Gustavo Rodrigo Faria Mazzocato, de 25 anos, morreu durante a guerra na Ucrânia. Ele havia pedido ajuda urgente à Embaixada do Brasil para retornar ao país, segundo a família.
O paranaense Gustavo Rodrigo Faria Mazzocato, de 25 anos, que morreu durante a guerra na Ucrânia, havia pedido ajuda urgente à Embaixada do Brasil para retornar ao país, segundo a família.
A morte foi confirmada no domingo (4) pelo comandante da unidade em que ele atuava, a 60ª Brigada ucraniana, segundo Rafaela Alves, esposa de Gustavo.
Família recebeu a notícia da morte de Gustavo no dia 4 de janeiro. — Foto: Arquivo pessoal
O paranaense Gustavo Rodrigo Faria Mazzocato, de 25 anos, que morreu durante a guerra na Ucrânia, havia pedido ajuda urgente à Embaixada do Brasil para retornar ao país, segundo a família. O pedido foi feito por e-mail em 27 de julho de 2025, seis dias após ele chegar à Ucrânia.
A morte de Gustavo, em uma missão na região de Donbass, foi confirmada no último domingo (4) pelo comandante da unidade em que ele atuava, a 60ª Brigada ucraniana, segundo Rafaela Alves, esposa de Gustavo. O casal estava junto há cinco anos e tem um filho de três. Eles são de Curitiba, e Rafaela morava em Brasília com o filho.
No e-mail, ao qual o g1 teve acesso, Gustavo relatou dificuldades logo no início da estadia no país. Ele não obteve resposta, segundo a esposa.
Vim ao país como voluntário, mas neste momento me encontro sem recursos financeiros, sem abrigo e sem condições de permanecer aqui. Estou em situação de vulnerabilidade e preciso de orientação urgente
— escreveu.
Segundo a companheira, Gustavo estava com medo e disse que havia sido enganado.
Gustavo chegou a pedir ajuda para voltar ao Brasil — Foto: Arquivo pessoal
Falaram que ele ficaria na artilharia [apoio à distância, sem contato direto], mas acabou sendo colocado na infantaria [focada no combate direto e ocupação de terreno], que era algo que ele não queria
— contou.
O Ministério das Relações Exteriores, por intermédio da Embaixada do Brasil em Kiev, informou ao g1 que não pode repassar informações dos serviços solicitados por Gustavo e permanece à disposição para prestar assistência consular aos nacionais brasileiros.
O Ministério das Relações Exteriores divulgou em junho do ano passado um alerta para que brasileiros recusem propostas de alistamento voluntário em forças armadas estrangeiras. Veja abaixo.
Gustavo deixa um filho de três anos — Foto: Arquivo pessoal
Rafaela afirma que mantinha contato frequente com o companheiro por meio de um oficial de comunicações.
Eu recebia notícias dele pelo menos uma vez por semana. Na última semana, não recebi nada. Mandei mensagem para o comandante e foi ele quem confirmou a morte
— disse.
O último contato entre o casal ocorreu na madrugada de 29 de dezembro, por volta das 4h50, quando Rafaela recebeu áudios enviados por um oficial. Em uma das mensagens, com cerca de 50 segundos, Gustavo disse que tinha esperança de voltar ao Brasil, que o contrato estava perto do fim e que sentia saudades da família, especialmente dos avós.
Antes de ir para a guerra, Gustavo trabalhava como administrador e também atuava como motoboy. Ele serviu ao Exército Brasileiro em 2018. Segundo a esposa, ele tinha o sonho de seguir os passos do avô e do tio, que também eram militares.
Gustavo era uma pessoa muito amada, conquistava o coração de todos por onde passava. Sonhava em servir o país. Era um pai incrível, com o sonho de dar uma vida melhor para o filho
— afirmou a esposa.
Ele foi para a Ucrânia em julho de 2025. Segundo a família, ele passou por um treinamento básico de cerca de 20 dias e foi informado de que participaria de uma missão de curta duração, de aproximadamente 15 dias. Após ser enviado para a missão, ficou meses sem contato direto.
Informações obtidas pela família com outros brasileiros que atuam na região indicam que Gustavo estava na linha de frente, em uma área conhecida como Donbass, quando houve o avanço das tropas russas.
Após a confirmação da morte, Rafaela tentou novo contato com o comandante da unidade, mas não recebeu mais respostas. Ela também contatou o consulado e a embaixada brasileira. O corpo dele não deve ser enviado ao Brasil.
Em junho do ano passado, o Ministério das Relações Exteriores divulgou um alerta sobre o alistamento voluntário de brasileiros em forças armadas estrangeiras, no contexto de guerras armadas.
Segundo o órgão, tem sido registrado aumento no número de casos brasileiros que morrem em conflito ou que encontram dificuldades para interromper a participação no serviço.
severamente limitada pelos termos dos contratos assinados entre os voluntários e as forças armadas de outros países
— Por isso, o ministério recomendou que propostas de trabalho para fins militares sejam recusadas. De acordo com o órgão, a assistência consular, nesses casos, pode ser .
A guerra na Ucrânia começou em fevereiro de 2022, quando o presidente russo Vladimir Putin autorizou uma ofensiva militar contra o território ucraniano. Desde então, a guerra provocou milhares de mortes, milhões de refugiados e intensos combates, especialmente no leste e sul do país.
A Ucrânia conta com apoio militar, financeiro e humanitário de países ocidentais, como os Estados Unidos e a União Europeia. A Rússia, por outro lado, enfrenta sanções econômicas internacionais.
Apesar das negociações em curso, não há perspectiva concreta de fim da guerra.
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