Rochas vulcânicas encontradas na Austrália Ocidental estão ajudando cientistas a reconstruir os capítulos mais antigos da história do planeta. Ao analisar minúsculos cristais preservados nesses materiais, pesquisadores identificaram sinais químicos que funcionam como registros naturais do interior da Terra primitiva e oferecem novas pistas sobre a formação dos continentes e o nascimento da Lua.
O estudo foi liderado pela doutoranda Matilda Boyce da Universidade da Austrália Ocidental (UWA), e reuniu cientistas da Universidade Curtin, do Serviço Geológico da Austrália Ocidental e da Universidade de Bristol, no Reino Unido. Os resultados foram publicados na revista Nature Communications em outubro de 2025.
A equipe concentrou a investigação em rochas chamadas anortositos, formadas há cerca de 3,7 bilhões de anos e coletadas na região de Murchison. Os materiais estão entre os mais antigos já identificados na Terra e contêm cristais de feldspato plagioclásio capazes de preservar informações químicas extremamente antigas.
Para contornar essa limitação, os pesquisadores utilizaram técnicas de alta precisão que permitem analisar áreas dos cristais que permaneceram intactas ao longo de bilhões de anos. Essas regiões funcionam como uma espécie de impressão digital do manto terrestre, revelando como era o planeta em seus estágios iniciais.
Os dados obtidos indicam que os continentes não surgiram logo após a formação da Terra. A composição química preservada nos cristais de feldspato analisados sugere que o crescimento continental mais expressivo começou há cerca de 3,5 bilhões de anos, aproximadamente um bilhão de anos depois do nascimento do planeta.
O resultado contraria a ideia de que a crosta continental teria se desenvolvido rapidamente e ajuda a redesenhar a linha do tempo da evolução terrestre. A descoberta também fornece um novo contexto para entender como o ambiente do planeta se tornou, aos poucos, mais favorável ao surgimento da vida.
Além de investigar as rochas terrestres, os cientistas compararam os dados com amostras de anortositos lunares trazidas à Terra pelas missões Apollo. Essa comparação revelou semelhanças importantes entre a composição inicial dos dois corpos celestes.
Para os pesquisadores, essa evidência reforça a teoria de que a Lua se formou após a colisão de um grande corpo celeste com a Terra primitiva. O impacto teria sido tão energético que parte do material resultante deu origem ao satélite natural.
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