O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, está detido em uma penitenciária federal, no Brooklyn, em Nova York (EUA). O lugar é constantemente descrito como “precário”, “violento” e “um inferno na Terra”. Chamada também de “prisão dos famosos”, o espaço abriga mais de 1,3 mil detentos e já teve um brasileiro famoso como interno entre 2018 e 2020.
O ex-presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) José Maria Marin ficou detido no Centro de Detenção Metropolitano (MDC, na sigla em inglês) após ser condenado por seis dos sete crimes pelos quais respondia, incluindo conspiração para fraude bancária e lavagem de dinheiro no caso do Fifagate.
Após a operação do Fifagate, Marin foi banido de qualquer atividade relacionada ao futebol e chegou a cumprir prisão domiciliar. No entanto, em dezembro de 2017, à época com 86 anos, ele foi condenado em Nova York a quatro anos de prisão por crimes de corrupção, lavagem de dinheiro, fraude financeira e formação de organização criminosa.
Em outra decisão, Marin também foi obrigado a restituir entidades como Fifa e Conmebol em cerca de US$ 137 mil (R$ 519 mil), referentes a salários e benefícios recebidos enquanto ocupava cargos nas entidades. Apesar de ter sido presidida por Marin, a CBF não se declarou como vítima no processo durante o período investigado.
Durante a pandemia de Covid-19, em 2020, Marin obteve liberdade antecipada por razões humanitárias, deixou o MDC e retornou ao Brasil. Três anos depois, em 2023, o ex-dirigente sofreu um acidente vascular cerebral (AVC) em São Paulo e morreu em julho de 2025, aos 93 anos.
Mesmo diante das más condições, o MDC do Brooklyn é frequentemente escolhido para custodiar presos influentes e famosos. A unidade já recebeu nomes como os rappers R. Kelly, condenado por crimes sexuais, e Sean “Diddy” Combs, condenado por tráfico sexual, entre outros delitos.
O ex-presidente de Honduras Juan Orlando Hernández ficou preso no local por mais de três anos, até ser transferido para outra unidade em junho de 2025. O ex-secretário de Segurança Pública do México Genaro García Luna também passou um período detido no MDC.
Outro nome de peso que esteve na prisão foi o narcotraficante mexicano Joaquín “El Chapo” Guzmán. A lista inclui ainda figuras históricas do crime organizado, como John Gotti, além de membros da Al Qaeda presos após os atentados de 11 de setembro de 2001, entre outros.
Construído na década de 90, o local onde o chavista está detido é um grande complexo prisional de concreto e aço localizado no bairro do Brooklyn. A unidade fica a poucos metros do porto de Nova York e a cerca de cinco quilômetros de pontos turísticos como a Quinta Avenida e o Central Park.
O prédio ocupa a área onde funcionavam antigos armazéns usados para o depósito e a distribuição de mercadorias transportadas por navios que atracavam no terminal marítimo. Posteriormente, o MDC foi inaugurado com o objetivo de diminuir a superlotação do sistema carcerário da cidade estadunidense.
Embora tenha sido projetado para abrigar presos provisórios, onde homens e mulheres aguardam julgamento nos tribunais federais de Manhattan e do Brooklyn, o centro também mantém detentos já condenados a penas de curta duração, segundo o Departamento Federal de Prisões dos Estados Unidos (BOP, na sigla em inglês).
A estrutura do presídio é cercada por barricadas de aço e equipada com câmeras de vigilância de longo alcance. Nas últimas horas, a segurança externa do local foi reforçada.
Mesmo com formato vertical, o complexo conta com espaços para práticas esportivas ao ar livre, unidade de saúde, consultório odontológico e até uma biblioteca, segundo a rede pública americana PBS.
Não existem informações oficiais a respeito das condições internas das celas. Entretanto, relatos da mídia estadunidense e internacional indicam que os espaços são reduzidos e que os presos permanecem confinados na maior parte do dia.
Projetado para abrigar até mil presos, o MDC opera atualmente com 1.336 detentos, conforme dados do BOP. A maioria aguarda julgamento na Justiça Federal de Nova York – o caso de Maduro.
Apesar de contar com estrutura médica e áreas recreativas, a unidade é alvo de denúncias recorrentes de violência extrema, falta de funcionários e tráfico de drogas e outros produtos ilícitos.
Documentos judiciais mostraram que o MDC operava com apenas 55% do quadro de funcionários em 2024. No mesmo ano, ao menos três presos morreram esfaqueados dentro da unidade, além de dezenas de outros episódios de violência que terminaram com feridos.
O MDC também já esteve no centro de escândalos de corrupção. Em março do ano passado, o Departamento de Justiça dos EUA anunciou o indiciamento de 25 pessoas – entre presos e ex-agentes penitenciários – em 12 casos envolvendo violência e contrabando.
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