Integrantes da bancada do Partido Democrático Trabalhista (PDT) na Câmara Municipal de Fortaleza (CMFor) reclamaram, durante a sessão plenária desta quinta-feira (13), da falta de solução do impasse entre pedetistas alinhados com o Governo Municipal e o Governo do Estado e a fileira de oposição. Segundo os parlamentares, a cisão compromete a formação de chapas para a disputa eleitoral no próximo ano.
Atualmente, o PDT tem, em seu quadro, políticos uma vez que o vereador PP Cell, que não apoia a gestão do prefeito Evandro Leitão (PT) e afirma publicamente não querer mais fazer segmento da legenda. Assim uma vez que também mantém filiados os deputados estaduais Antônio Henrique, Cláudio Pinho, Lucinildo Frota e Queiroz Rebento, que já indicaram a intenção de se desfiliarem da corporação na janela partidária de 2026, sem que percam seus mandatos.
“Hoje temos o vereador amigo-irmão PP Cell, que não compactua com as ideias, digamos assim, do momento que o partido está vivendo. Logo, hoje faço segmento, ocupando a vice-presidência da [executiva] municipal do PDT, e eu vou renhir, sim, para ser o presidente da Percentagem de Moral, para expulsar o PP Cell”, afirmou o vereador Adail Júnior na tribuna, posteriormente ser provocado pelo vereador Marcelo Mendes (PL) a comentar o matéria, por conta de uma enunciação feita pelo pedetista dias antes.
Destacando sua participação na Percentagem de Moral do diretório estadual, Adail disse que sua intenção é expulsar antes de dezembro “os quatro deputados estaduais” do PDT. “Porque, eles ficando, atrapalham o PDT”, argumentou o parlamentar.
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Adail falou que levou a proposta de antecipação da saída dos colegas para o vice-presidente do partido no Ceará, o deputado federalista Mauro Rebento, para que “tome uma iniciativa”. “Não é justo chegar (para se desfiliar) no dia da janela partidária, não vai ter mais tempo para formação de placa”, justificou.
Em seguida, o vereador Paulo Martins apoiou a fala do colega de legislatura. “Sabemos que hoje temos quatro deputados estaduais lá na Parlamento filiados ao PDT. Todos deputados de grande estima, inclusive votei no Antônio Henrique, agora sabemos — e eles também — que não têm mais o libido de permanecer no PDT porque não apoiam o governo municipal, o governo estadual e o governo federalista. São oposição em três esferas. Logo, por obséquio, que se resolva logo essa situação”, alegou, estendendo a discussão para o colega de Parlamento, PP Cell.
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Ele, que explanou seu libido em ser candidato a deputado federalista, reivindicou uma transparência para 2026 ao se guiar à Adail. “Quero proferir cá que lhe suporte. Você hoje é vice-presidente municipal do partido. Estou com você nessa procura por homogeneidade no PDT que, desde 2022, a gente vê esses imbróglios aí, na candidatura para governador, para prefeito — no segundo vez e no primeiro”, disse Martins.
O vereador Luciano Girão afirmou o mesmo que os correligionários. “A gente precisa, urgentemente, que os nossos presidentes façam uma mesa redonda. A gente precisa invocar o feito à ordem. Temos vereadores que não querem mais estar no partido, que não seguem a risca que o partido hoje está adotando e precisa resolver isso”, destacou, pleiteando a “liberação” de PP Cell.
“Temos as questões dos deputados, que precisam ser definidas. Saber se realmente vão permanecer ou se não vão permanecer no partido. Aqueles que vão permanecer, que passem a seguir as orientações do partido”, complementou. “O que não pode é permanecer nesse jogo de cena, atrapalhando o partido”, disse Girão.
Na mesma sessão, Antônio Henrique esteve no Plenário Fausto Arruda, visitando os colegas. Ele foi presidente do Parlamento municipal de Fortaleza por dois mandatos: nos biênios 2019–2020 e 2021–2022. O parlamentar foi saudado pelos presentes, inclusive pelos colegas de PDT.
Legenda:
O deputado estadual Antônio Henrique (PDT) esteve presente na sessão desta quinta-feira (13).
Foto:
Luciano Melo/CMFor.
O PontoPoder indagou o presidente do PDT Fortaleza, Iraguassú Rebento, e o presidente estadual, André Figueiredo, para que ele pudesse se manifestar acerca as reclamações dos políticos e sobre uma vez que o matéria está sendo discutido. O texto será atualizado no caso de uma resposta dos dirigentes pedetistas.
Da mesma maneira, a reportagem também acionou os deputados estaduais e o vereador PP Cell, citados pelos parlamentares em seus discursos. Eventuais respostas serão incorporadas ao teor desta material.
Crise partidária que se arrasta
Em agosto, a bancada do PDT na Câmara Municipal se reuniu com Iraguassú para debater o horizonte da legenda para o próximo ano. A montagem da placa eleitoral foi um dos temas do encontro, segundo partidários envolvidos na discussão. A saída de integrantes que não estavam alinhados com os caminhos tomados pelo PDT seria um dos pontos-chave, principalmente a do vereador PP Cell.
No início de novembro, o PDT elegeu novos dirigentes e passou a integrar oficialmente a base de suporte ao governo Elmano de Freitas (PT) na Parlamento Legislativa do Ceará, além de confirmar a federação com a gestão municipal da capital cearense. A ida para o governo, entretanto, não sanou a crise.
A lei foi uma “viradela de chave”, posteriormente a saída do ex-ministro Ciro Gomes e do ex-prefeitos fortalezenses José Sarto e Roberto Cláudio, que foram para o Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB) e para o União. Antes, em junho, o PDT já havia disposto pela ida para a base do Governo Elmano, mas com a liberação dos deputados estaduais.
Instabilidade na bancada federalista
Na Câmara dos Deputados, embora haja uma posição governista por segmento da bancada pedetista, a permanência dos congressistas é uma incerteza. Em junho, ao Quotidiano do Nordeste, o deputado federalista Eduardo Bismark, atualmente licenciado, afirmou enxergar com dificuldade a possibilidade de que o grupo continuasse na {sigla}.
“Acho que ficou uma sensação de que não fomos valorizados pelo PDT”, falou. Pela legenda trabalhista, estão com procuração hoje os deputados Robério Monteiro, Mauro Benevides Rebento, Leônidas Cristino e André Figueiredo. Idilvan Alencar, outro membro da bancada, está licenciado, em razão da titularidade na Secretaria Municipal de Ensino de Fortaleza (SME).
André Figueiredo é o presidente estadual do PDT no Ceará e trabalha para a permanência dos correligionários. Recentemente, Mauro Rebento passou a ser vice no diretório estadual e, de tratado com Figueiredo, é o único entre os demais que está guardado nas fileiras trabalhistas.