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Estudo aponta desafios do diagnóstico de autismo em idosos no Brasil

O Transtorno do Espectro Autista (TEA) costuma ser associado à infância, mas acompanha a pessoa ao longo de toda a vida. Ainda assim, o reconhecimento do aut...

Voz do Sertão
Redação: Voz do Sertão 10/01/2026 às 13:20 · Atualizado há 1 semana
Estudo aponta desafios do diagnóstico de autismo em idosos no Brasil
Foto: Reprodução / Arquivo

O Transtorno do Espectro Autista (TEA) costuma ser associado à infância, mas acompanha a pessoa ao longo de toda a vida. Ainda assim, o reconhecimento do autismo em adultos mais velhos permanece pouco discutida e raramente diagnosticada.

Um estudo conduzido por pesquisadores da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR) chama atenção para esse cenário ao estimar que mais de 300 mil brasileiros com 60 anos ou mais vivem com algum grau do transtorno, muitas vezes sem diagnóstico formal ou acesso a suporte adequado.

As estimativas globais indicam que cerca de 70 milhões de pessoas no mundo vivem no espectro, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS).

No Brasil, o tema passou a contar com dados oficiais a partir do Censo Demográfico de 2022, que investigou pela primeira vez a prevalência do TEA no país. Embora os sinais do transtorno apareçam ainda na infância, o diagnóstico em idades mais avançadas segue pouco frequente, especialmente entre a população idosa.

Com base nos dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), pesquisadores do programa de pós-graduação em Ciências da Saúde da PUCPR identificaram que a prevalência autodeclarada de TEA entre pessoas com 60 anos ou mais foi de 0,86%. Esse percentual equivale a aproximadamente 306.836 indivíduos. A taxa foi ligeiramente maior entre homens, com 0,94%, do que entre mulheres, com 0,81%.

O trabalho foi publicado na revista científica International Journal of Developmental Disabilities em 29 de outubro e reforça a necessidade de ampliar o olhar das políticas públicas para uma população que envelhece com o transtorno, mas permanece em grande parte invisível nos serviços de saúde.

Para a pesquisadora Uiara Raiana Vargas de Castro Oliveira Ribeiro, autora do estudo, os dados revelam uma lacuna importante no conhecimento científico.

Segundo ela, pessoas que envelhecem no espectro tendem a enfrentar desafios adicionais. Há indícios de redução na expectativa de vida e maior frequência de comorbidades psiquiátricas, como ansiedade e depressão. Também são observados riscos mais elevados de declínio cognitivo e de problemas clínicos, incluindo doenças cardiovasculares e alterações metabólicas.

Essas condições se somam a dificuldades já conhecidas do TEA, como barreiras na comunicação, maior sensibilidade a estímulos sensoriais e padrões rígidos de comportamento.

Identificar o TEA em pessoas idosas é um processo complexo. As dificuldades vão desde a escassez de profissionais capacitados até as mudanças nos critérios diagnósticos ao longo das últimas décadas, o que faz com que muitos adultos tenham passado a vida sem uma avaliação adequada.

Em idosos, características como isolamento social, rigidez comportamental e interesses restritos podem ser interpretadas como sintomas de ansiedade, depressão ou até demência

— Além disso, comportamentos comuns no espectro podem ser confundidos com outros quadros clínicos. , explica Uiara.

Por isso, o diagnóstico exige uma análise cuidadosa da trajetória de vida do indivíduo e a avaliação por profissionais especializados.

Apesar de tardio, o diagnóstico costuma ser vivido de forma positiva por muitos idosos. Segundo a pesquisadora, ele frequentemente traz alívio.

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