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Farra do INSS: conta de zelador no DF movimentou R$ 600 mil em um mês

A conta bancária de um zelador desempregado que mora no Gama (DF) foi utilizada para movimentar dinheiro de empresas pertencentes à Lucineide dos Santos de O...

Voz do Sertão
Redação: Voz do Sertão 09/01/2026 às 02:40 · Atualizado há 1 dia
Farra do INSS: conta de zelador no DF movimentou R$ 600 mil em um mês
Foto: Reprodução / Arquivo

A conta bancária de um zelador desempregado que mora no Gama (DF) foi utilizada para movimentar dinheiro de empresas pertencentes à Lucineide dos Santos de Oliveira, sócia da Associação dos Aposentados do Brasil (AAB) – uma das instituições investigadas na farra do INSS.

De acordo com documento obtido pelo Metrópoles, R$ 610 mil circularam pela conta do brasiliense em apenas um mês de 2024. Desse valor total, R$ 302,4 mil se referem a créditos e R$ 307,9 mil, a débitos. A informação consta em relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) enviado à CPMI do INSS.

Parte do valor foi enviado ao zelador a vista pelas empresas Solution Serviços de Locação e a Impacto Serviços de Apoio, ambas pertencentes a Lucineide. Um bombeiro militar do DF também teria feito um Pix de R$ 70 mil para a conta, assim como um outro servidor público, que mandou R$ 38 mil em duas parcelas.

Uma terceira transferência feita por uma pessoa identificada como Dennys Bezerra chamou atenção do Coaf. Isso porque o valor de R$ 63.627,00 foi repassado pelo homem em 14 transações no período de um mês.

Ainda segundo o relatório encaminhado à CPMI do INSS, após a entrada dos créditos, os valores foram imediatamente repassados para outras partes. Uma das saídas foi para uma segunda conta registrada com dados pessoais do zelador. Dessa vez, R$ 150,1 mil foram transferidos em 5 transações.

Uma segunda saída, no valor de R$ 93,2 mil, foi repassada em 6 transações para Dennys Bezerra; e uma terceira, de R$ 27,2 mil, enviada via Pix para uma enfermeira. Segundo o Coaf, o valor restante foi fracionado para “outras contrapartes” não mencionadas.

No relatório, o órgão disse que a conta do zelador já havia sido reportada outras duas vezes antes de constar no levantamento encaminhado a CPMI do INSS.

incompatíveis com o perfil do zelador e capacidade financeira

— Para o Coaf, as movimentações na conta são . Também há menções no relatório sobre “indícios de uso da conta em benefício de terceiros” e “repasses no mesmo dia de recebimento, dificultando o rastreamento”.

A Associação dos Aposentados do Brasil (AAB) é uma das várias organizações investigadas nos desvios de aposentadorias e pensões do INSS.

A instituição aparece em relatórios de pagamentos de pessoas ligadas a Confederação Nacional dos Agricultores e Empreendedores Familiares (Conafer), além de ambas terem sede no mesmo endereço. Números de telefone e e-mail também vinculam CNPJs de pessoas ligadas às duas associações.

Lucineide é uma das sócias da AAB. Ela é dona de uma igreja evangélica localizada no Recanto das Emas (DF). Estranhamente, um CNPJ pertencentes a Samuel Chrisostomo do Bomfim Junior, contador da Conafer, supostamente funciona no mesmo lugar em que está a instituição religiosa.

O Metrópoles esteve no local e encontrou apenas a instituição religiosa, erguida entre um centro catequético e um terreno baldio. Apesar disso, segundo dados da Receita Federal, a loja de Samuel está ativa no espaço, configurando a suspeita de ser uma empresa fantasma.

Em outro documento encaminhado a CPMI do INSS, uma movimentação envolvendo a mesma empresa de Lucineide e o lobista Danilo Berndt Trento também foi identificada.

Dessa vez, o relatório apontou uma transferência de R$ 100 mil feita pela Impacto Serviços de Apoio para a conta de Danilo no banco BK Bank- instituição investigada por supostamente lavar dinheiro para o Primeiro Comando da Capital (PCC).

Em 9 de outubro, Danilo Berndt Trento foi convocado pela CPMI do INSS para prestar depoimento. Segundo a Polícia Federal, o empresário teria atuado em conjunto como o ex-procurador-geral do INSS, Virgílio Antônio de Oliveira Filho, para desviar dinheiro das aposentadorias por meio de descontos irregulares nos benefícios.

A Polícia Federal (PF) e a Controladoria-Geral da União (CGU) deflagraram, em 13 de novembro, nova fase da Operação Sem Desconto, investigação que mira esquema nacional de descontos associativos não autorizados em aposentadorias e pensões. A ação mobilizou equipes em 17 estados e no Distrito Federal.

Ao todo, foram cumpridos 63 mandados de busca e apreensão, 10 mandados de prisão preventiva e diversas medidas cautelares. Entre os presos estão:

Os alvos estão espalhados por Espírito Santo, Goiás, Maranhão, Minas Gerais, Paraíba, Paraná, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, São Paulo, Sergipe, Tocantins e Distrito Federal.

Segundo as investigações, os suspeitos atuavam inserindo dados falsos em sistemas oficiais para incluir beneficiários em associações ou entidades fictícias. A partir disso, eram feitos descontos mensais indevidos diretamente nos pagamentos de aposentados e pensionistas, muitos deles sem qualquer conhecimento sobre as cobranças.

O grupo é investigado por formar organização criminosa voltada à obtenção de vantagens financeiras por meio de estelionato previdenciário, além de corrupção ativa e passiva para facilitar o acesso fraudulento aos sistemas do INSS.

Também há apurações sobre ocultação de patrimônio, supostamente utilizado para dificultar o rastreamento dos valores desviados.

O Metrópoles tentou contatar os citados, mas não obteve retorno até a última atualização do texto. O espaço segue aberto para futuras manifestações.

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