Já nos primeiros dias de 2026, os Estados Unidos retomaram as manchetes por todo o mundo com a prisão do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, no ataque mais forte contra um país da América Latina em décadas.
Estava de férias e quer ficar por dentro? O g1 resume abaixo tudo sobre o ataque, com todos os detalhes do ataque norte-americano em Caracas, a repercussão e os próximos passos do processo de Maduro pela Justiça dos EUA.
Aeronaves são vistas voando baixo durante explosões em Caracas
O Exército dos Estados Unidos realizou bombardeios em Caracas e em outras regiões da Venezuela na madrugada do sábado (3) para a captura de Maduro. Os primeiros ataques foram ouvidos na capital venezuelana a partir das 3h no horário de Brasília.
A operação foi descrita como "discreta, precisa e conduzida no escuro da madrugada" pelo general Dan Caine, chefe do Estado-Maior do Exército dos EUA. A ação foi autorizada pelo presidente americano, Donald Trump, às 0h46 de sábado, também no fuso de Brasília.
Segundo Caine, os EUA lançaram cerca de 150 aeronaves sobre o espaço aéreo venezuelano, entre jatos de guerra F-18, F-22 e F-35, bombardeiros B-1, helicópteros de operações especiais e drones de vigilância.
Primeiro, jatos realizaram bombardeios em instalações militares e em defesas aéreas da Venezuela. Depois, aeronaves EA-18 Growler fizeram um ataque à rede elétrica da capital Caracas, deixando-a no escuro.
O ataque inicial abriu caminho para helicópteros da Força Especial Delta se dirigirem em segurança para o Fuerte Tiuna, no sul de Caracas, onde Maduro estava escondido. As tropas americanas chegaram ao local às 3h01 e trocaram tiros com forças de segurança presidenciais, segundo Caine.
Logo depois, os soldados chegaram até Maduro logo antes dele conseguir fechar a porta de um bunker. O presidente venezuelano e sua esposa, Cilia Flores, foram capturados e levados para os Estados Unidos.
Ainda não se tem um número exato de mortes causadas pelo ataque dos EUA, porque o governo da Venezuela ainda não divulgou um balanço oficial até a última atualização desta reportagem.
No entanto, fontes venezuelanas afirmaram ao jornal americano "The New York Times" que ao menos 40 pessoas morreram.
O governo de Cuba e o ministério venezuelano das Relações Exteriores confirmaram nesta segunda-feira que 32 cidadãos cubanos morreram no ataque dos EUA. Ainda não se sabe se essas mortes foram incluídas no balanço da mídia norte-americana.
O ministro da Defesa venezuelano, Vladimir Padrino, afirmou que "uma grande parte" da equipe de segurança de Maduro foi morta durante a operação dos EUA, porém sem dar um número preciso.
Donald Trump prometeu explorar as reservas de petróleo da Venezuela — Foto: NICOLE COMBEAU/POOL/EPA/Shutterstock
Muitos países criticaram o ataque dos EUA na Venezuela, afirmando que constitui uma grave violação do direito internacional. Segundo especialistas, um ataque militar em um país soberano é um ato de guerra.
O governo Trump, no entanto, esquivou-se de acusações dessa natureza e evitou falar em ato de guerra. A Casa Branca justificou a ação militar como necessária para dar apoio ao Departamento de Justiça norte-americano para fazer cumprir um mandado de prisão contra Maduro.
O presidente venezuelano é alvo das seguintes acusações pela Justiça dos EUA:
Maduro e sua esposa foram transferidos ainda no fim de semana para uma prisão em Nova York e comparecerá nesta segunda-feira em um tribunal em Manhattan para ouvir as acusações.
Um petroleiro venezuelano da estatal PDVSA participa do enchimento de um petroleiro no terminal de embarque e armazenamento de José, 320 quilômetros a leste de Caracas, 12 de fevereiro de 2003 — Foto: Reuters
Por trás do ataque e das acusações de narcotráfico contra Maduro, o real interesse do governo Trump está no petróleo da Venezuela, segundo especialistas. Isso porque o território venezuelano é lar da maior reserva de petróleo do mundo, com cerca de 303 bilhões de barris.
Ainda na manhã de sábado, Trump disse em entrevista à TV norte-americana "Fox News" que os EUA terão um "forte envolvimento" com o petróleo da Venezuela. O presidente norte-americano também disse que empresas dos EUA retornarão ao território venezuelano, como era antes de uma estatização realizada por Hugo Chávez entre 2007 e 2009.
O secretário de Estado americano, Marco Rubio, afirmou no domingo que os EUA vão impor uma “quarentena do petróleo” já existente na Venezuela. O bloqueio a navios petroleiros do país continua.
Leia nesta matéria mais detalhes sobre os planos do governo Trump para o petróleo venezuelano.
A comunidade internacional repudiou o ataque dos EUA e pediu que a situação não escale ainda mais. A Rússia e a China, tidos como os maiores aliados do regime Maduro, emitiram repúdios e exigiram a imediata libertação do presidente venezuelano, porém parou por aí. Mas, na prática, pouco pode ser feito para de fato frear as ações do governo Trump.
Em teoria, órgãos multilaterais como a Organização das Nações Unidas (ONU) teriam o poder de frear ações como essa, porém isso não acontece. Os EUA, por exemplo, possui o poder de veto em reuniões do Conselho de Segurança da ONU. O secretário-geral da ONU, António Guterres, disse que o ataque norte-americano na Venezuela abre um "precedente perigoso".
A Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac) fez uma cúpula de emergência no domingo, porém o encontro terminou sem acordo por um posicionamento. Enquanto Brasil, Colômbia, Uruguai e Espanha (que entrou como convidada) demonstraram preocupação, países alinhados ao governo Trump como a Argentina, Paraguai e Bolívia se opuseram apoiaram a ação.
O Congresso norte-americano também protestou: congressistas disseram que foram enganados pela Casa Branca, que havia dito que o objetivo da ofensiva na Venezuela não era mudança de regime, e exigiram explicações.
A União Europeia, aliada dos EUA, pediu uma "transição pacífica para a democracia" na Venezuela, porém não foi contundente no repúdio à ação militar do governo Trump.
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Fonte: Agências