A Prefeitura de São Paulo abriu a consulta pública sobre o projeto de urbanização do Complexo de Paraisópolis, na zona sul da capital paulista, que prevê requalificar ruas e calçadas, aterramento de fiação e arborização de áreas.
A proposta, anunciada pelo prefeito Ricardo Nunes (MDB) na última quarta-feira (7/1), também removerá cerca de 2 mil moradias para conjuntos habitacionais dentro do próprio complexo. De acordo com a gestão municipal, moradores e comerciantes impactados poderão receber indenização.
A consulta pública tem por objetivo coletar contribuições da população sobre o projeto e fica disponível no site da prefeitura até 19 de janeiro. Em seguida, demais órgãos públicos terão cinco dias para enviar suas sugestões.
As manifestações podem ser feitas especificamente sobre os temas de infraestrutura, habitação e equipamentos públicos, contribuindo diretamente para o aprimoramento das propostas apresentadas.
Finalizada a etapa de consulta pública, as contribuições recebidas serão sistematizadas e servirão de subsídio para o aprimoramento do projeto, que seguirá para a fase de licitação das obras
— completa a prefeitura. Segundo a gestão, a meta é dar início às obras ainda neste ano.
A urbanização de Paraisópolis custará R$ 1,6 bilhão aos cofres públicos e deve atingir também outras comunidades, como o Jardim Colombo e Porto Seguro. A obra será financiada com recursos arrecadados na venda dos Certificados de Potencial Adicional de Construção (CEPACs), que liberaram construtoras para subirem prédios mais altos na região da Faria Lima, na Operação Urbana Faria Lima.
O projeto prevê a remoção de cerca de 2 mil moradias para conjuntos habitacionais dentro do próprio complexo.
Segundo Ricardo Nunes, a medida permitirá tornar mais acessíveis vielas estreitas do complexo de favelas onde hoje não é possível passar com uma cadeira de rodas, por exemplo. Segundo ele, algumas das vielas de Paraisópolis têm apenas 60 cm de largura e ficarão com até 3 metros depois das obras.
Quantos aos comerciantes afetados pelas intervenções nas vias do bairro, Nunes informou que haverá indenização.
Eu aprovei uma lei que me permite isso. Ela vai lá e avalia o valor daquele imóvel, a gente indeniza e essas pessoas saem do local. No comércio é a mesma coisa. A gente está num diálogo intenso e bastante aberto com a comunidade de Paraisópolis para eles entenderem a importância que é de a gente revitalizar tudo aquilo
— disse o prefeito durante agenda de entrega de um bosque urbano na zona norte, na quinta-feira (7/1).
Dentre as melhorias, estão previstos abertura de até 17,8 km de ruas e vielas, enterramento de fiação, instalação de novas iluminações públicas, drenagem, saneamento e arborização.
Um dos principais destaques do projeto é o prolongamento da Avenida Hebe Camargo, que criará uma ligação importante para o acesso à estação São Paulo-Morumbi, da Linha 4-Amarela do metrô.
Também será implantado o Pavilhão Cultural do Grotão, com 7.500 metros quadrados, e a requalificação da Casa Hans Broos como polo cultural e artístico na região.
UPA 24 horas, CAPS e novos equipamentos educacionais e esportivos também fazem parte do planejamento da gestão municipal. Já na área de meio ambiente, será implantando o Parque Linear Itapaiúna.
Durante reunião na última terça-feira (6/01), o secretário de Segurança Urbana, Orlando Morando, interveio na apresentação sugerindo que uma base da Guarda Civil Metropolitana (GCM) fosse instalada dentro da comunidade. O equipamento não estava previsto inicialmente no projeto. Participantes do encontro chegaram a apontar uma sugestão de local para a implantação.
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