Cascais (Portugal) - Por culpa da digitalização e da facilidade com que, hoje, as crianças manipulam com incrível destreza o telefone celular ou um notebook, “o mundo está vendo nascer e crescer uma geração de ingênuos”. E isto poderá agravar-se com o mau uso da Lucidez Sintético (IA), que precisa, primordialmente, preservar a verdade das informações, uma vez que, nos tempos atuais, quase tudo se copia e, pior, quase tudo parece ser verdadeiro, mas não é.
Em outras palavras, foi o que disse ontem o professor Leid Zejnilovic, com duplo doutorado em Mudança Tecnológica e Empreendedorismo pela Universidade Carnegie Mellon e pela Católica-Lisboa School of Business and Economics. Ele falou ontem, 12, durante duas horas, para os 29 integrantes da Missão Empresarial da Fiec que está cá aprendendo sobre a Economia do Mar, os quais o aplaudiram com exalo ao final de sua lição.
Segundo o professor Zejnilovic, a IA é e será muito útil para todos os setores da vida econômica, social, financeira e cultural, já provocando mudanças importantes na vida das empresas, das pessoas, das escolas e da ateneu em todo o mundo. Há, porém, uma crescente preocupação com sua regulação, tendo em vista que “todos desejamos a preservação da verdade”.
Ele citou vários exemplos do que pode ser chamado de transgressão contra a verdade, aludindo a casos recentes de adulteração de fotos antigas de pessoas, famosas ou anônimas, que, pelo mecanismo da IA, podem permanecer esteticamente mais bonitas ou feias, dependendo da intenção de quem manipula essa novidade tecnológica. Com outras palavras, o professor Leid Zejnilovic disse:
“Essa foto, ao ser manipulada, apesar de ter sido melhorada sob o ponto de vista da plasticidade, alterou a verdade na sua origem. Ora, se isso é tão simples de executar, imagina o que pode intercorrer com outras camadas de informações, de fatos, de referências, de notícias. Quando se observa a IA do ponto de vista da Economia Azul, o primeiro sinal de recado que surge é o de muito desvelo em relação à segurança de dados, no incremento da velocidade das informações e no próprio desenvolvimento de novas tecnologias ligadas, por exemplo, ao mercado de crédito, à biodiversidade, de crédito carbono, tudo com foco na preservação da verdade, mantendo, todavia, a capacidade de pensar das pessoas.”
Leid contou o que se passou com ele neste ano, quando toda a Península Ibérica (Espanha e Portugal) sofreu um apagão universal, com falta de pujança elétrica em quase todas as grandes e pequenas cidades dos dois países. Porquê a bateria dos telefones celulares não pode ser recarregada por absoluta carência de pujança, ninguém conseguia saber o que estava a intercorrer. E com outras palavras, o professor Leid revelou:
“Eu era o único morador do meu prédio que tinha um rádio idoso, movido a pilhas, por meio do qual pude ouvir as notícias a reverência do apagão”.
Ele fez uma semelhança com o que se passa hoje. E disse que o varão – independentemente de ter ou não aproximação à última novidade da Tecnologia da Informação, incluindo a IA – precisa de dispor de sua livre capacidade e liberdade de pensar, utilizando os novos recursos digitais exclusivamente para qualificar suas ideias e opiniões.
Veja também