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Vaticano atuou para asilar Maduro na Rússia antes da ofensiva dos EUA, diz jornal

O Vaticano negociou uma possível saída de Nicolás Maduro da Venezuela com destino à Rússia dias antes da operação dos Estados Unidos, realizada no último sáb...

Voz do Sertão
Redação: Voz do Sertão 10/01/2026 às 00:20 · Atualizado há 5 dias
Vaticano atuou para asilar Maduro na Rússia antes da ofensiva dos EUA, diz jornal
Foto: Reprodução / Arquivo

O Vaticano negociou uma possível saída de Nicolás Maduro da Venezuela com destino à Rússia dias antes da operação dos Estados Unidos, realizada no último sábado (3/1), que resultou na captura do presidente venezuelano. As informações constam em documentos governamentais obtidos pelo jornal The Washington Post.

Segundo a reportagem, publicada nessa sexta-feira (9/1), o cardeal Pietro Parolin, secretário de Estado da Santa Sé, buscou convencer autoridades americanas a oferecer uma alternativa a Maduro para evitar derramamento de sangue e maior instabilidade no país sul-americano. A proposta envolvia a concessão de asilo político pelo governo russo, com garantias de segurança ao líder venezuelano e à sua família.

Na véspera do último Natal, em 24 de dezembro, Parolin convocou com urgência Brian Burch, embaixador dos EUA na Santa Sé, para pedir esclarecimentos sobre os planos de Washington para a Venezuela. De acordo com os documentos, o cardeal questionou se a ofensiva americana teria como alvo apenas o narcotráfico ou se envolveria uma mudança direta de regime.

Brian Burch, embaixador dos EUA na Santa Sé, ao lado do papa Leão XIV

Parolin reconheceu que Maduro deveria deixar o poder, mas defendeu que isso ocorresse por meio de uma saída negociada. Ele afirmou a Burch que a Rússia estaria disposta a conceder asilo ao presidente venezuelano e pediu tempo para pressioná-lo a aceitar a oferta.

Apesar dos esforços diplomáticos, a negociação não avançou. Dias depois, em 3 de janeiro, Maduro e a esposa foram capturados por forças norte-americanas. O casal foi levado a Nova York para responder a acusações de narcotráfico e tráfico internacional de drogas.

O encontro no Vaticano foi apenas uma entre várias tentativas fracassadas de encontrar um refúgio seguro para Maduro antes da operação americana. Além da Santa Sé, intermediários da Rússia, do Catar, da Turquia e outros atores internacionais tentaram evitar a escalada do conflito e uma intervenção direta dos EUA.

Em nota, a assessoria de imprensa do Vaticano lamentou a divulgação de trechos de uma conversa confidencial e afirmou que o conteúdo divulgado não refletiria com precisão o teor do diálogo. O Departamento de Estado dos EUA se recusou a comentar, e o Kremlin não respondeu aos pedidos de posicionamento.

De acordo com o jornal, Maduro recebeu alertas para deixar o poder poucos dias antes da ofensiva, mas recusou todas as propostas. Fontes relataram que ele acreditava que os EUA não agiriam e que conseguiria se manter no cargo apostando em mudanças no cenário político americano.

Ofensiva norte-americana em solo venezuelano foi realizada neste sábado (3/1)

Em uma ligação com Trump, em novembro do ano passado, Maduro teria interpretado a conversa como positiva, quando, na avaliação da Casa Branca, tratava-se de um aviso direto. O presidente americano chegou a convidá-lo para Washington, oferecendo salvo-conduto, mas o venezuelano recusou.

Ele não aceitou o acordo. Simplesmente acreditava que nada aconteceria

— afirmou uma fonte, em anonimato.

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