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Estudo associa consumo de conservantes a maior risco de diabetes

O consumo elevado de conservantes alimentares, muito presentes em produtos industrializados, foi associado a um risco maior de desenvolver diabetes tipo 2. A...

Voz do Sertão
Redação: Voz do Sertão 07/01/2026 às 11:10 · Atualizado há 2 dias
Estudo associa consumo de conservantes a maior risco de diabetes
Foto: Reprodução / Arquivo

O consumo elevado de conservantes alimentares, muito presentes em produtos industrializados, foi associado a um risco maior de desenvolver diabetes tipo 2. A conclusão vem de um amplo estudo francês que acompanhou hábitos alimentares e dados de saúde de aproximadamente 100 mil adultos ao longo de mais de uma década.

Os resultados foram publicados nesta quarta-feira (7/1) na revista Nature Communications e fazem parte de uma investigação conduzida por pesquisadores de institutos de saúde e alimentação da França ligados à Universidade Sorbonne Paris Nord e à Universidade Paris Cité.

Os conservantes fazem parte da família dos aditivos alimentares e são usados para prolongar a durabilidade de alimentos e bebidas. Em 2024, mais de 700 mil produtos cadastrados no banco Open Food Facts continham ao menos um conservante em sua composição.

No estudo, essas substâncias foram organizadas em dois grandes grupos. O primeiro reúne os conservantes não antioxidantes, que servem para frear o crescimento de microrganismos e retardar reações que fazem os alimentos se deteriorarem.

O segundo inclui os aditivos antioxidantes, que limitam a oxidação e ajudam a preservar características como cor, sabor e textura. Nas embalagens, esses compostos costumam aparecer identificados por códigos europeus que vão de E200 a E299 e de E300 a E399.

Embora experimentos em laboratório já indiquem que alguns desses aditivos podem afetar células, DNA e processos metabólicos, ainda havia poucas evidências populacionais sobre sua relação direta com a diabetes tipo 2.

Para investigar a possível ligação, a equipe analisou dados de 108.723 adultos participantes do estudo NutriNet-Santé. Entre 2009 e 2023, os voluntários informaram regularmente seu consumo alimentar, incluindo marcas e tipos de produtos industrializados, além de dados sobre saúde, estilo de vida e histórico médico.

Essas informações foram cruzadas com diferentes bases de dados e permitiram estimar a exposição individual a 58 conservantes identificados na dieta dos participantes. Desses, 17 compostos consumidos por pelo menos 10% da amostra foram avaliados de forma isolada.

As análises levaram em conta fatores como idade, sexo, nível socioeconômico, prática de atividade física, consumo de álcool e tabaco, além da qualidade geral da alimentação. Ao longo do acompanhamento, foram registrados 1.131 novos casos de diabetes tipo 2.

O diabetes é uma doença que tem como principal característica o aumento dos níveis de açúcar no sangue. Grave e, durante boa parte do tempo, silenciosa, pode afetar vários órgãos do corpo, tais como: olhos, rins, nervos e coração, quando não tratada

O diabetes surge devido ao aumento da glicose no sangue, que é chamado de hiperglicemia. Isso ocorre como consequência de defeitos na secreção ou na ação do hormônio insulina, que é produzido no pâncreas

A função principal da insulina é promover a entrada de glicose nas células, de forma que elas aproveitem o açúcar para as atividades celulares. A falta da insulina ou um defeito na sua ação ocasiona o acúmulo de glicose no sangue, que em circulação no organismo vai danificando os outros órgãos do corpo

Uma das principais causas da doença é a má alimentação. Dietas ruins baseadas em alimentos industrializados e açucarados, por exemplo, podem desencadear diabetes. Além disso, a falta de exercícios físicos também contribui para o mal

O diabetes pode ser dividido em três principais tipos. O tipo 1, em que o pâncreas para de produzir insulina, é a tipagem menos comum e surge desde o nascimento. Os portadores do tipo 1 necessitam de injeções diárias de insulina para manter a glicose no sangue em valores normais

Já o diabetes tipo 2 é considerada a mais comum da doença. Ocorre quando o paciente desenvolve resistência à insulina ou produz quantidade insuficiente do hormônio. O tratamento inclui atividades físicas regulares e controle da dieta

O diabetes gestacional acomete grávidas que, em geral, apresentam histórico familiar da doença. A resistência à insulina ocorre especialmente a partir do segundo trimestre e pode causar complicações para o bebê, como má-formação, prematuridade, problemas respiratórios, entre outros

Além dessas, existem ainda outras formas de desenvolver a doença, apesar de raras. Algumas delas são: devido a doenças no pâncreas, defeito genético, por doenças endócrinas ou por uso de medicamento

É comum também a utilização do termo pré-diabetes, que indica o aumento considerável de açúcar no sangue, mas não o suficiente para diagnosticar a doença

Os sintomas do diabetes podem variar dependendo do tipo. No entanto, de forma geral, são: sede intensa, urina em excesso e coceira no corpo. Histórico familiar e obesidade são fatores de risco

Alguns outros sinais também podem indicar a presença da doença, como saliências ósseas nos pés e insensibilidade na região, visão embaçada, presença frequente de micoses e infecções

O diagnóstico é feito após exames de rotina, como o teste de glicemia em jejum, que mede a quantidade de glicose no sangue. Os valores de referência são: inferior a 99 mg/dL (normal), entre 100 a 125 mg/dL (pré-diabetes), acima de 126 mg/dL (diabetes)

Qualquer que seja o tipo da doença, o principal tratamento é controlar os níveis de glicose. Manter uma alimentação saudável e a prática regular de exercícios ajudam a manter o peso saudável e os índices glicêmicos e de colesterol sob controle

Quando o diabetes não é tratado devidamente, os níveis de açúcar no sangue podem ficar elevados por muito tempo e causar sérios problemas ao paciente. Algumas das complicações geradas são surdez, neuropatia, doenças cardiovasculares, retinoplastia e até mesmo depressão

Os resultados mostraram que pessoas com maior consumo total de conservantes apresentaram aumento de 47% na incidência da doença em comparação com aquelas com ingestão mais baixa.

Quando analisados separadamente, os conservantes não antioxidantes estiveram associados ao aumento de 49% no risco, enquanto os antioxidantes foram ligados à elevação de 40%.

Entre os compostos específicos, 12 apresentaram associação positiva com a diabetes tipo 2, incluindo aditivos amplamente usados como nitrito de sódio, sorbato de potássio, propionato de cálcio, ácido cítrico e ácido fosfórico.

Segundo ela, embora os resultados ainda precisem ser confirmados por outras pesquisas, eles são coerentes com achados experimentais prévios.

Para os autores, os dados reforçam a importância de revisar normas que regulam o uso de aditivos pela indústria alimentícia.

Touvier também destaca que os achados dão respaldo científico a recomendações já presentes em políticas de saúde pública.

Os autores ressaltam que o estudo é observacional e não estabelece uma relação direta de causa e efeito. Ainda assim, o tamanho da amostra, o longo período de acompanhamento e o detalhamento das informações alimentares colocam a pesquisa entre as mais robustas já realizadas sobre o tema.

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