ONG Iran Human Rights afirmou que a quarta-feira (7) foi o dia mais sangrento desde o início dos protestos no Irã.
Segundo a entidade, ao menos 13 pessoas morreram, elevando para 45 o total de mortos em várias regiões do país.
As manifestações começaram no mês passado, com protestos na capital, Teerã, contra os graves problemas econômicos enfrentados pela população e a forte desvalorização da moeda nacional, o rial.
A crise se agravou após anos de sanções internacionais, enquanto o país ainda se recupera da guerra contra Israel em junho.
Organizações de direitos humanos acusaram nesta quinta-feira (8) as forças de segurança do Irã de atirar contra manifestantes, em meio a relatos de dezenas de mortes em várias regiões do país.
A ONG de direitos humanos Iran Human Rights (IHR), com sede na Noruega, afirmou que as forças de segurança já mataram pelo menos 45 manifestantes, incluindo oito menores. Segundo a entidade, a quarta-feira (7) foi o dia mais sangrento desde o início dos protestos, com 13 mortes confirmadas.
As manifestações começaram no mês passado, com protestos na capital, Teerã, contra os graves problemas econômicos enfrentados pela população e a forte desvalorização da moeda nacional, o rial.
A crise se agravou após anos de sanções internacionais, enquanto o país ainda se recupera da guerra contra Israel em junho.
A ONU e a comunidade internacional têm a responsabilidade de agir de forma decisiva, dentro da estrutura do direito internacional, para evitar o assassinato em massa de manifestantes
— afirmou.
O movimento teve origem no fechamento de um popular mercado em Teerã, em 28 de dezembro, após o rial despencar para mínimas históricas.
Desde então, os protestos se espalharam por todo o país e se transformaram em manifestações de grande escala que questionam a legitimidade do governo islâmico.
Com os atos se espalhando por todo o Irã, a agência de notícias independente Human Rights Activists News Agency (Hrana), sediada nos Estados Unidos, informou que foram registradas manifestações em 348 localidades, nas 31 províncias iranianas.
Imagens verificadas pela agência de notícias AFP e compartilhadas nas redes sociais mostravam uma grande concentração de manifestantes no boulevard Aiatolá Kashani, uma importante avenida no noroeste da capital iraniana.
Comércios e bazares foram fechados em Tabriz, no noroeste do país, e na cidade de Bandar Abbas, importante centro da indústria petrolífera, segundo vídeos divulgados por ONGs e ativistas nas redes sociais.
Os protestos são os maiores no Irã desde as grandes manifestações ocorridas entre 2022 e 2023, desencadeadas pela morte da jovem Mahsa Amini sob custódia da polícia. Ela havia sido presa por supostamente violar o código de vestimenta imposto às mulheres.
Manifestantes marcharam no centro de Teerã, Irã, contra a situação econômica do país, em 29 de dezembro de 2025 — Foto: Fars via AP
A Hrana publicou imagens que, segundo a agência, mostram forças de segurança atirando com armas de fogo contra manifestantes na cidade de Kermanshah.
Grupos de direitos humanos também acusaram as autoridades de recorrer a táticas como a invasão de hospitais para deter manifestantes feridos.
durante esforços para controlar os distúrbios
— Na quarta-feira (7), um policial iraniano foi morto a facadas a oeste de Teerã , informou a agência de notícias Fars, próxima à Guarda Revolucionária iraniana.
O presidente iraniano Masoud Pezeshkian — Foto: Site presidencial do Irã/WANA (West Asia News Agency)/Divulgação via REUTERS
O presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, ordenou na quarta-feira que as forças de segurança diferenciem os manifestantes motivados pela situação econômica dos “desordeiros” que, segundo ele, atuam contra a segurança nacional.
devem ser evitados quaisquer comportamentos violentos ou coercitivos
— Ele pediu o máximo de contenção e afirmou que .
A porta-voz do governo, Fatemeh Mohajerani, classificou os manifestantes como “nossos filhos” e defendeu o diálogo.
não haverá clemência para quem ajuda o inimigo contra a República Islâmica
— Menos conciliador, o chefe do Judiciário iraniano, Gholamhosein Mohseni Ejei, afirmou que e acusou os Estados Unidos e Israel de tentarem desestabilizar o país.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaçou nesta quinta-feira tomar medidas drásticas contra o Irã se autoridades do país “começarem a matar pessoas”, alertando que Washington “as atingirá com muita força”.
O ministro das Relações Exteriores da Alemanha, Johann Wadephul, condenou o “uso excessivo da força” contra os manifestantes.
dados em tempo real mostram que o Irã está em meio a um apagão nacional da internet
— A organização de monitoramento Netblocks afirmou nesta quinta-feira que .
Dados da empresa Cloudflare indicaram uma queda de cerca de 90% no tráfego da internet na noite de quinta-feira. O acesso limitado parecia permanecer disponível apenas para partes do governo e do aparato de segurança.
Com o acesso à internet severamente restrito, poucas informações conseguem sair do país. Apagões semelhantes também foram registrados durante os protestos de 2022 e 2023.
Reza Pahlavi, filho do xá deposto pela Revolução Islâmica de 1979 e uma das principais figuras da oposição no exílio, convocou protestos de grande porte para esta quinta-feira.
Antes do apagão, ele alertou que as autoridades poderiam cortar o acesso à internet para impedir a disseminação de informações.
De segunda a sábado, as notícias que você não pode perder diretamente no seu e-mail.
Ataque dos EUA à Venezuela abre precedente para China usar força militar; entenda
Lula conversa com líderes da Colômbia, Canadá e México sobre Venezuela
EUA estudam oferecer até US$ 100 mil a habitantes da Groenlândia para anexar ilha
Venezuela liberta ex-candidato à presidência, Enrique Márquez
França votará contra acordo entre União Europeia e Mercosul, diz Macron
Minneapolis tem mais um dia de protestos após mulher ser morta por agente do ICE
Relator no Senado apresenta PL por anistia total após Lula vetar dosimetria
Bolsonaro pede autorização a Moraes para reduzir pena lendo livros