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Janeiro seco: especialistas dão dicas de como passar o mês sem beber

Começar o ano com novas metas costuma vir acompanhado de promessas ligadas à saúde, ao corpo e ao bem-estar. É nesse contexto que cresce, também no Brasil, a...

Voz do Sertão
Redação: Voz do Sertão 09/01/2026 às 03:20 · Atualizado há 2 dias
Janeiro seco: especialistas dão dicas de como passar o mês sem beber
Foto: Reprodução / Arquivo

Começar o ano com novas metas costuma vir acompanhado de promessas ligadas à saúde, ao corpo e ao bem-estar. É nesse contexto que cresce, também no Brasil, a adesão ao chamado Dry January — ou “Janeiro seco” — um desafio pessoal que propõe passar todo o mês sem consumir bebidas alcoólicas.

A ideia não é apenas “ficar sem beber”, mas observar como o corpo e a mente reagem à pausa e usar esse período como um teste para hábitos mais saudáveis ao longo do ano.

Segundo a nutricionista Carla Virginia, do Grupo Chavantes, mesmo quem não bebe todos os dias pode sentir efeitos importantes ao suspender o álcool por algumas semanas. Isso acontece porque o etanol interfere diretamente no metabolismo e no aproveitamento de nutrientes essenciais.

Entre os mais afetados estão as vitaminas do complexo B, ligadas à energia, ao sistema nervoso e ao humor; o magnésio, importante para relaxamento e sono; o zinco, essencial para a imunidade; além das vitaminas A e D e do cálcio, fundamentais para a saúde da pele e dos ossos.

Nas primeiras semanas sem bebida, os sinais de melhora costumam aparecer rapidamente. De acordo com Carla, entre a primeira e a quarta semana, muitas pessoas relatam sono mais profundo e regular, menos inchaço abdominal, energia mais estável ao longo do dia, redução da vontade por açúcar, melhora da digestão e até da concentração e do humor.

Um erro comum, segundo a especialista, é achar que beber apenas aos fins de semana não traz impactos. Em quantidades pequenas e ocasionais, de uma a duas doses, o efeito costuma ser discreto para pessoas saudáveis. O problema está no excesso concentrado.

Guardar tudo para o fim de semana, com quatro, seis ou mais doses, pode prejudicar o sono por até dois dias, aumentar a inflamação, desregular o apetite e dificultar tanto o controle de peso quanto a recuperação muscular

— explica. Do ponto de vista nutricional, o padrão exagerado pesa mais do que a frequência isolada.

Segundo a especialista, não existe bebida “inofensiva”. Apesar de diferenças entre fermentadas e destiladas, o principal fator negativo é sempre o etanol. Vinhos têm pequenas quantidades de polifenóis e cervejas carregam mais carboidratos, com maior impacto glicêmico. Já os destilados costumam ter menos carboidratos, mas maior teor alcoólico, o que os torna mais agressivos ao fígado quando consumidos em excesso.

Para quem sente dificuldade em ficar sem beber, a alimentação pode ser uma aliada importante. A nutricionista explica que a vontade por álcool muitas vezes está ligada à hipoglicemia, ao estresse, a deficiências de magnésio ou vitaminas do complexo B e também ao hábito emocional.

Nesse cenário, refeições com boa oferta de proteínas, carboidratos complexos e alimentos ricos em magnésio ajudam a estabilizar a energia e reduzir o impulso. Chás calmantes e até água com gás, limão ou gengibre podem funcionar como substitutos do “ritual” da bebida.

O desafio do Janeiro seco não é apenas físico. A psicóloga Carolina Caetano, também do Grupo Chavantes, explica que, para muitas pessoas, o álcool está profundamente ligado a hábitos sociais e à forma de lidar com emoções.

Além disso, o consumo é amplamente normalizado, o que dificulta perceber quando ele passa a ocupar um lugar central na regulação emocional. Segundo a psicóloga, o consumo geralmente começa como algo social, mas, com o tempo, pode se transformar em um recurso frequente para aliviar estresse, ansiedade e cansaço.

Se a pessoa sente muita dificuldade em manter a decisão, perde o controle ou apresenta sintomas como irritabilidade intensa, ansiedade ou desconforto físico, isso funciona como um sinal de alerta

— É por isso que um período sem beber ajuda a diferenciar um hábito pontual de uma relação que já merece atenção. , afirma.

Esses sintomas, aliás, são comuns nas primeiras semanas sem álcool. Carolina explica que o cérebro precisa se reajustar, já que o álcool atua como um regulador emocional.

Durante essa fase de adaptação, podem surgir alterações de humor, inquietação, ansiedade e dificuldades para dormir, especialmente quando havia consumo frequente ou excessivo. Isso não significa, necessariamente, um transtorno, mas indica a importância do autocuidado e, em alguns casos, da busca por orientação profissional.

Para atravessar o mês sem frustração, a psicóloga orienta encarar o Janeiro seco não como privação, mas como uma experiência temporária de cuidado com a saúde.

Evitar, ao menos no início, ambientes que estimulem o consumo pode ajudar bastante. Em situações sociais inevitáveis, ter clareza da decisão e evitar explicações longas é fundamental.

Ao final do mês, mais do que cumprir um desafio, a proposta é sair com mais consciência sobre o próprio corpo, os limites e a relação com a bebida.

Para muita gente, o janeiro sem álcool se transforma no ponto de partida para escolhas mais equilibradas ao longo do ano — com menos culpa, mais informação e hábitos que realmente fazem sentido no dia a dia.

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