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Trump capturou Maduro, mas erra ao transigir com ditadura na Venezuela

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Voz do Sertão
Redação: Voz do Sertão 05/01/2026 às 12:17 · Atualizado há 4 dias
Trump capturou Maduro, mas erra ao transigir com ditadura na Venezuela
Foto: Reprodução / Arquivo
Antes de mais nada, é preciso apontar o espetáculo de hipocrisia e cinismo de petistas indignados com a captura do ditador venezuelano Nicolás Maduro, sob a alegação de violação do direito internacional. Por mais de vinte anos, sem preocupar-se com direito nenhum, muito menos com qualquer aspecto moral, Lula e o PT apoiaram um regime brutal, sanguinário, criminoso, que levou quase 8 milhões de venezuelanos a sair do seu país. Soberania nacional e autodeterminação dos povos são princípios fundamentais da Carta da Onu, o documento fundador das Nações Unidas que estabelece as linhas pelas quais os países devem guiar-se nas relações internacionais. Refém de uma organização criminosa, a Venezuela e os venezuelanos não têm nem uma, nem outra. A soberania do país foi ferida de morte pela ditadura bolivariana, que conta com suporte estrangeiro — cubano, russo, iraniano e o de traficantes colombianos — para oprimir o próprio povo. A autodeterminação do povo venezuelano, por sua vez, é uma farsa encenada pelo bando chefiado por Nicolás Maduro, como pôde ser didaticamente constatado pela fraude na eleição presidencial de 2024, que impediu que a oposição, vitoriosa nas urnas, assumisse o poder. Antes, portanto, de os Estados Unidos violarem o direito internacional ao capturar Nicolás Maduro, sob a acusação de ser um narcoterrorista perigoso para a segurança nacional americana, Maduro e os seus asseclas já vinham estuprando todos os princípios e direitos sobre os quais se erguem a civilização. Dois erros teriam resultado em acerto, contudo, se Trump justificasse a captura de Maduro com a intenção principal de propiciar aos venezuelanos um governo legítimo que fosse constituído no menor espaço de tempo possível. Nesse caso, apenas os suspeitos de sempre levantariam a voz para gritar contra a violação do direito internacional, que, aliás, nunca poderia servir de valhacouto para tiranos, assunto extenso demais para ser tratado aqui. O quadro é outro, no entanto, a julgar pelo que dizem Trump e o seu secretário de Estado, Marco Rubio. Em meio à névoa e às contradições nas falas de ambos, o sentido do que foi afirmado até o momento é o de transigência com a ditadora substituta, essa inefável Delcy Rodríguez. Para que não haja nova intervenção americana na Venezuela e nada mude muito na Venezuela, ao menos no médio prazo, eles dão a entender que basta que Delcy e os demais facínoras bolivarianos não imponham obstáculos a que companhias dos Estados Unidos voltem a atuar no setor petrolífero venezuelano. Inclusive com a obtenção de indenizações bilionárias pelas perdas financeiras que tais companhias tiveram com a nacionalização promovida ainda no tempo de Hugo Chávez. Não menos importante, o regime ditatorial teria também de dançar na política externa conforme a música regida a partir de Washington, afastando-se dos aliados chineses, russos, iranianos e cubanos. Sem o petróleo praticamente doado pela Venezuela, o regime cubano, do qual o bolivariano é decalque, pode sucumbir de vez ao seu próprio fracasso. Trump, assim, finalmente atingiria um objetivo perseguido pelos Estados Unidos desde que Fidel Castro transformou a ilha que era inferninho americano das perdições capitalistas em sucursal caribenha dos ínferos comunistas. O simbolismo da derrota cubana para o capitalismo seria espetacular, mas é para a China, essencialmente, que Trump quer mostrar quem manda não apenas na Venezuela, mas na América Latina inteira, o subcontinente que tem enorme relevância no desenho com o qual os chineses visam a conquistar a hegemonia planetária, como superpotência total que ambicionam ser. Nesse grande jogo geopolítico, para o qual Trump atualizou a Doutrina Monroe, dando real significado ao neocolonialismo, como desnuda a estratégia de segurança nacional divulgada por seu governo em dezembro, o restabelecimento da democracia na Venezuela tem papel menor. Além de representar uma traição à oposição liderada por María Corina Machado, por quem o presidente americano nutre inveja indisfarçável pelo Nobel da Paz de que ele se julga o verdadeiro merecedor, é apostar no erro deixar a  redemocratização venezuelana em segundo ou terceiro plano, bem como voltar a fazer bulliyng imperialista com latino-americanos. Afinal de contas, o produto mais valioso da pauta de exportações dos Estados Unidos é, desde o final da Segunda Guerra, e na América Latina desde a presidência de Jimmy Carter, a liberdade ou certa ilusão dela, a hipocrisia como velha homenagem do vício à virtude, não como o vergonhoso espetáculo de cinismo continuamente  ncenado pela esquerda em todas as latitudes. É o que diferenciava os americanos dos soviéticos, para grande vantagem competitiva dos primeiros, donos de um soft power inigualável; deveria continuar a ser também o que os diferencia dos chineses, se os Estados Unidos quiserem vencer essa segunda partida, que se afigura bem mais complicada do que a primeira. Já leu todas as notas e reportagens da coluna hoje? Acesse a coluna do Metrópoles. Parece que seu browser não está permitindo notificações. Siga os passos a baixo para habilitá-las: Você quer ficar por dentro da coluna Mario Sabino e receber notificações em tempo real?

Fonte: Agências

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