O Agente Secreto foi filmado em 50 diárias, com 200 figurantes e 169 veículos antigos para recriar o Brasil de 1977.
Grande parte das cenas aconteceu no Recife, que virou personagem do longa e ganhou até sabor inusitado em lanchonete histórica.
Sucesso de público e crítica, o filme já soma 48 prêmios e é favorito ao Globo de Ouro após conquistar bilheteria recorde em 2025.
Rodado ao longo de 50 diárias, em dez semanas, o filme O Agente Secreto chamou atenção pelo cuidado com os detalhes para recriar o Brasil de 1977, durante a ditadura militar. O longa, estrelado por Wagner Moura, concorre a três categorias do Globo de Ouro no domingo (11) e teve suas gravações, em grande parte, distribuídas pelas paisagens históricas do Recife (veja vídeo acima).
A produção mobilizou até 200 figurantes e 169 veículos antigos, incluindo 41 fuscas, todos cedidos por colecionadores de várias regiões do país. Além do Recife, as gravações aconteceram em São Paulo e em Brasília, com 30 locações e três cenários montados em estúdio: o antigo Aeroporto dos Guararapes, o Instituto de Medicina Legal (IML) e o posto de gasolina da cena de abertura.
De acordo com a Vitrine Filmes, produtora e distribuidora brasileira responsável pelo longa, até o equipamento de gravação foi minuciosamente selecionado: foram usadas câmeras Alexa 35 com lentes anamórficas (com campo de visão mais amplo) do acervo Panavision, de Los Angeles, para dar ao longa um visual granulado e reforçar a sensação de realismo histórico.
O governo de Pernambuco, a prefeitura do Recife e instituições como a Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) colaboraram para viabilizar ações como o fechamento de grandes ruas e filmagens em prédios históricos.
Grande parte das cenas foi gravada na capital pernambucana, cidade natal do diretor Kleber Mendonça Filho.
O Parque Treze de Maio, no Centro, aparece em uma das sequências mais curiosas: nela surge a Perna Cabeluda, personagem do folclore regional, usada como analogia à violência da ditadura.
O Cinema São Luiz, as pontes sobre o Rio Capibaribe e o Ginásio Pernambucano também são cenários do longa. A escolha das locações foi estratégica para manter a atmosfera da década de 1970.
A gente conseguiu encontrar ótimas estruturas, prédios ainda inteiros, de pé para que esse trabalho fosse feito [...] para que a direção de arte possa trabalhar esses pequenos elementos de texturas, de cores, de formas, de móveis, dos veículos na rua
— explicou Mariana Jacob.
Vista aérea do Cinema São Luiz, no Recife — Foto: TV Globo/Reprodução
Em cartaz há dois meses, O Agente Secreto já foi visto por mais de 1 milhão de pessoas nos cinemas brasileiros e acumula 48 prêmios, incluindo Melhor Diretor e Melhor Ator no Festival de Cannes.
No domingo (4), venceu o prêmio de Melhor Filme Internacional no Critics Choice Awards, nos Estados Unidos. O feito é inédito para o país.
Além da crítica, o longa também conquistou o público e se tornou uma marca, para as muitas pessoas que participaram da produção. Um deles é Antoliano Azevedo, dono do fusca amarelo usado pelo protagonista. Ele guarda com carinho a placa feita para o filme.
No Centro do Recife, o Chá Mate Brasília, no bairro de Santo Antônio, também entrou para a história do filme. A tradicional lanchonete precisou mudar a decoração para se transformar em cenário e, depois disso, ganhou até um novo sabor inspirado na história.
A gente teve que tirar os adesivos, equipamentos… Essa máquina aqui, ainda botou uma mais antiga. O balcão permaneceu, algumas placas ficaram. [...] Acho que chamou atenção os azulejos, as placas, e o layout, que é antigo, é o DNA do meu pai
— contou José Suevânio, dono do Chá Mate Brasília.
Fusca amarelo do filme 'O Agente Secreto' em frente ao Chá Mate Brasilia, utilização como locação do longa — Foto: TV Globo/Reprodução
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