o terrorismo de Estado.

1964 é 1984 e as Diretas Já que não passaram, deixando um povo que luta chorando na terreiro.

1964 é 1989 e o golpe midiático que levou ao poder o grotesco.

1964 é 1998 e o choque da gestão neoliberal contra o povo.

1964 é 2014 e a trama golpista e ressentida que jogou o Brasil no mistério.

1964 é 2016 e um impeachment sem transgressão de responsabilidade. Um golpe jurídico, parlamentar e midiático. Um golpe contra a vida das mulheres e seus direitos!

1964 é 2018 e a farsa de uma “decisão muito difícil” que levou ao Planalto um genocida e sua macabra hecatombe. Cortejo triunfal da barbárie vernáculo!

1964 é 2023 e a patriotada golpista que devastou o Planalto!

1964 é a história inteira do Brasil, o ano secular que nunca terminou, múltiplas camadas de tempo — de luta, de sonho, massacre e sangue — de um pretérito que ainda não passou…

O Presidente João Goulart (Jango) em cerimônia militar em Brasília em 1963. Jango passando em revista aos militares é mais uma parábola sobre a posição do presidente porquê superintendente das forças armadas e ao mesmo tempo, tapume de um ano em seguida, deposto pelas armas que deveriam obedecê-lo. Manancial: Memórias da Ditadura. História da Ditadura — Registo Vernáculo. Domínio Público.

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