Na cidade de Barracão, no sudoeste do Paraná, a Rua República Argentina liga, em um único traçado, três cidades, três estados e dois países.
Não há rios, pontes ou grandes marcos que separem os territórios. A fronteira é urbana, cotidiana e quase invisível.
Na prática, os moradores vivem como se estivessem em uma única cidade. Muitos atravessam a rua diariamente para trabalhar, comprar, estudar ou visitar parentes.
Paranaense conta como é morar em cidade com três fronteiras
Em Barracão, cidade no sudoeste do Paraná, bastam poucos passos para trocar de cidade, estado e até mesmo de país. Na cidade, a Rua República Argentina liga, em um único traçado, três cidades, três estados e dois países, são eles Barracão, Dionísio Cerqueira, em Santa Catarina, e Bernardo de Irigoyen, na província de Misiones, na Argentina.
Não há rios, pontes ou grandes marcos que separem os territórios. A fronteira é urbana, quase invisível e a travessia faz parte do cotidiano dos moradores. Em poucos passos, o português nas placas dá lugar ao espanhol e as bandeiras trocam de cor.
O município de Barracão tem cerca de 10 mil habitantes segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Dionísio Cerqueira, onde está a maior parte da rua, tem pouco mais de 15 mil. Na prática, porém, os moradores vivem como se estivessem em uma única cidade. Muitos atravessam a rua diariamente para trabalhar, comprar, estudar ou visitar parentes.
Rodrigo é uma dessas pessoas, apesar de morar no Paraná, ele visita diariamente lojas e faz consultas médicas em Santa Catarina. Quando busca momentos de lazer, Rodrigo atravessa a fronteira para a Argentina.
Marco delimita território das três fronteiras — Foto: Rodrigo de Oliveira
Ele trabalha em um supermercado e conta que cerca de 60% dos funcionários são argentinos.
Muitos deles vêm ao Brasil a trabalho em busca de melhores condições de emprego, isso acaba fortalecendo nosso comércio local e nossa economia
— diz Rodrigo.
Desde 2016, as duas cidades são oficialmente reconhecidas como “cidades gêmeas” pelo Governo Federal. O título é dado a municípios de fronteira que compartilham não só o território, mas também a economia, os serviços e a vida cotidiana.
No Paraná, também têm esse status as cidade de Foz do Iguaçu, Guaíra e Santo Antônio do Sudoeste. No país são 33 cidades com o título.
Diferente da famosa tríplice fronteira de Foz do Iguaçu, onde rios marcam o encontro entre Brasil, Argentina e Paraguai, em Barracão a divisão acontece no asfalto. E, ao contrário de grandes postos de controle, o pedestre atravessa de um país a outro sem precisar mostrar documentos.
Um dos pontos mais simbólicos da região é o Marco das Três Fronteiras. A poucos metros da rua, o monumento marca o encontro dos territórios.
Marco das Três Fronteiras em Barracão — Foto: Asscom/ Prefeitura de Barracão
No marco, imagens de Nossa Senhora Aparecida, padroeira do Brasil, e da Virgem de Luján, padroeira da Argentina, ficam posicionadas frente a frente, separadas por cerca de 300 metros. Cada uma das imagens está voltada em direção ao seu país de origem.
Para quem cruza de carro, há fiscalização e passagem obrigatória pela aduana. Mas a pé, o caminho é livre. É por isso que muitos brasileiros estacionam em Barracão e atravessam andando para comprar vinhos, azeites, doces e outros produtos do lado argentino.
Muitos brasileiros vão para a Argentina fazer compras, por ser uma fronteira seca de fácil acesso, vamos diariamente ao país
— diz Rodrigo.
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